quinta-feira, fevereiro 26, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
O poder da mente
As doenças psicossomáticas são velhas conhecidas nossas. Mas alguns ainda guardam a idéia errónea de que são pura simulação ou casos de hipocondria. No entanto, todos os dias surgem mais e mais evidências de que corpo e alma estão tão estreitamente ligados que aquilo que afecta um, acaba por afectar também o outro.
Popularmente diz-se que a doença psicossomática ou a doença psicológica é aquela que não apresenta um sintoma orgânico real, ou seja, quando alguém acha que tem uma doença que não existe. Esta definição, embora comum, é errada. Doenças psicossomáticas são manifestações orgânicas que podem ser causadas ou cujos sintomas podem ser agravados por aspectos psíquicos (mentais/emocionais).
Existem, é claro, os casos de SIMULAÇÃO (quando a pessoa finge ter algo) ou de HIPOCONDRIA (fixação na idéia de doenças e preocupação excessiva com a saúde). O correcto, no entanto, é utilizar o termo psicossomático apenas para designar doenças que apresentam sintomas reais no corpo físico, mas cuja origem está no psíquico.
Assim, se desconsiderarmos estes dois casos, podemos dizer que existem basicamente dois tipos de doenças psicossomáticas:
As doenças por conversão psíquica, quando existe um sintoma mas nenhum tipo de alteração orgânica é detectada em exames. Por exemplo: uma pessoa não consegue andar, mas não tem nenhum tipo de lesão neurológica ou muscular que justifique a paralisia.
E a somatização propriamente dita, quando a energia psíquica foi descarregada no corpo levando à formação de uma ou mais lesões diagnosticáveis, visíveis em exames. Existem indícios de que a somatização funciona como uma válvula de escape para emoções e sentimentos com os quais o sujeito não consegue lidar.
A mente sozinha pode provocar doenças?
Todas as doenças são causadas por um conjunto de factores. A mente é um deles, sendo a sua participação variável.
Não se conhece o complexo mecanismo de interacção entre mente e corpo, até porque o próprio conceito de MENTE é bastante controverso. No entanto, sabe-se hoje que certas condições orgânicas correspondem a determinados estados emocionais, pois estes interferem na produção de uma série de substâncias que actuam na regulação fisiológica.
A doença psicossomática é então percebida quando os problemas psicológicos, especialmente provocados por distúrbios emocionais (nervosismo, ansiedade, depressão), se tornam físicos. A explicação mais simples será a de que a mente, nestes casos, não consegue resolver o(s) problema(s) através dos mecanismos de defesa, transferindo-os dessa forma para o próprio corpo, que os exclui em estado de doença ou sintomas, estando os mais frequentes relacionados com o aparelho digestivo, o respiratório, os sistemas vascular, locomotor, endócrino e cutâneo...
Música para os meus ouvidos

Dia 10 de Julho - PLACEBO [Optimus Alive]
Dia 19 de Julho - THE KILLERS [Super Bock Super Rock]
Para completar em grande só faltava mesmo virem cá os Coldplay...[pode ser que ainda tenha alguma surpresa, ou que o destino me leve a Barcelona dia 4 de Setembro].
Pena ser tudo em Lisboa, para não variar. Quem vem comigo?
Where Is My Mind - Placebo
The Killers - All These Things That Ive Done (2005Tonight Show).mp3 - The Killers
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinicius de Moraes
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Com os erros se aprende e se cresce
Não te vou esquecer, nem fugir de ti...
Amar, às vezes, faz doer...
Amor faz-me pensar em ti!
Eras pedra preciosa, sensatez, alguém que um dia despertou em mim...
Tinhas o dom de seduzir-me,o dom de amar e persistir à minha ausência...
Entre a paixão e o adeus foi tão difícil para mim,
se te magoei não foi por mal...
Ainda espero por ti,
talvez um dia um sinal...
É tão bom olhar para trás, recordar...
Não te vou esquecer, nem fugir de ti...
Amar, às vezes, faz doer...
Amor faz-me pensar em ti!"
