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segunda-feira, setembro 26, 2011

De cortar a respiração

O vestido usado na campanha do 1º perfume de Elie Saab é absolutamente divinal. Eu - e mais umas quantas milhares de mulheres por este mundo fora - estou completamente apaixonada e "babo-me" cada vez que o vejo.

Sim, é oficial...com este casava-me!


segunda-feira, setembro 19, 2011

New York, New York!

Se não posso ir a Nova Iorque (pelo menos a curto prazo), fico feliz que alguém se tenha lembrado de trazer Nova Iorque até mim!

Os benfeitores têm o nome de Paulo Rocha, que durante vários anos viveu em Nova Iorque (lucky you!), e Alfredo Pontes, a quem desde já agradeço a ideia "fantabulástica" de terem criado o TRIBECA Jazz Club & Restaurante, um espaço sublime e decorado a preceito, a fazer lembrar a cidade "quiçá" mais cosmopolita do mundo.

No restaurante, a acompanhar o belo do menu (posso dizer-vos que a carne é simplesmente divinal), é possível desfrutar de um agradável e envolvente ambiente musical de Jazz, Blues e Soul. E o melhor de tudo é que o som não vem só das colunas: a partir das 23h (mais coisa, menos coisa) podemos assistir ao vivo a um destes espectáculos de qualidade comprovada. 

Finalmente! O Porto já "gritava" por algo diferente. E para mim um local que, segundo podemos ler no site oficial do Tribeca, "nasceu do gosto pela música e charme da boémia nova-iorquina (...)" é mais do que perfeito.

Mais pontos positivos: o atendimento de excelência e a amplitude do espaço. Ao todo são 8 andares (wow!), sendo que os pisos 0 e 2 são restaurante, e o piso 1 o bar onde a música para os nossos ouvidos acontece. Possui ainda um piso para jantares de grupo, o que é simplesmente genial. Assim não somos incomodados por gajas histéricas em despedidas de solteira, ou por gajos armados em homens de negócios. Brevemente penso que farão de um dos pisos inferiores uma galeria de arte. Soa-me a uma ideia brilhante para juntar a todo este doce cocktail.

Pontos "menos positivos": o menos grave, a falta de estacionamento. A rua onde está situado é bem localizada, já que é mesmo no centro da invicta - que ganhou agora uma nova vida - mas tem pouquíssimos lugares. Resta-nos o passeio, onde para já se consegue estacionar sem no final termos uma desagradável multa colada ao vidro do carro. O mais grave, não estivéssemos nós em tempo de crise e com a troika à perna, são os preços praticados! Tudo bem, já toda a gente sabe que a qualidade tem um preço, mas podiam tentar ser ligeiramente mais dóceis. Ler nas revistas que o preço médio são 30€ e chegar ao fim com uns módicos 40 e tal euros por pessoa, puffff...lá se vai o encanto (quase) todo pelo cano abaixo. Uma pena pois, com a boa impressão deixada, adorava ser uma cliente mais assídua mas assim, meus amigos, não dá. Estamos no Porto e não em Nova Iorque, por muito que eu gostasse.

Esquecendo  este pequeno "grande" pormenor, aconselho este espaço portuense a toda a gente que aprecia algo distinto e sofisticado. Pelo menos uma visitinha, já que se pode ir lá apenas para assistir a um concerto, daqueles que nos fazem bater o pé e desligar do mundo. Podemos até - quem sabe com muita concentração - imaginar que estamos num qualquer bar nova-iorquino? Hmm, sounds great!

Toda esta experiência graças a uma surpresa de mim para ele (a tradição já não é o que era, com muito gosto), em nome do amor e de um sonho. Melhor teria sido impossível :-)

segunda-feira, abril 04, 2011


quarta-feira, setembro 08, 2010

Mais para além de "nós"

"Eu fiz isto, eu fiz aquilo, eu fui ali e acolá, eu já estive lá, eu gosto, eu faço, eu costumo isto ou aquilo, etc., etc." Este é o 1º sinal de que estamos perto de uma pessoa egocêntrica; quando da mesma boca sai muitas vezes a palavra "Eu".

