segunda-feira, setembro 19, 2011
New York, New York!
segunda-feira, abril 18, 2011
Tempo de arrumações...e de chegada a conclusões
quarta-feira, março 30, 2011
Leituras
terça-feira, março 29, 2011
Na próxima vida quero ser...um cão
quarta-feira, março 09, 2011
Há coisas que nunca mudam
Com a quase chegada à tão “abominável” e temida entrada nos 30, paro um pouco e reflicto sobre tudo o que ouço – de amigos, de familiares, de desconhecidos que conversam sem se aperceberem que ali ao lado está alguém atento às palavras trocadas.
Os 30… a primeira reacção: “Que horror, estou a ficar mesmo velha!”, ou então: “Já?? Como o tempo passa depressa…”. Pois passa e, infelizmente, passamos cerca de um quarto de vida a desejar “ser grande” para depois chegarmos à conclusão que bom era ser criança e, a partir daí, passarmos o restante quarto de vida e a outra metade a desejar não termos crescido tão depressa.
Tenho algumas amigas que já completaram os seus 30 anos de existência. E amigos também, a maioria. Mas para os homens a entrada nos 30 está longe de ser um drama. Afinal os trintões, aos olhos de muitas mulheres, esbanjam charme, já sendo expectável a maturidade, o respeito, o cavalheirismo e a dedicação que aos 20 não nos davam por – pensamos nós – infantilidade, despreocupação e/ou distracção.
Mas 30 anos para uma mulher são tudo menos razão para festejos efusivos. Começamos a queixar-nos das rugas (e, consequentemente, a corrermos para comprar os cremes anti-rugas que antigamente só a mãe e a avó precisavam/usavam), a repararmos que o rabo está descaído, que as mamas já não são bem o que eram e que, no geral, todo o nosso corpo apresenta uma certa flacidez e alguns defeitos nunca antes detectados. Aparecem brancas no cabelo, a memória deixa de ser o que era, e tudo isto…de um dia para o outro.
Não será antes o facto de, a partir desse dia, olharmos para nós ao espelho e passarmos realmente a VER? Sim, porque antes, ainda sem a pressão inerente a esta idade ou sem os complexos “impingidos” pela sociedade, simplesmente olhávamos para o espelho…mas não víamos o que de um minuto para o outro passa a ser uma dor de cabeça.
Na rua passamos a aperceber-nos que as pessoas nos tratam por “senhora” em vez de “menina”. Mas nem ligamos ao pormenor dessas mesmas pessoas serem miúdas de 18 anos, e que também nós nessa idade achávamos os trintões uns “cotas”. Em todo o lado começam a perguntar-nos pelo casamento, pelos filhos, pela casa…e muitas de nós, mulheres de 30 anos, ainda vivemos com os pais, sem perspectivas desse futuro pelo qual nos perguntam, embora já com uma vontade imensa de o viver.
Ainda tenho 4 meses para aproveitar a casa dos “20”. Mas VEJO-ME e as rugas estão aqui. Em torno dos olhos, nos cantos da boca. Rugas de expressão, como lhes chamam. Não apareceram hoje, nem ontem, nem tão pouco sei precisar o momento em que surgiram, mas já cá andam. É natural, fazem parte da evolução normal de um ser humano. Se gosto delas? É óbvio que não. Mas o que fazer? Tenho de aprender a lidar com o envelhecimento e tentar minorar o seu desenvolvimento com o que actualmente existe. Exercício físico, cosméticos, tratamentos de estética. Já é uma sorte existir essa evolução científica e podermos usufruir dela. Quanto ao resto nada de muito diferente a declarar. O peito está no lugar, o rabo – maior ou mais pequeno – tem a sua cruz e nunca fará parte das minhas preferências. O cabelo continua forte e a dar trabalho q.b., a memória já foi melhor mas ainda está longe do inimigo Alzheimer.