Simples pensamentos
Mesmo quando, inevitavelmente, somos obrigados a viver os momentos menos bons, há que mover esforços para nos lembrarmos daqueles realmente bons que já vivemos e irmos novamente de encontro a eles...não só para os tornarmos a viver mas, sobretudo, para desta vez os vivermos com ainda mais intensidade!
"Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre."
Albert Einstein
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
O pequeno grande Bruno Aleixo
Muito em voga mas sem piada nenhuma. E exactamente por não ter piada nenhuma é que uma pessoa "brota" lágrimas dos olhos de tanto rir (vá lá alguém entender...). A juntar a isto um ambiente de boa disposição com meia dúzia de amigos "marmelos" na mesma sintonia, é o descalabro. E juro que não houve álcool nem espécie alguma de droga.
(Cada vez que vejo estes sketchs ainda me rio mais e mais... Pior! Já só de pensar os meus lábios tremem!! "CÁÁÁÁUTELA!" looool - amigos, mais um bocado e a "Patty Latina" tá de volta!)
Ficam alguns exemplos curtos.
Curiosos? Vejam mais em dábliu, dábliu, dábliu.youtube.com [:P]
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Maneira de Bem Sonhar
Nem mesmo é necessário que se faça qualquer coisa, amanhã ou hoje.
Nunca penses no que vais fazer. Não o faças.
Vive a tua vida. Não sejas vivido por ela.
Na verdade, e no erro, na dor e no bem-estar, sê o teu próprio ser.
Só poderás fazer isso sonhando, porque a tua vida real,
a tua vida humana é aquela que não é tua, mas dos outros.
Assim, substituirás o sonho à vida e cuidarás apenas em que sonhes com perfeição.
Em todos os teus actos da vida real,
desde o de nascer até ao de morrer,
tu não ages: és agido;
tu não vives: és vivido apenas.
Fernando Pessoa
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Aquilo que não me destrói, fortalece-me
After the rain comes sun - Thank God!
"Dá importância ao que realmente merece." Disse-me alguém, há uns meses atrás.
"Acredito no teu potencial!" Dizem-me as pessoas, que realmente gostam de mim e realmente me conhecem.
[Um dia destes escrevi neste blog que chorava agarrada à barriga porque não tinha razões para chorar agarrada à almofada. Ainda não me doem os abdominais mas a almofada também já não está molhada]
E como o sol é mágico e consegue dar uma energia fantástica à minha alma e ao meu corpo, aqui fica uma música que me traz boas recordações...! Mas são minhas e assim as vou conservar :)
Bob Marley - Is This Love - Bob Marley And The Wailers
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Hoje sorrio porque acreditei...

[10.Fev'09 @ Aviz - Chá Clube]
...e porque venceu! A família é dos sorrisos mais bonitos que se pode ter. Se não o maior deles todos.
Parabéns à minha malandra, para o ano há mais!
"Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
Alberto Caeiro - Há metafísica bastante em não pensar em nada
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Um texto parvo como estes dias
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
"Largaram-me a 1000 metros do chão"
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Passa-nos...uma merda!

Na verdade, as mulheres têm os "fios desligados". Quando querem. Ou pelo menos sempre que o racional resolve tirar umas férias sem pedir autorização. Basta um dia acordarmos, abrirmos os olhos, esfregá-los bem [acto que devia ser feito sempre e várias vezes ao dia], olharmos ao espelho e dizermos para nós mesmas "BASTA". O dia em que a cabeça supera o coração - em que o racional resolve aparecer do Tahiti, da ilhas Fiji ou o caraças - , tarde ou cedo, chega sempre. Não podemos ser, para quem amamos, um segundo plano eternamente [que me desculpem os mais suscptíveis mas PUTA QUE PARIU ESTA MERDA CARALHO! - às vezes sabe bem termos estas tais atitudes "à homem"].