Embora o Ego seja o bom senso entre o nosso inconsciente e a nossa noção do dever e das responsabilidades morais e sociais, os egocêntricos olham apenas para o próprio "umbigo". Não fazem nada contra nem a favor dos outros. Simplesmente fazem tudo por e para eles mesmos, por se acharem os mais importantes e pensarem apenas neles próprios.

Pingo de vergonha na cara. Há quem, muitas vezes, não tenha nenhum, o que é pena. Ter - nem que seja uma única gota - de vergonha fica bem e recomenda-se. Para um futuro melhor!

terça-feira, junho 01, 2010

Queres mudar? Começa por ti.

"Uma das verdades mais fundamentais - e no entanto mais difíceis de compreender - é a de que as pessoas vivem todas em diferentes níveis de consciência.

Não se assimila esse Ensinamento nas suas mais profundas implicações apenas lendo ou pensando sobre ele; há que observar a maneira como as pessoas agem, pensam, falam, sentem, reagem, vivem. O que lhes ocupa o pensamento. Como usam o tempo. O que as preocupa. Os objectivos que têm na vida. Aquilo de que falam. E então torna-se evidente que todas vivem em diferentes níveis de consciência e, até, o nível de consciência em que vivem.

A grande maioria da Humanidade vive num nível biológico-social instintivo. Nesse nível, as pessoas são condicionadas pelos valores vigentes e pela mentalidade comum. As suas identidades são uma mera extensão das normas, crenças, costumes e tabus da sociedade em que nasceram. Vivem polarizadas na sobrevivência e, se possível, na acumulação de dinheiro, poder e estatuto. No mínimo, precisam de um emprego seguro e um parceiro para acasalar e reproduzir-se. Odeiam a solidão.

Não têm ideias ou pensamentos originais; falam do que toda a gente fala, têm as opiniões que os meios de comunicação, os líderes de opinião e o status quo querem que tenham. Lêem jornais desportivos e revistas sobre programas de televisão, falam sobre pessoas e acontecimentos triviais do dia-a-dia. Gostariam que o mundo mudasse mas não começam por si próprios. Não questionam o que lhes é dito; se os seus líderes lhes dizem que os afegãos são maus e os astrólogos mentirosos, então os afegãos são maus e os astrólogos mentirosos. Assim, bovinamente, sem sequer investigarem o assunto. Consomem bens e serviços de que não precisam de facto e cujo único valor é o próprio acto de serem adquiridos e o estatuto que lhes está associado - na ilusão de que serão mais no dia em que tiverem mais.

Vivem vidas inteiras repetindo os mesmos padrões mentais e emocionais, submersos na sua própria subjectividade e incapazes de se verem objectivamente. Não fazem ideia do que são "energias", "arquétipos" ou "padrões". Não fazem ideia de que a vida é um processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e não uma luta pela sobrevivência.

São os autómatos de que o sistema precisa para assegurar a sua reprodução e a manutenção das suas próprias estruturas. Constituem a "consciência da massa".

Libertarmo-nos da consciência da massa tem um preço muito alto. Porque os valores da sociedade são redutores, mas dão segurança - a mesma segurança que um rebanho dá a uma ovelha.

Evoluir para outro nível de consciência implica questionar e pensar por si mesmo; implica ser incompreendido e ridicularizado por quem não vê mais longe. Implica conviver com as conversas ocas, mecânicas, de quem nos rodeia. Implica ser livre. E a sociedade não gosta de indivíduos livres, porque são uma falha no sistema e um mau exemplo para os autómatos - e esses é que fazem falta, para que tudo isto funcione..."

Nuno Michaels


O início da mudança está sempre ao nosso alcance, porque esse início somos nós mesmos.
Dedos apontados? Apontem os que quiserem. Risos? Rasguem quantos vos apeteça. Tema de conversa? Gastem o meu nome à vontade. O que não destrói, fortalece.

Não me canso de citar esta meia dúzia de palavras que valem por milhares de outras: "para ser grande, sê inteiro". Não acrescentes nem reduzas; apenas sê tu mesmo em tudo aquilo que fazes. Em tudo aquilo que dizes. Em tudo aquilo que vives.