O meu corpo vai realmente fazer 30 anos. Não há remédio nem volta a dar. Mas o meu “Eu” interior está longe de envelhecer e de acompanhar o ritmo do meu físico. Penso em mim, na minha pessoa, e sorrio. É que às vezes tenho a plena noção de que devo mesmo “roçar” nos limites do ridículo. Continuo a sentar-me no degrau de uma escada, na beira de um passeio, ou até no chão se for preciso. Continuo a escrever “bilhetinhos” como fazia nos tempos de estudante, mas agora em reuniões de trabalho. Continuo a ter ataques de riso incontroláveis quando vejo uma imagem cómica – ou não –, quando ouço o impensável, quando vejo cenários inesperados, ou quando me lembro de momentos únicos. Pior mesmo é ter estes ataques de riso sem motivo aparente e não conseguir parar por ficar nervosa exactamente… por não conseguir parar. Continuo a atirar-me para o chão quando o riso já me faz doer a barriga. Continuo a ver desenhos animados e a chorar com a história, se for triste. Continuo a ir à queima das fitas para estar com os amigos, a saltar de barraca em barraca, e sair de lá aos S’s. Continuo a tropeçar por estar distraída, a pensar no dia de ontem, ou a deixar cair tabuleiros e objectos afins por ter mãos de manteiga. Continuo a vestir calças rotas, a calçar "All Star" e a comprar camisolas com bonecos da BD. Continuo a gostar de entrar em parques infantis e andar nos baloiços e escorregões. Continuo a fazer sons parvos e a inventar nomes idiotas para dar às coisas ou às pessoas. Concluindo, continuo igual a mim própria.
Não sou casada, não tenho filhos, não tenho casa. Mas tenho trabalho e um tecto graças aos meus pais que me permitiram tê-lo. Sou saudável, tenho bons amigos, um namorado (até agora) perfeito, e muitos outros detalhes que fazem o meu dia-a-dia feliz.
Quanto ao que ainda falta “life goes on”, caminhando se faz o caminho e tudo o tempo se encarregará de esclarecer. Também já ouvi dizer, por várias bocas, que a fase dos 30 é a melhor fase da mulher, em todos os aspectos. Se assim for até fico expectante.
Independentemente de tudo, há coisas que nunca mudam, e continuo a ter em mim “todos os sonhos do mundo”.
05/03/2011 – Escrito metade na terra, metade nos céus
quarta-feira, março 02, 2011
Assim vai Portugal...
Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer
Por Ricardo Pereira Araújo in Visão
quinta-feira, janeiro 13, 2011
"Para ser grande sê inteiro"
Reis é assim, como Caeiro, aquele que aceita a vida sem pensar, mas Reis, oposto de Caeiro, sente em si mesmo a opressão da Natureza e da vida. Se Caeiro aceita ingenuamente a realidade, Reis ressente-se com ela e gera em si mesmo um sofrimento com a perda que escolhe ser a sua.
Caeiro acredita num Deus fora de si que é um Deus disforme, feito Natureza, enquanto Reis confia em deuses incertos e vagos, símbolos rasos de uma crença pouco uniforme, à maneira dos clássicos, em que os deuses informam nos medos e nas desconfianças dos homens.
(...)
Reis, se por um lado defende não haver uma fé em que o 'homem seja inteiro', defende por outro que o homem 'seja inteiro sem a fé'. É um principio basilar da filosofia de Ricardo Reis que o homem encontre no seu sofrimento a sua nobreza, ou seja, que aceite a dor da vida de maneira inteira, que seja inteiro nesse sofrimento, mesmo que não seja inteiro numa fé. É mesmo por não ser inteiro numa fé que o homem deve ser forte em ser inteiro na realidade, como é.
'Para ser grande, sê inteiro', diz Ricardo Reis. O homem, porque aceita a realidade, deve ter uma atitude nobre mesmo perante o sofrimento que vem com essa aceitação.
'Nada teu exagera ou exclui'. Reis defende que o homem abdique de tudo, mas que não abdique de si próprio. Apenas aquilo que é ilusório deve ser extirpado da experiência humana, porque apenas traz ao homem a humilhação. Entre essas coisas estão a religião e o amor.
Ataraxia - calma de espírito, resignação - e em Reis sobretudo: indiferença. Este é a palavra chave para resumir a atitude de Reis-Pessoa, e também de Pessoa-Reis, perante a vida.
'Sê todo em cada coisa'. Ou seja, procura em cada coisa a tua inteira felicidade, porque a felicidade, se está nos objectos, não está na realidade. E é no campo estrito dos objectos, e não da vida, que o homem expressa a sua personalidade. Trata-se enfim de uma visão estóica, de um sofrimento e de uma resignação que encontra apenas um campo muito limitado de liberdade humana.
Mas toda esta atitude é, curiosamente, nobre. Nobre porque em Ricardo Reis o homem aceita o seu destino como um gladiador aceita a sua morte na arena. É nobre porque nessa aceitação há uma compreensão obliqua do que se aceita. Reis sabe que vai sofrer ao aceitar o sofrimento desta maneira - que não é a maneira ingénua de Caeiro - mas é ao aceitar esse sofrimento que se afasta dos outros homens tornando-se superior a eles pela sua atitude.