"Tanta educação para a igualdade e afinal as mulheres em curto-circuito, a estereofonia com que pareciam equipadas desde a nascença parece ter estoirado, já não associam, já não têm tempo para associar, o que as torna mais disponíveis para acreditar: se ele me diz que mereço melhor do que ele é porque está apaixonado por mim, mesmo que depois não me ligue, coitado, não tem tempo, é homem, concentra-se no trabalho, esquece mas não é por mal. Nenhuma mulher de hoje cai na esparrela de dizer que quer ser feliz, isso assusta, é muita responsabilidade, os homens desatam a fugir, quanto mais intelectuais pior, e dizem que é por causa da literatura, que na literatura séria ninguém que se preze acaba feliz, o que não é verdade, mas ajuda muito.
Manda a Cartilha da Liberdade que digamos sempre e só a Verdade, por mais fragmentária, dolorosa e paradoxal que seja, como a verdade humana tende a ser. Mesmo que essa verdade seja um tiro na cara de quem a recebe: a Grande Ética não se comove com os pequenos cacos de um coração. E as mulheres, porque têm fios desligados, vão apanhando do chão os vidros partidos tingidos do seu próprio sangue, fazem deles anéis, chamam-lhes rubis, mostram às amigas: «Olha o que ele me deu, parece mesmo verdadeiro, não é?» Escreve António Lobo Antunes: «Perguntei à minha amiga - E depois de ele se ir embora? — Depois chorei um bocado e passou-me». Sim, passa-nos sempre, António. Passa-nos tanto que eu, que já não me comovo por tudo e por nada...
...comovi-me. A frase traz dentro a vida toda, um bocado do dia de todas as mulheres, o rubi falso em «boomerang» que é a nossa alegria... as infinitas tonalidades da solidão afectiva das mulheres de hoje, as mantas de retalhos de cores variadas que elas vão fazendo com as sobras dos sentimentos impossíveis... As mulheres habituaram-se a entrever o todo na parte — até para esquecer que, muitas vezes, não há senão a parte. Depois choramos um bocado e passa-nos. Passa, uma merda. Mas sorrimos, sim, como uma árvore, no meio da noite."
Por Inês Pedrosa @Revista Única [Expresso]
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Quem sai aos seus não degenera
Muito do que sou a ele o devo [especialmente o meu lado “balelas” e lamechas :)]. Entre sorrisos, lágrimas…o meu Pai traduz-se no verdadeiro Homem da minha vida. Na única pessoa do mundo que nunca me desiludiu. E, muitas vezes, é pensando nele que ganho forças para ultrapassar as maiores adversidades da vida. Porque ele próprio é também o maior exemplo de força.
Obrigada papi [quase todo o mundo diz isto…mas tu és realmente o melhor Pai do mundo].
“Fazes-me muita falta filha. Não te preocupes, eu estou bem e sei que tu também estás. Só não tinhas nada que crescer tão depressa (…)”
“Tenho saudades tuas filha. Desculpa ainda não ter aprendido com a realidade mas sinto-me muito sozinho. Mesmo fechada no teu quarto o meu coração tinha conforto (…)”
“Há 25 anos quando te tive pela primeira vez nos braços pensei, na inocência dos meus 21 anos, que tinha realizado o maior feito do mundo. Que tinha criado um ser quase que perfeito. Hoje, na tranquilidade dos meus 46 anos, continuo a achar o mesmo (…) do teu pai que te ama muito e continua a ter dificuldade em viver o dia a dia sem te ver, porque o resto sei que terei sempre.”
(resposta à minha afirmação de que a vida não é um mar de rosas)
“Não é um mar de rosas mas não há nada melhor do que estar vivo. E tudo, mesmo quando não parece, tem algo para ter acontecido… Ainda hoje a minha mãe me disse (muito mal): Não faças como eu. Não esperes até aos 70 anos para chegares à conclusão que não viveste. Eu apenas disse: Não digas isso, nunca mais (…) se não tivesse casado com quem casei não tinha hoje as melhores filhas do mundo. Podia ter uma Patrícia mas não teria a MINHA Patrícia. Só isso jamais me fará arrepender de nada (…) Fica em paz filha, estou sempre por perto enquanto respirar.”
