sexta-feira, maio 09, 2008

Sou uma insatisfeita com a vida. E como consequência, sou infeliz.
Nada me preenche. Nada me realiza. Nada do que tenho me chega. Preciso de mais. Muito mais!
Mas apesar de tudo considero-me uma pessoa simples. É tão fácil eu derreter-me com qualquer gesto, qualquer mimo, qualquer palavra. Se calhar o problema é mesmo esse. Ser fácil demais...
Entretanto cá continuo. Uma eterna prisioneira de sonhos, de fantasias, de esperanças. Uma eterna prisioneira da infância que já ninguém acompanha, nem mesmo quem eu pensava que me iria acompanhar para sempre. Terei tomado o percurso errado? Haverá realmente um certo? Ou mais adequado?
Levem-me daqui. Já não consigo suportar. E o mais triste, é que ninguém percebe, ou ninguém quer perceber, porque o mundo se tornou mesmo assim: egocêntrico.
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Se me tivesses dado o céu, eu teria te dado o mundo. Serás sempre a palavra amor.

sexta-feira, maio 02, 2008


Infelicidade silenciosa

quarta-feira, abril 23, 2008

Vazio

Preciso tanto de ti.
Neste momento reside na minha cabeça o problema de tentar perceber se fui eu que me perdi ou se foste tu...
E as saudades...ai, as saudades! Queria puder saciá-las.
A única certeza que adquiri é que o devaneio do tempo quente não compensou nem um bocado a falta que sinto daquele tempo frio...

segunda-feira, abril 07, 2008

Stop Complaining


Como diz uma certa música com sabor tropical, "uma musiquinha para machucar os corações". Para ouvir, envolto em tranquilidade, num ambiente semi-iluminado, olhos fechados para se deixar ir...por entre os sonhos...Boa viagem.


"I don't know why
But I cant seem to find the right melody today
I can't make the words fit how I feel
I don't know when
Was the last time that I slept the whole night through
And when morning comes around I feel tired

I woke up from the strangest dream
With a dancing dog and a beauty queen
They said nothing, nada, niente
I'm empty

But Your here and I'm here
So I stop complaining it could be raining
And I see the answer in your eyes
Your here and I'm here
I keep on singing just keep on singing
Singing

Do you know why
I cant seem to find the right melody today?
Can't make the words fit how I feel
Do you know when
Was the last time that I slept the whole night through?
Another morning comes around, I feel tired

I drive down to the rodeo
Gonna ride a bull in a video
But nothing, nada, neiente.
I'm still empty

But your here and I'm here
So I stop complaining it could be raining
And I see the answer in your eyes
Your here and I'm here
I keep on singing just keep on singing
Singing singing singing"

Skye - Stop Complaining

segunda-feira, março 31, 2008

Burning

So many people telling me one way
So many people telling me to stay
Never had time to have my mind made up
Caught in a motion that I don't wanna stop

That I don't wanna stop
That I don't wanna stop

The Whitest Boy Alive - Burning

...porque afinal ainda aparecem destas músicas, que fazem despertar a minha descrição, perdida algures por entre posts, das "palpitações".

sexta-feira, março 28, 2008

O que eu queria mesmo...


...era uma borracha mágica... para aliviar o estado da minha alma!...

segunda-feira, março 24, 2008

Pensamento


E quanto mais espero, menos alcanço...

Hoje não é um bom dia.

terça-feira, março 18, 2008

Sinto...



Sinto falta...
Falta dos abraços apertados,
dos beijos intensos,
dos mimos ternurentos.

Sinto falta
do coração a palpitar,
dos sorrisos embutidos,
da música nos meus ouvidos.

Sinto falta
das viagens sem destino,
sem data marcada de ida,
sem data marcada de regresso.

Sinto falta
das surpresas surpreendentes,
dos presentes encantados,
dos sonhos acordados.

Sinto falta
de mim contigo,
de mim amada,
de mim enfeitiçada.

Sinto falta...

quinta-feira, março 13, 2008

Elogio ao Amor



"O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há.
Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia.
São uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe.
Não é para perceber.
O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar.
A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se foda.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém.Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela -a vida- que nos acompanha: é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder.
Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também."

Por Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, março 03, 2008

Crescer: Aprender e Descobrir


"Depois de algum tempo, aprendes a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo, aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.

Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam; percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.

Descobres que se leva muito tempo para nos tornarmos a pessoa que queremos ser, e que o tempo é curto.

Aprendes que ou controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprendes que paciência requer muita prática.

Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.

Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste.

Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.

Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva,mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.

Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.

Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.

E aprendes que realmente podes suportar mais... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!

As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."

by William Shakespeare

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Para quando?