A poesia de Caeiro é uma poesia de segundos. Cada momento é toda uma vida, porque em cada momento se exprime uma liberdade renegada, um alcançar de um objecto, uma finalidade. Isto porque a realidade já não existe, porque há apenas renúncia e resignação.
Quando Ricardo Reis refere o brilho da lua no lago e nos diz que no lago toda a lua vive, mesmo só no reflexo, dá-nos um símbolo para a compreensão completa do seu pensamento, tal como foi explanado anteriormente.
É na 'altura' que a lua vive e não na proximidade. O reflexo dá-nos uma noção do afastamento da realidade que a lua tem com a água onde se reflecte. Quem a vê no reflexo, vê-a por inteiro, mas não conhece a sua essência. No entanto ali está toda a lua. Tal como o homem, ao se dar, pode dar o seu reflexo à realidade, à sociedade, sem que ninguém o conheça no seu intimo. Apenas o seu reflexo.
Esta atitude, este 'viver pelo reflexo', 'na altura', é uma atitude nobre e estóica de Ricardo Reis. Uma atitude de afastamento e nobreza, que caracteriza toda a sua poesia".
@http://www.umfernandopessoa.com
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Um dia de uma vida, uma tarde na cidade

Ele é representado como uma divindade amarela ou vermelha, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado num rato. É habitualmente representado sentado, com uma perna levantada e curvada por cima da outra. Em geral, antepõe-se ao seu nome o título Hindu de respeito 'Shri' ou Sri.
* A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
* O facto dele ter apenas uma presa (estando a outra quebrada) indica a habilidade de Ganesh superar todas as formas de dualismo;
* As orelhas abertas denotam sabedoria; habilidade para ouvir pessoas que procuram ajuda e para reflectir sobre as verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para conseguir assimilar ideias. As orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo o conhecimento também o é;
* A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;
* Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um Tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesh sobre ele;
* A barriga de Ganesh contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e unanimidade; a habilidade de Ganesh sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
* A posição das suas pernas (uma a repousar no chão e a outra de pé) indica a importância da vivência e a participação no mundo material assim como no mundo espiritual; a habilidade de viver no mundo sem ser do mundo.
* Os quatro braços de Ganesh representam os quatro atributos do corpo subtil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesh representa a pura consciência - o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;
* A mão que segura uma machadinha é um símbolo da restrição de todos os desejos que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha Ganesh pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha serve também para levar o homem para o caminho da verdade e da rectidão;
* A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote diz-nos que os apegos mundanos e os desejos devem ser deixados de lado;
* A terceira mão, em direcção ao devoto, está numa pose de bênçãos, refúgio e protecção (abhaya);
* A quarta mão segura uma flor de lótus (padma) e simboliza o mais alto objectivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.
Em termos gerais, Ganesh é uma divindade muito amada e frequentemente invocada, já que é o Deus da Boa Fortuna, que proporciona prosperidade, e também o Destruidor de Obstáculos de ordem material ou espiritual. É por este motivo que a sua graça é invocada antes de se iniciar qualquer tarefa (por exemplo viajar, prestar uma prova, realizar um negócio, uma cerimónia, uma entrevista de trabalho). É também por este motivo que, tradicionalmente, todas as sessões de bhajan (cântico de devoção) se iniciam com uma invocação a Ganesh, o Senhor dos "bons inícios". Por toda a Índia de cultura hindu, o Senhor Ganesh é o primeiro ídolo colocado em qualquer nova casa ou templo.
Além disso, Ganesh é associado ao primeiro chakra, que representa o instinto de conservação, sobrevivência e procriação. O nome desse chakra é muladhara.
Ganesh é também definido como Omkara ou Aumkara, que significa "tem a forma de Om". De facto, a forma do seu corpo é uma cópia do traçado da letra Devanagari que indica este grande Bija Mantra. Por causa disso, Ganesh é considerado a encarnação corporal do Cosmos inteiro. Ele está na base de todo o mundo fenomenal...
"Om ganaman tva ganapatigm havamahe kavim kavinamupamashravastanam
jyestharajam brahmanam brahmanaspata a nah shrunvannutibhih sida sadanam"
segunda-feira, outubro 11, 2010
Curiosidades astrológicas...

quinta-feira, setembro 09, 2010
quarta-feira, setembro 08, 2010
Mais para além de "nós"
quinta-feira, março 18, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
A teoria da conspiração
Pois bem, tal como eu previ, o seu fim foi igual ao seu início: rápido e repentino. Explicações? Aparentemente nenhuma. Foi como a vaga do vírus das 'vacas loucas' ou de uns outros tantos que sem mais nem porquê assolam o mundo, provocam o pânico global, a confusão geral, o medo social e a fobia pela prevenção.