A isto só posso chamar de Amor. Amor puro. Amor genuíno. E por isso hei de acreditar sempre que ele realmente existe e é possível. Porque foi assim que aprendi a amar!
terça-feira, janeiro 27, 2009
- O tal Cafeína? Nunca lá fui.
- Há sempre uma primeira vez para tudo – remata com ar absorto antes de desligar o motor. Bem, bem, ainda não nos sentamos à mesa e já começaram as bocas. Isto ainda vai dar molho.
Não escondo o meu agrado pela escolha. O Cafeína é daqueles restaurantes que conquistam mesmo antes da primeira garfada. Sento-me com a sensação de que vou cá voltar muitas vezes. (…)
Olho-o fixamente. Este homem tem qualquer coisa. Qualquer coisa de especial que me dá vontade de ficar a tarde toda a conversar com ele. E não é só charme nem simpatia. É outra coisa qualquer que não consigo definir. Uma mistura alquímica de doçura e inteligência. (…)
Fala baixo, particularmente baixo, como se nem eu própria pudesse ouvir o que diz. Sinto o olhar dele a entrar-me pela cabeça adentro. E sinto-me invulgarmente permeável, indefesa perante a sua perspicácia e rapidez. Se não lhe achasse graça, consideraria este tipo de comentários despropositados e de mau gosto. Mas há qualquer coisa nele que me desarma, e o pior é que não me estou a importar nada com o facto de ele me desarmar. (…)
Acabamos de almoçar tarde, depois de uma longa conversa em que ambos revelamos mais do que gostaríamos das nossas vidas. (…) É isso. É isso mesmo. É a calma, nele, que me seduz. O tom de voz baixo e pausado, o olhar tranquilo, os gestos ponderados, as palavras escolhidas, o sossego e o recolhimento. Este é o tipo de homem que passa horas fechado em casa a ler e a ouvir Keith Jarrett. Aposto que tem uma casa aconchegada, com uns sofás cheios de almofadas e dezenas de molduras com fotografias dos amigos na sala. Pertence ao strong silent type que o Woody Allen tanto inveja. E eu também. (…)
Está surpreendido comigo tanto como eu com ele. Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si. (…) Se possuísse um pingo de bom senso punha-me imediatamente a andar (…) Mas, como dizem os espanhóis, el sentido común es el menos común de los sentidos. E eu tenho esta atracção fatal pelo abismo, apetece-me sempre pisar o risco e desafiar a sorte. (…) Ninguém faz nada nesta merda de país, preferem todos aderir ao sistema em vez de dar uma volta à vida.
- Se pensasse com um bocadinho mais de calma não ficava com tantas rugas nessa testa de boa aluna…
Lá está ele outra vez a apanhar-me o fio à meada. A empregada de mesa aproxima-se.
- São dois gelados de limão com vodka por favor, enquanto a senhora pensa se me vai ou não mandar à fava – diz ele à rapariga de cabelo escorrido e óculos graduados. – O que é que acha? Acha que eu mereço que ela me mande à fava ou não?
Isto é extraordinário. Está a fazer charme à empregada do restaurante e ao mesmo tempo a gozar com a minha cara. A rapariga olha para ele com um ar enfiado e esboça um sorriso falhado em forma de esgar.
- Deixe lá, o senhor gosta de dizer estes disparates.
A rapariga afasta-se com passos curtos e hesitantes.
- Como é que sabe?
- Com tanto à vontade, deve fazer destas gracinhas todos os dias.
- Olhe que não, olhe que não… – fixa-me com ar discretamente sedutor – se fosse a si, ficava hoje por cá…parece-me que nos vamos dar muito bem… o que é que acha?
Cabrão. Estás-me a lançar a rede e está-me a apetecer cair. (…)
A sobremesa aterra finalmente em cima da mesa. Ele tem razão. Gelado de limão com vodka é uma combinação de primeira água. Saboreio o manjar enquanto me observa deliciado.
- Já vi que gosta das coisas que lhe recomendo…
- Pois gosto.
- E olhe que ainda não viu nada.
Se a presunção pagasse imposto, este gajo levava com a tabela máxima.