Que raiva que eu tenho de ter de dedicar 4o horas semanais naquilo que não gosto...
Que raiva que eu tenho de todos os dias, de manhã e à hora do almoço, ter de reservar pelo menos meia hora para procurar um lugar de estacionamento...
E que raiva que eu tenho de ter sempre a mesma rotina e pensar que os dias serão assim quase até ao fim da minha vida: trabalhar para ganhar dinheiro para puder pagar as contas e, quiçá, conseguir fazer umas viagenzitas, trocar o carro e hipotecar uma casa, quando o objectivo deveria ser trabalhar porque se gosta e, num segundo plano, ganhar dinheiro para gastarmos naquilo que bem nos apetecesse!
Triste miséria...para quando o 1º prémio do euromilhões? Para quando o dia da transformação de Portugal num país melhor e de oportunidades? Para quando o dia em que me vão seleccionar para trabalhar na minha área? Para quando o dia em que vão oferecer melhores condições aos trabalhadores? Para quando o dia em que vão fazer construções associando um fácil acesso e um fácil estacionamento? Para quando o dia em que estas questões vão deixar de me irritar???

Sei que não parece, mas apesar destas palavras enraivecidas, hoje até estou bem humorada. Nunca me apanhem é naquelas alturas em que estou na 56ª volta para encontrar um lugar de estacionamento já em cima da hora de expediente...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Procura-se


Á procura do sapo que se transforme em príncipe encantado ou do príncipe encantado que não se transforme em sapo. Ainda existirá?

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Direcções trocadas


Os sonhos seguem o lado oposto do meu caminho...

terça-feira, janeiro 29, 2008

A felicidade aprende-se?

"Andar, nesta estrada
Por caminhos incertos
Tão longe e tão perto
Do que eu quero ser

(...)

Estou a aprender a ser feliz
Aquilo que eu vou ser ninguém me diz
A guitarra que só toca por amor
Não acalma o desejo nem a dor"

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Feliz ano novo (?)


Ora bem, chegou o ano novo. Quem falou que isto é um facto positivo? Deseja-se muita saúde, muita paz, muita felicidade, amor, e tantas outras coisas positivas. Dão-se muitos abraços, muitos beijinhos, a festa é de arromba, mas eu continuo sem perceber muito bem o que é que se festeja... Ano novo, vida nova? Novas reflexões? Novas reconstruções? Novos objectivos?
Acho que as notícias que eu ouço, que fecharam 2007 e abriram 2008, não devem ser as mesmas que o resto do país ouve. Nem sei por onde começar, é tanta coisa boa que até me perco.
Deixem cá ver...
1 - Encerramento de urgências. Realmente têm-se ouvido muitas queixas de que a população portuguesa está demasiadamente envelhecida e que é estritamente necessário o nascimento de mais bebés. É, deve ser isso, estão a ver se matam os velhinhos mais depressa.
2 - Aumentos desmedidos. Vai desde o pão até aos transportes públicos, água, electricidade, gás. Sem esquecer que o petróleo subiu para os 100 dólares por barril. Mais uma semanita e talvez mais uns quantos portugueses deixem de conseguir sustentar as despesas do carro. Cá para mim é uma estratégia para diminuir os acidentes de viação, cujos números são cada vez mais alucinantes.
3 - Salário mínimo vai aumentar para 426€. Poderia ser um motivo de alegria mas 426€?? Estão a gozar, certo? Com tantos aumentos estarão à espera que algum português consiga sobreviver com este mísero ordenado? Ok, e que tal um reality show (sempre podemos propôr à TVI) em que trocam os ordenados dos ministros com os dos assalariados? Nem seria preciso ir tão longe...até podiam ficar-se pelos secretários e secretárias dos membros do Estado! Uns dias e o salário mínimo subia em flecha e os ladrões ricos que se fod...
4 - Nova lei do tabaco. Eis então que os tabagistas são transformados em toxicodependentes. Concordo que tem de haver algum respeito para com a saúde dos não fumadores mas este é um país onde o 8 e o 80 predominam. Multas altíssimas para quem não cumpre a lei e se qualquer um estabelecimento quiser criar uma "sala de chuto" tem de ter um negócio bem lucrativo porque se não, não há quem consiga desapertar os cordões à bolsa para comprar um daqueles aparelhómetros ridículos (hello?? Estamos em Portugal, não há condições para isso!) Entretanto cá vamos vendo os grupinhos de cigarro na mão a acumularem-se na rua, fora dos centros comerciais, cafés, restaurantes e demais, tais quais como marginais, a encherem os cinzeiros e os passeios de beatas, enquanto entre dentes vão dizendo mal da sua vida por viverem neste país com a mania que é grande. Liberdade onde estás?