Golpes baixos de quem governa o mundo para enriquecer à custa do povinho? Esquemas dos cabecilhas da área da saúde para gerar receitas? Experiências de quem tem o poder para fazer de nós cobaias ignorantes? Estará o mundo nas mãos de pessoas maléficas sem claramente se aperceber?
Isto quase me parece um filme ao estilo de "Truman Show", que relata a história de um homem cuja vida serve de base, 24 horas por dia, a um espectáculo colussal de televisão. A cidade onde vive é um estúdio montado propositadamente para o efeito, os moradores, trabalhadores e até a própria mulher são actores e, gradualmente e inevitavelmente, ele acaba por enlouquecer quando tudo começa a ganhar o seu verdadeiro sentido.
Um exagero pensar nesta possibilidade, talvez. O facto incontornável é que este vírus mortal do 'H1n1' se evaporou à mesma velocidade com que se propagou. E, parafraseando as palavras que uma vez ouvi, colocando nelas uma pequena alteração: podem fazer de mim vaca, mas louca é que não!
quarta-feira, outubro 28, 2009
Não deixes um prazer de hoje para um amanhã que pode não existir
Era uma vez uma flor que não gostava das suas pétalas...
Era uma vez uma pérola cujo brilho o mar turvo ofuscou...
Era uma vez uma estrela que se sentia triste porque a sua luz era apenas mais uma no meio de tantas outras que preenchem o universo...
Um dia o vento soprou, afastando as nuvens que encobriam o céu, e os raios de sol devolveram vivacidade à cor das pétalas da flor que não gostava delas. As borboletas que por ali passeavam, sentindo-se atraídas pela sua beleza, iam pousando na sua superfície. Batendo elegantemente as suas asas, mimavam-na, antes de partirem novamente para destino incerto. Foi assim que a flor voltou a sorrir e a dar valor às pétalas que antes renegava.
Depois de afastar as nuvens, o vento repousou. As marés do oceano recuperaram a sua calmia e as areias do seu fundo deixaram de revolver. O reflexo do sol permitiu à água do mar que cintilasse e foi toda esta pureza que devolveu à pérola o seu brilho. Desta vez, era a intensidade que emanava que ofuscava todos os seres marítimos que dela se tentavam aproximar...mas de fascínio!
Quando o sol se pôs, dando o lugar à lua para iluminar o mundo, todas as estrelas que povoam o céu encheram o olho de quem parava para as admirar. A quem não encanta um cenário estrelado? No entanto, alguém cá em baixo parou e olhou para a estrela que se sentia triste, por achar ser apenas mais uma. Por instantes ela ainda hesitou. Aquele olhar poderia estar a dirigir-se noutra direcção que lhe parecia, de forma equívoca, ser a dela. Mas foi então que, entretanto, esse alguém sorriu-lhe. No meio das milhares de estrelas que a rodeavam, foi a sua luz que prendeu a atenção desse alguém, que passou o resto da noite a observá-la, de sorriso no rosto e brilho no olhar. Ela sorriu-lhe também e, a partir daí, a sua luz passou a ser o destaque do estrelato...porque, em cada noite, aquele alguém parava lá em baixo, só para a contemplar.
Um dia, as nuvens que o vento afastou poderão regressar e encobrir novamente o sol; o azul do céu; o azul do mar; a cor das pétalas. Os grãos de areia poderão voltar a remexer num turbilhão roubando outra vez o brilho da pérola que habita a profundeza das águas. Da mesma forma, também a tal pessoa que admira a estrela poderá um dia esquecer-se de aparecer. Ou ter algum imprevisto. Ou não conseguir sorrir-lhe porque as nuvens a escondem. Ou até mesmo ser cativado pela luz de outra estrela, deixando assim cair no esquecimento a outra de sempre, que regressará à sua anterior solidão.
Mas isto é apenas um 'se'. É um 'pode ser que'. Hoje a flor, a pérola e a estrela reencontraram a felicidade. O segredo está em absorvê-la, segundo a segundo, sem antecipar problemas que não passam de meras suposições. O segredo está em aproveitar as oportunidades que a vida oferece no exacto momento em que as oferece, sem medo do futuro, agarrando o prazer do imediato. Os frutos devem ser colhidos hoje, porque amanhã poderão já estar consumidos pela corrosão do tempo.