- O que vi já chega.
- Mas o que eu vi ainda não.
- O que é que quer dizer com isso?
- Quero dizer que você é uma mulher excepcional em demasiadas coisas para eu não me interessar por si. É muitíssimo esperta, sabe o que quer, trabalha bem, é bonita, tem uma maneira de se arranjar que me agrada, é requintada, elegante, tem savoir faire, tem bom ar…olhe, acho-lhe imensa graça, o que é que quer que eu lhe diga?
Quero que te cales, estúpido. Sabes muito bem que as mulheres resistem mal a elogios e estás-te a aproveitar disso. (…)
Estou a apaixonar-me minuto a minuto, segundo a segundo. Sinto-me dissolvida nele e em tudo o que o rodeia. Sei que este jogo é perigoso e arriscado, há muitos anos que não o jogo, mas agora não me interessa. Quero perder a cabeça e deixar-me ir nos braços deste homem. Do aplauso nasce o amor, escreveu Gabriel Garcia Marquez, eu admiro este homem. Admiro-o em tudo o que faz e que diz, pela forma como o faz e como o diz. Admiro a sua calma e ponderação, a sua forma sossegada de amar, o seu espírito crítico e observador, a sua cabeça pensante e a sua personalidade vincada sem um traço de dureza. Quero tê-lo perto de mim, nem que seja por um dia, nem que seja por um instante. Estou a apaixonar-me outra vez, mas já nada me preocupa. Perdi o medo, sou só vontade. Ele olha-me com os olhos cheios de curiosidade e prazer, como se quisesse registar na memória cada momento, cada gesto, cada movimento da minha boca.
- Há momentos na vida em que me sinto tão próximo da perfeição que podia morrer daqui a uma hora e não me importava.
Respondo-lhe: eu também…
Quando olho para o relógio passa das cinco da manhã e espanto-me com a frescura que sinto, como se o corpo não fosse meu, como se apenas o meu espírito ali estivesse a pairar, suspenso no tecto a vaguear (…)
Ele abraça-me outra vez, levanta-se e traz-me o pequeno-almoço à cama. O dia começa a clarear lá fora enquanto dançamos durante horas esquecidas, fundidos um no outro, como se tivéssemos crescido a dançar juntos.
E nessa manhã, algumas horas mais tarde, quando acordo ao lado dele e o vejo erguer-se a abrir ligeiramente as cortinas, reparo que daqui a alguns anos vai ficar careca e que não me vou importar.”
In "Não há coincidências" de Margarida Rebelo Pinto
segunda-feira, janeiro 26, 2009
sábado, janeiro 24, 2009
Faz-me acreditar
"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar"
Cada lugar teu - Mafalda Veiga
quarta-feira, janeiro 21, 2009
O que me apetecia agora mesmo...
The Killers no seu melhor com "Human". Como ouvi no outro dia um jovem a dizer, com o belo do sotaque à Porto: "GANDA MALHA!" [já que não pode ser ao vivo, no meio do povo...salto e canto - ou tento - em casa] So...Let's Rock!
terça-feira, janeiro 20, 2009
Carpe Diem
Quase todos os dias a minha mãe chega a casa e conta-me histórias que não lembram a ninguém. É o marido da amiga que teve um AVC, é a mãe de uma colega de trabalho que teve um acidente, é o pai de não sei quem que morreu de um dia para o outro, é a amiga que descobriu um cancro. E nessas alturas eu penso no quanto somos pequeninos e o quanto perdemos por sermos tão picuinhas com pormenores que, no fundo, não interessam para nada. Perdemos demasiado tempo a pensar, quando esse mesmo tempo deveria ser gasto a viver como se não houvesse o tal amanhã.