Tudo isto sem comentar, claro, não fosse eu uma jovem desempregada à procura do 1º emprego há mais de 1 ano e meio, os números liiindooos do desemprego, que nada de real transmitem tendo em conta a quantidade de pessoas que conheço que me dizem: "inscrita/o no instituto de emprego? Para quê?" Pois é, dou-lhes toda a razão pois para esse dito instituto não passo de um número para as estatísticas e de mais um "processo",ou lá como eles chamam a isso, que anda por lá a ganhar pó.
Este post está-me a deixar deprimida e já nem consigo evitar os suspiros (nem sequer continuar a divagar por entre estes factos brilhantes). Com isto só estava a tentar perceber porque é que se festeja a passagem do ano...

sábado, dezembro 29, 2007

Congelamento de mim


Um dia acordei e renasci. Talvez não da melhor forma, ou como gostaria, mas sem ter pedido nada, sem nada ter feito para isso, sem sequer ainda ter percebido como nem porquê, o meu coração congelou. Toda eu congelei.
Passei a ter medo. Medo do apego, medo de criar laços, medo de dar o melhor de mim. Deixou de me importar não estar com "aquelas" pessoas muitas vezes. Até passei a preferir ir saltando, para aqui e para ali, ver caras novas, ter novas conversas, adaptar a forma de estar ou de olhar... Não me importa mesmo porque, neste momento, nada me importa.
Cansei-me de ser afável, dos abraços e dos beijos, das palavras e dos gestos. Cansei-me das facadas nas costas, dos estalos vindos do nada, dos desprezos dolorosos. Cansei-me de sentir intensamente, de ter sonhos desmedidos e da espera sem fim. Cansei-me do eu sensível, do eu carinhoso, do eu presente.
Não me reconheço neste novo ser. Frio, distante, desligado, bruto. Não me reconheço de forma alguma, e este irreconhecimento angustia-me, sempre que me deito, sempre que de novo acordo. E nem sequer me importa se acordo.
Doze passas, doze desejos. Pode ser que os peça. E se acreditar, pode ser que algum se concretize.

terça-feira, dezembro 25, 2007

No natal, a minha prenda eu quero que seja...


Cá estamos nós outra vez. Concordo com aquela afirmação de que o natal devia ser todos os dias e não existir uma época em que, de repente, todos se enchem com um espírito solidário, esbanjando amor, amizade, palavras bonitas, sem esquecer a parte comercial que há muito tempo se instalou e que, ano após ano, se vai agravando chegando mesmo a desgraçar famílias com endividamentos desnecessários e que veio matar o verdadeiro significado da festa em questão. Mas agora o tempo passa tão depressa (deve ser da idade) que realmente ainda ontem estavamos no natal de 2006 e assim, num abrir e fechar de olhos, estamos nós no natal de 2007 e em breve, sem dar outra vez por isso, cá estaremos no de 2008...
Quando era pequenina ansiava por esta data. Os meus pais não tinham grandes possibilidades mas as prendas que me conseguiam dar enchiam-me de uma alegria esfusiante e passava horas a brincar com as novas bonecas e demais, imaginando e sonhando com todo o tipo de fantasias próprias de meninas inocentes que ainda acreditam no pai natal. Nessa altura também sentia a união da família de uma forma muito mais intensa, os laços pareciam-me mais apertados e verdadeiros, e a confraternização que se fazia era tão mais saudável e agradável.
Agora, aos 26 anos, já nada disto me parece ter sentido. Pela primeira vez, em todo este meu tempo de existência, os meus pais estão separados e cada um ficou para o seu lado. Não me sinto triste por mim, mas a angústia e a solidão que o meu pai transborda partem-me o coração, mesmo não conseguindo entender como é que é possível duas pessoas, que se dão tão mal e já cometeram erros tão graves e marcantes para a relação, se possam amar tanto... Pior ainda, este meu sentimento de impotência, porque dar a mão ou um simples abraço já não chegam para reconfortar as únicas pessoas que tenho a certeza que estarão do meu lado para a vida toda, mesmo perante todas as divergências ou conflitos que já tivemos ou ainda possamos vir a ter.
Apesar de tudo sei que pouco deve faltar para fazerem as pazes outra vez. Não sei se algum dia irão conseguir ser felizes. É das relações mais estranhas que conheço. Juntos não estão bem, mas separados estão piores. Confesso que naquelas alturas em que é "regra" pedir um desejo, como nos nossos aniversários ou quando se entra numa igreja pela primeira vez, já longos vão os anos em que o meu desejo é sempre o mesmo: "que os meus pais se entendam e consigam ser novamente felizes" tal como foram, quando eu era mais pequena.
Esses momentos estão ainda tão vivos na minha memória... por isso hoje me pergunto como foi possível chegarem a este ponto. Os carinhos constantes que trocavam, as batalhas que travavam para conseguirem ter as merecidas férias, para comprarem um brinquedo que sabiam que eu tanto desejava mesmo sem nunca ter pedido...a minha mãe até me fazia as roupas para as barbies. Lembro-me dela estar sentada no sofá da sala, a tricotar as camisolinhas enquanto eu brincava no chão e a ia observando...É incrível como as coisas mudam e nós não conseguimos fazer nada para as impedir porque de repente, abrimos os olhos, e já aconteceu.
Eu não gosto muito do natal. Não agora. Já sei que o pai natal não existe e aquele espírito genuíno e humilde já há muito se perdeu nas famílias. Falam em paz e tranquilidade, mas com a euforia dos presentes e de tudo aquilo que se tornou obrigatório ter, uma pessoa anda na rua e tudo se empurra, tudo se atropela, tudo se insulta porque, ao fim e ao cabo, o "eu" interessa, não os "outros". É triste, mas acho que é assim.
Quanto ao resto não posso dizer que pessoalmente também esteja feliz. Ás vezes olho para a personagem do "Dr. House" e revejo-me. Aquela frieza, aquela arrogância, aquele cinismo, aquela aparência e postura do "eu estou bem, sou bom, e nada me atinge"...e depois chega a casa, senta-se e...por momentos transforma-se naquilo que realmente é: uma pessoa com sentimentos, um pouco perdida no mundo e na sua construção pessoal, mas essencialmente isso, com sentimentos.
O meu coração está congelado. Creio que se alguém lhe tocar ele se parte em pedaços. Mas no fundo, por detrás da sua renitência em se entregar e se expôr, ele é carente. Muito carente.
No entanto cá vou andando. Talvez não na verdadeira essência da vida, mas num dos seus "fios que traçam o limite". E os meus desejos continuarão a ser os mesmos em 2008...