É o eterno lema do 'Carpe Diem' que, um dia, Horácio imortalizou...
'Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.'
[Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, é proibido saber, o fim que os deuses
nos dará...]
sexta-feira, outubro 23, 2009
Entretenimentos patetas de uma sexta-feira à tarde chuvosa
Como eu amo:
Patrícia tem Vénus em Leão, o que sugere uma pessoa com gestos afectivos amplos, nobres e generosos. Quando se apaixona não poupa esforços para demonstrar o amor que sente pelo outro. Obviamente este posicionamento não é necessariamente realista: a pessoa costuma ser dramática, como se o amor que sentisse se assemelhasse a um filme de cinema. Mas uma coisa é garantida: não há como se entediar com uma pessoa capaz de revestir o quotidiano com tanta cor!
Vantagem:
Se receber o amplo amor de Patrícia, prepare-se para se tornar quase uma divindade. O ser amado, para quem tem Vénus em Leão, é quase um deus!
Desvantagem:
Vénus em Leão costuma ser um aspecto que sugere uma pessoa que apresenta uma certa dificuldade em ver o outro lado numa relação. Costuma sugerir um certo egocentrismo, que melhora com a maturidade.
Como lidar:
Conquistar uma pessoa de Vénus em Leão não é muito complicado. Elogiar é essencial e as críticas devem ser feitas com extremo cuidado.
Possíveis presentes ideais:
Porta-retratos, perfumes caros, roupas de marca, um fim de semana na praia, uma máquina fotográfica digital, uma faixa imensa com dizeres maravilhosos no meio da rua.
O pior que se pode fazer:
Criticar Patrícia em excesso. Tente. Verá a magia do desaparecimento em dez minutos.
quarta-feira, setembro 09, 2009
A vida em ciclos
"A vida tem ciclos de sete anos exactamente como a terra faz uma rotação no seu eixo em vinte e quatro horas. Ninguém sabe porque não são nem 25 nem 23 horas. Mas sim 24. Não há nenhuma forma de responder a isto. É simplesmente um facto.
Assim, a vida humana divide-se numa sucessão de períodos, cada um deles com uma duração aproximada de sete anos.
(...)
No quarto período de sete anos – dos 21 aos 28 anos de idade – processa-se um forte desenvolvimento da natureza emocional. Durante estes sete anos, o indivíduo adquire uma estabilidade e um senso mais profundo de responsabilidade; a natureza suaviza-se e manifesta-se um desenvolvimento gradual de faculdades superiores que jaziam dormentes, conhecidas como intuição, telepatia mental, psicometria inconsciente e outras capacidades psíquicas semelhantes. Tudo isto aliado a um despertar do gosto pela música, arte, idiomas e tudo o mais que possamos denominar de 'mais elevado' na vida. Durante este período, a ausência de qualquer manifestação do desenvolvimento destas faculdades indica um desenvolvimento abaixo do normal.
No período dos sete anos que se seguem - dos 28 anos aos 35 anos de idade - o poder criador da mente torna-se mais activo e a capacidade de visualizar, imaginar e criar desenvolve-se a par de uma harmonia sempre crescente com a consciência e com as normas éticas da vida. É durante este período que os grandes inventores têm conseguido os seus maiores progressos e o 'homem de negócios' tem desfrutado de mais energia e, consequentemente, alcançado os maiores sucessos.
(...)
Cada um dos outros períodos de sete anos contribui para o desenvolvimento espiritual e para o desgaste gradual do corpo físico.
(...)
A vida não termina com a morte. A vida não pára: é um acto contínuo de evolução."
Esta minha lembrança não foi por acaso assim como nada é por acaso.
Hoje não sou propriamente uma Mulher diferente da que era há poucos anos atrás. Sou a Mulher que sempre esteve dentro de mim, a Mulher que o meu corpo sempre quis transmitir mas que a minha alma nunca permitiu demonstrar. Estou mais madura, claro. Mantive as minhas virtudes. Algumas posso até ter aperfeiçoado. Consolidei princípios e valores. Atenuei defeitos através das aprendizagens que a experiência de vida me foi dando. Em troca, se calhar também emergiram outros. Ou não. Talvez sejam apenas defesas que adquiri para a 'queda' não doer tanto sempre que me 'empurrarem' ou sempre que 'tropeçar nas pedras e lombas naturais de um caminho'. Basicamente sou Humana. Sou um Ser Humano...com letra maiúscula.