Lembro-me como se fosse hoje daqueles dias terríveis de Agosto e Setembro, quando de repente a minha avó, que respirava saúde, foi atirada para uma cama do hospital. Se por um lado a minha vida tinha dado uma volta de 180º, por outro tinha acabado de chegar de umas férias fantásticas, preparada para seguir em frente com um sorriso rasgado. Aquela notícia caiu que nem uma bomba na minha cabeça. Parecia que o meu mundo se estava a desmoronar por completo, já não sabia que mais me poderia acontecer naquele instante. Toda a gente fora, a casa vazia, eu tinha de me conseguir manter erguida sozinha, sem o apoio de ninguém. Não sei bem como consegui, sei que nestas alturas me apercebo do tamanho da força interior que temos e que desconhecemos por completo.
Quando cheguei e corri para o hospital, ainda falei com ela. Tudo me parecia mais ou menos controlado. No dia a seguir estava em coma. Não me lembro de sentir tamanho sufoco, tamanha dor. Fiquei desorientada. Não me queriam deixar vê-la naquele estado e eu teimei… Quando vi a minha avó imóvel, mantida viva por uma máquina, cheia de tubos, quase desfaleci. Dei-lhe a mão, acariciei-lhe a face e disse-lhe entre soluços – acreditando piamente que me ouvia – “ai de si que me deixe, todos precisamos de si aqui”. Não consegui ficar muito tempo. Saí a correr, desnorteada, encostei-me a uma parede das escadas e deixei-me escorregar em pleno pranto. O meu avô e os meus tios esperavam-me na porta e eu não queria que me vissem naquele estado. Limpei as lágrimas e saí de óculos escuros para que ninguém visse os meus olhos inchados. Dei um abraço ao meu avô e disse-lhe “Não se preocupe que a avó não tarda nada está em casa. Daqui a um tempo, tudo isto não passará de um pesadelo. O que ela precisa agora é que o avô acredite nela. A força da atracção existe por isso pensamento positivo!” Não sei como consegui, mas dei ao meu avô a força e a energia que nem eu tinha para mim. A verdade é que ele me dizia todos os dias “Em casa estou sempre a repetir em voz alta: ela vai ficar bem, ela vai ficar bem!”. E eu ficava feliz por estar a conseguir dar ânimo a quem dele precisava, porque sei que se a minha avó partisse, o meu avô partiria junto. E isso seria uma tragédia na família.
Nesse dia saí do hospital em estado de choque. O carro ia para onde queria, eu já nem sequer o controlava. Sei que a dada altura o parei, saí e sentei-me em pleno passeio a olhar para o céu e a pensar “O que é que eu faço?”. Nunca tive um sentimento de impotência tão grande. Quando os meus pais me ligavam tinha de fingir que estava tudo bem, dentro dos possíveis. Quando estava em casa, sozinha, o telemóvel sempre que tocava eu estremecia, com medo do nome que ia aparecer no visor e do que poderia ouvir do outro lado. Nesta altura, todos os restantes problemas da vida me pareceram fúteis e banais. Nunca a palavra nunca esteve tão presente. Quando dizem que nestes momentos de aflição uma pessoa se agarra a tudo, é bem verdade. A igreja foi o meu maior refúgio. E o meu maior apoio.
Sem entrar em muitos mais pormenores, a verdade é que, da mesma maneira que de um dia para o outro a minha avó tinha ficado entre a vida e a morte, também de um dia para o outro recuperou. E no natal brindamos todos à presença dela entre nós com um sorriso e lágrimas nos olhos de felicidade. A hora dela não tinha chegado. Felizmente.
Quando recordo aquilo que passei com esta situação de quase perda, sinto que deveria dizer todos os dias às pessoas de quem gosto, o quanto gosto delas e o quanto são importantes para mim. Sinto que deveria viver mais intensamente, sem medos, sem vergonhas, arriscando tudo e dando tudo de mim como, quando e a quem me apetece. Sinto que devia dizer a toda a gente que tem um “talvez” na vida que tenha antes uma certeza. Que viva e aproveite todos os momentos sem receio, sem dúvidas, sem os entraves que todos teimamos em meter no nosso caminho!
A felicidade depende de nós. E isto que hoje aqui escrevo vou fazer por ler muitas vezes. Para que me lembre, sempre que me esquecer, que a vida são dois dias…
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- "Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive." Fernando Pessoa