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Tudo tem um fim...

Sei que sabes que sim
E que para mim
És o mundo lá fora
Não há nada a fazer
Nem nada a dizer
Aqui e agora

Deixa à volta o mundo
Vai ser o que o tempo entender
Nem tu tens de o dizer
Só tens de o sentir
Se Sabes que Sim
e que para mim
És o mundo lá fora

Olha para mim
Se estiveres a fim
Falamos depois
A qualquer hora

Olha para mim
Tudo tem um fim
Vemo-nos depois

Sei que és parte de mim
Estarás sempre aqui
Sei que não demoras
Não há nada a fazer
Nem nada a dizer
Aqui e agora

Deixa à volta o mundo
Vai ser o que o tempo entender
Nem tu tens de o dizer
Só tens de o sentir
Se Sabes que Sim
e que para mim
És o mundo lá fora

Olha para mim
Se estiveres a fim
Falamos depois
A qualquer hora

Olha para mim
Tudo tem um fim
Vemo-nos depois

Olha para mim
Se estiveres a fim
Falamos depois
A qualquer hora

Olha para mim
Tudo tem um fim
Vemo-nos depois
Vemo-nos depois

EZSpecial

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Diz-me porquê...

Diz-me
para onde vais
Levas a noite contigo..
Nessa porta em que sais.
Diz-me para onde vais
Deixas-te me meio perdido
entre paredes a mais.

Não.. tenho culpa de ser
Um caso raro
de alguem que não quer
amar e perder
o pouco que tem


Diz-me..diz-me porquê
se a noite é o nosso mundo
porque é que o mundo acabou
será....será que não vês
que é tudo aquilo que tenho
é tudo aquilo que dou

Não.. tenho culpa de ser
Um caso raro
de alguem que não quer
amar e perder
o pouco que tem...

Não.. tenho culpa de ser
Um caso raro
de alguem que nao quer
amar e perder
o pouco que tem..
já nem sei, eu já nem sei...

Pólo Norte

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Pais para Sempre


Não deixamos de precisar dos nossos pais à medida que crescemos. Pelo contrário, precisamos sempre de mais pais. Precisamos da sua serenidade sempre que a nossa insista em fugir-nos. Precisamos do bom senso deles quando o nosso parece capitular diante dos impulsos. Precisamos da clarividência com que nos falam sempre que fugimos da razão.
Tragicamente, muitos pais começam a morrer devagarinho à medida que crescemos. Morrem um bocadinho sempre que nos decepcionam. Morrem um pouco mais quando não reconhecemos, nos seus actos, os valores que nos ensinaram e mais ainda quando nos levam a fazer só de pais ao pé de si.
Na verdade, muitos pais morrem dentro de nós muito antes de morrerem. E sempre que morrem mais um bocadinho, morre uma parte da esperança com que esperamos que nos guiassem por entre todas as nossas decepções.

Eduardo Sá, Psicólogo Clínico, in "Tudo o que o amor não é"