Acredito em energias superiores. Não acredito na Igreja. Acredito que o ‘sonho comanda a vida’. Não acredito em mentes unicamente racionais. Acredito na naturalidade dos comportamentos físicos e emocionais. Não acredito nas leis sociais. Acredito – por isto e por muito mais – que 'não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe', da mesma forma em que acredito que há um julgamento ‘divino’ para os actos que cada um tem em vida, perante si próprio e perante os outros que o rodeiam.
Hoje, sei relamente o que sou. Sei o que dei. Sei o que dou. Sei a quem dar, como dar e quando dar. Sei o que desejo. Sei o que quero. Aprendi a valorizar-me quando antes só sabia valorizar os outros e tudo o que fosse exterior a mim. Aprendi a gostar da pessoa que sou e me tornei porque percebi que não é possível gostar genuinamente de nada nem de ninguém enquanto não nos amarmos a nós próprios.
Um dos grandes males da humanidade é focar-se apenas naquilo que não quer, esquecendo-se que conseguimos sempre mais dos sonhos daquilo que queremos!
Hoje, penso no modo afirmativo e positivo. Hoje, sonho sem medo. Hoje, dou passos em frente sem receio. Hoje, estou ciente de que nem sempre é possível completar uma parte do 'puzzle' que é a vida mesmo quando duas peças parecem encaixar-se na perfeição. Hoje, sei que quero ser feliz, como toda a gente.
É desta forma que abro a porta para o ciclo dos próximos 7 anos que, segundo esta teoria, é o auge de todos os ciclos existentes na vida... E eu acredito.
"A alma dorme na pedra,
Sonha na Planta,
Move-se no animal e
Desperta no Homem".
segunda-feira, agosto 31, 2009
Ganha-se um 'instante' para se perder uma 'vida'
- “Por acaso não…sei que costuma vir, estive para lhe ligar mas depois passou-me!”
- “Pois, é provável que esteja por aqui, lá com o ‘advogado’…”
- “Hum…isso soa-me a ‘dor de cotovelo’…olha que te fica mal.”
- “Achas? Estou a brincar! Nem o conheço direito…Foi só um comentário.”
- “A verdade é que perdeste o amor da tua vida.”
- “Lá isso…tens toda a razão. Ainda voltamos a tentar mas não resultou, como sabes.”
- “Há coisas que deixam marcas impossíveis ou difíceis de apagar. Que depois de feitas, destroem pilares importantes e imprescindíveis para sustentar qualquer relação.”
- “ Eu sei, eu sei. Por isso é que nunca mais voltarei a repetir o erro. Se bem que ‘nunca digas nunca’… Mas não quero voltar a ver ninguém sofrer como vi a ela. E tu bem sabes, estiveste sempre lá…”
- “Sim, foi bastante mau! Pelo menos sempre conseguiram manter a amizade. É um ponto positivo que nem sempre se consegue ganhar.”
- “É verdade! Ainda vamos falando. Internet, telemóvel. Quando dá ainda tomamos um café para pôr a conversa em dia. Soube admitir o que fiz, que mais poderia fazer? A razão não estava do meu lado e embora ela fosse tudo o que eu queria, não consegui que ultrapassasse o mal que lhe fiz.”
- “Eu até entendo…há tentações, momentos menos conscientes, fases mais frágeis, carentes…mas mesmo assim não é justificação…”
- “Mas eu não fiz nada, estava quietinho no meu lugar! A ‘gaja’ é que se atirou a mim e eu…”
- “ …e tu estavas a atravessar uma fase menos boa e blábláblá…nestas situações a culpa é sempre dos outros! E quieto não ficaste de certeza, caso contrário não teria acontecido.”
- “Pois é…pronto…falhei. Foram quase 6 anos juntos…mas agora [3 anos passados] estou bem, já não digo que a amo.”
- “Podes não amar mas foi o amor da tua vida.”
- “Sem dúvida.”
E é assim que as pessoas vão perdendo os seus amores: aqueles que os completam, que os fazem sorrir, chorar, que os fazem sentir especiais, importantes, únicos, mesmo naquelas alturas em que parece que mais ninguém no mundo se importa ou quer saber. Não interessa. Aquela pessoa estava sempre lá. Ontem, hoje, amanhã. O carinho, a atenção, a cumplicidade num gesto, numa troca de olhares, o “encaixe-mais-que-perfeito”.
Um dia um passo em falso, sem significado, mal medido, irracional, deita tudo por terra. Cai-se de um precipício para um abismo sem fim porque para trás fica o tal “amor da vida” que não se voltará a sentir em intensidade.
E este caso é apenas um exemplo de perda, que aqui exponho por ter surgido em conversa recente, porque há quem deixe “escapar entre os dedos” a 'tal' pessoa por motivos bem menores, incoerentes, diria até absurdos mas momentaneamente talvez incontroláveis...
...por orgulho.
...por teimosia.
...por imaturidade.
...porque aquele não é o 'momento certo' e “o que terá de ser nosso para nós, cedo ou tarde, voltará”. Será mesmo assim?
Há quem complique porque a sociedade “impingiu” a ideia de que tudo é complicado, portanto o que é simples não pode estar bem. É preciso complicar! Ou será que, na verdade, impingiu a "obrigatoriedade"de uma monogamia maioritariamente utópica?
De facto, o físico e/ou a mente têm impulsos e atitudes que as emoções do coração desconhecem. Uma questão que poderia ter divagações sem fim se, mais uma vez, tivesse tempo. Fica a curiosidade pessoalmente pouco compreendida… pela evidência cada vez mais significativa de casos reais que perdem, por um prazer instantâneo, uma vida de prazer permanecente.
quinta-feira, julho 09, 2009
Haverá limites?...
Então e para o resto? Para o que é considerado bom, positivo? Existirá também um limite? Poderá o "bom demais" tornar-se "mau demais"? Será que realmente tudo tem uma medida certa? O tal do equilíbrio perfeito?
Compreensão, amor, amizade, inteligência, empenho, dedicação, sinceridade, simpatia, segurança, energia, optimismo, preserverança, confiança,...terão estes sentimentos e características um limite? Será que realmente o que é demais é erro? Haverá a tal da bela sem senão?
E o limite...o que delimita o limite?
No diccionário da língua portuguesa, limite é uma linha que estrema superfícies ou terrenos contíguos; é uma fronteira; um extremo; uma meta. Ou pode até designar um termo matemático quando é uma quantidade fixa da qual uma variável se aproxima indefinidamente sem nunca alcançar.
Na Psicologia do ser humano ou na Filosofia, o limite é uma patente. Não somos o que queremos, não fazemos tudo que sonhamos, não temos o dom de estar sempre onde desejamos. E é dentro destes limites que nos movemos.
Conhecer os nossos limites e os dos outros é uma tarefa que dura a vida inteira. Isto porque o limite não é algo estático. As pessoas mudam, logo o sistema de comunicação entre as pessoas é dinâmico e tem as suas próprias "leis", cabendo a cada um de nós descobri-lo em cada momento.
"Quem não vive como pensa, acaba a pensar em como viver". Aprender a observar a realidade do ser pessoal e do ser social é a melhor forma de compreender o limite que existe nas coisas e nas pessoas. Caso contrário, gasta-se o tempo a encontrar defeitos onde apenas existem características e assim talvez sejamos mais tolerantes com os outros... e connosco próprios.
"A felicidade não pode vir das coisas exteriores, do corpo, mas somente da alma, porque esta e só esta é a sua essência". E a alma é feliz quando é virtuosa. Disse Sócrates: "Para mim quem é virtuoso, seja homem ou mulher, é feliz, ao passo que o injusto e malvado é infeliz. Assim como a doença e a dor física são desordens do corpo, a saúde da alma é a ordem da alma - e esta ordem espiritual interior é a felicidade".
Afinal, os limites do bom e do mau somos nós que os fazemos. Tarefa difícil, mas não impossível. O limite é o céu? Não. O céu não pode ser o limite para quem quer chegar mais longe!...
quinta-feira, junho 25, 2009
Não há coincidênciais...ou será que há?
O prefixo "co" da palavra coincidência significa "junto" e incidência é sinónimo de acontecimento. Uma boa definição de coincidência pode ser:
"Repetição de dois ou mais eventos num contexto onde há múltiplas possibilidades".
É uma questão acerca da qual reflicto vezes sem conta. Se acredito ou não? São mais as vezes em que não acredito do que aquelas em que acredito. No fundo, acho que tudo tem uma explicação, uma razão de ser, um sustento. Mas para não entrar em grandes paranóias, deixo a complexa questão para os grandes pensadores, filósofos, estudiosos e cientistas...que provavelmente nunca encontrarão a tal verdade absoluta a que todos aspiram.
Isto porque quem mergulha demasiado na procura desta resposta corre o risco de se afogar... de acabar por entre aqueles que habitam sítios como o Magalhães Lemos e afins. Se os loucos são génios? Talvez muitos sejam. Se vêem mais para além do comum dos mortais? Sem dúvida... No entanto, prefiro continuar a fazer parte integrante dos "ignorantes mentalmente saudáveis" e só ir pensando nisto "de vez em quando". Chega-me assim.
"As coincidências não existem por muito que nos digam o contrário.
Poderemos ficar chocados, pasmados, perplexos com os acontecimentos e como as coisas se encaixam, mas tudo são nada mais nada menos que consequências dos nossos actos e pensamentos, que se manifestam naqueles que nos estão mais próximos.
Os amigos de verdade dão-nos estalos de lucidez, que nos acordam para a realidade das coisas mais lógicas e mais básicas que existem.
As coincidências não existem, são o conjunto de situações que a nossa vida cria e desenvolve e que provoca reacção, positiva ou negativa, junto daqueles que nos estão próximos.
Quando somos alertados, significa que deveremos ter cuidado com as nossas atitudes presentes e que estas poderão estar a provocar preocupação naqueles que nos são mais próximos.
A vida tem destas maravilhas transcendentais, que não sabemos explicar porque acontecem e como acontecem. Porém são maravilhas e que felizmente existem para nos fazer ganhar lucidez, coragem, força e determinação para uma vida que em muito se encontra perdida e sem pontos de referência.
Os amigos caminham no nosso transcendente, que acaba por ser o nosso mundo real e manifestam de forma simples o seu pensamento e o seu alerta.
Quiçá as coincidências sejam uma manifestação divina, de um mundo superior, ao qual não temos qualquer capacidade de enxergar, não temos capacidade ou por falta de vontade (?).
O que é certo é que se manifestam no momento em que estamos no nosso silêncio e no momento em que não acreditamos que possam acontecer. No momento em que as esperanças já não existem e que os problemas deixam de ter qualquer solução.
Coincidências, coincidências, coincidências. Dizem que o mundo está cheio delas, mas será (?) se elas não existem.
Caberá a cada um de nós fazer a sua reflexão e tirar as elações possíveis. Caberá a cada um de nós dar o entendimento devido e fazer uso se realmente contribuir para a melhoria da nossa vida, do nosso estado de espírito e do nosso ser como pessoa.
Poderei ter um discurso transcendental e crente demais, é certo, mas o Homem tem a tendência de viver nessa dimensão ou ilusão, chamem-lhe o que quiserem. Mas que vale a pena viver vale. Que vale a pena pensar sobre isso, também.
Às vezes, somos um pouco cotas na forma como pensamos e como agimos, queremos complicar o que é tão simples e depois surgem estas coisas ás quais chamam coincidências."
Por Manuel de Sousa
quarta-feira, abril 29, 2009
É-cum-a-dor
Calhou assistir ao último episódio e, como acontece muitas vezes, em filmes, teatros, telenovelas, debates ou afins, há sempre uma ou outra frase que absorvo e anoto no meu bloco de palavras soltas.
Ela, desanimada, disse-lhe em tom de desabafo que aquela terra - S. Tomé e Príncipe - era tristeza. Perdeu o amor da vida dela e agora vive apaixonada pelo irmão. O próprio com quem acaba de desabafar. Ele respondeu-lhe qualquer coisa como "Equador...é com a dor..."
Nesse momento, "despertei". Valia a pena registar e tentar saber um pouco mais acerca de onde vinha aquela afirmação.
«equador: linha que divide a terra em hemisfério norte e sul. Linha simbólica de demarcação, de fronteira entre dois mundos. Possível contracção da expressão é com dor" ("é-cum-a-dor", em português antigo)
Estas palavras ecoam na minha cabeça. Será realmente com a dor que vivemos quando estamos apaixonados? Será esta uma regra sem excepção?
Acabei por descobrir outras frases interessantes da obra de Sousa Tavares que, muito provavelmente, terei de ler:
«Depois de as coisas acontecerem, é quase irresistível reflectir sobre o que teria sido a vida, se se tem feito diferente.»
«Não se encontra só o que se encontra, mas também o que se procura. Nós não somos folhas levadas pelo vento, não somos animais à deriva. Somos seres humanos, com uma vontade própria.»
«Não esperes nunca de mim que eu seja fiel a qualidades que não tenho. O que podes é contar com as que tenho, porque nessas não te falharei nunca.»
Equador é a linha que separa o mundo em dois. É a linha que divide o que deveria ser um só todo, em duas partes. Neste momento, há um Equador na minha vida. Um coração demarcado por um Eu e um Tu que o separa em dois mundos que se procuram mas se perdem...
Não fosses tu o meu sonho de menina e mulher, eu não te amaria tanto!...