Respostas para todas as perguntas? Para todas as dúvidas? Desculpem, não as tenho. Gostava inúmeras vezes de as ter, mas não sou mais do que ninguém. Sou apenas eu. Mais um Ser Humano que vive, entre outros tantos, em sociedade. Por isso 'não faças o que eu faço', não queiras nem esperes que eu diga o que tens de fazer; é na nossa individualidade que está o nosso valor e a fórmula para crescermos e fazermos crescer...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Estou para os 30 como Portugal está para a salada de fruta

Dizem que a chegada dos 30 pouco ou nada nos traz de diferente, mas a minha perspectiva não condiz com esta aparente indiferença. Não estou com um 'pé para a cova', nem tão pouco me sinto velha (pelo menos de espírito), só que as evidências não me deixam ficar impassível aos anos que passam à velocidade da luz.

Há 10 anos atrás estava longe de me preocupar com 'gordurinhas' a mais, celulite instalada, estrias, má circulação do sangue, colestrol alto, falta de vitaminas, descamação do couro cabeludo e outras coisas afins que o corpo vai acusando pelo desgaste e maus hábitos do dia-a-dia. Não tinha que me preocupar tanto com a aparência - exactamente por não ter que ir disfarçando esta passagem do tempo - e não tinha que fazer contas aos gastos para a manutenção de uma pele, cabelo e/ou unhas bonitas. Sentia-me bem mais livre destas 'futilidades' necessárias para uma auto-estima minimamente equilibrada (e não me venham com filosofias de que ter auto-confiança não é importante para uma psique saudável).

Aos 20 anos de idade também me sentia longe de ter o peso das responsabilidades que tenho hoje; bastava-me estudar para ter boas notas e cumprir com o prometido ao meu pai, pois em troca tinha garantida a minha mesada e a minha liberdade social, vulgo sair e entrar em casa às horas que bem me apetecia. Agora se dormir pouco ou nada não posso ouvir o despertador, desligá-lo e virar-me para o lado a pensar 'que se lixe o trabalho, alguém há de o fazer por mim'. Tenho que pensar em contas porque - embora ainda não tenha casa própria e os custos a ela inerentes - tenho carro, um crédito pessoal em curso, uma cadela para cuidar e outras 'pequenas' coisas que os pais já não pagam, porque já muito eles fizeram. Fora ainda os extras que qualquer ser humano necessita para desanuviar desta vida rotineira de 'adulto', como os jantares de amigos, as ansiadas férias e o cinema a um domingo à noite. Se não for eu, ninguém se vai preocupar com isso por mim.

A juntar a este natural processo de crescimento, o estado lastimável da economia mundial que, como não podia deixar de ser, é fruto dos comportamentos irresponsáveis, gananciosos e materialistas do ser humano que 'domina' o mundo apelidado de 'moderno'. A crise está instalada de tal maneira que não há esforço que resista ao cinto que já nem aperta...sufoca, quase que mata! Pedindo desde já desculpa pelo termo menos próprio, neste país de 'merda' deviam preocupar-se mais, por exemplo, com quem o governa do que com palermices, como o caso das escutas do Pinto da Costa. Podem achar-me suspeita por ser portista mas, que me desculpem novamente os que isso consideram relevante, eu quero lá saber de 'sumaríssimos' pedidos por favor, da criação de falsas polémicas, de encomendas de 'saladas de fruta' por parte de equipas de arbitragem, de café com leite ou mais escuro...estão a brincar comigo?? Qual é a empresa, negócio ou afim neste país de 3º mundo que não vive de corrupção, fachadas e factos camuflados? Creio que existem casos bem mais graves com que se perder tempo para endireitar 'paus que nascem tortos' - ou que se tornam tortos - por viverem num país feito à base de leis e demais coisas tortas!

Em jeito de curiosidade, lembrei-me agora que, na semana passada, a minha mãe trouxe um tupperware de biscoitos e eu, ao olhar para eles, não pensei duas vezes antes de soltar a frase 'olha...os biscoitos da bibó!". Quando o disse senti-me um pouco constragida, mas foi mais natural do que a 'minha própria sede'. Calei-me e, por momentos, a minha memória viajou para os meus 10/12 anos quando, a seguir à escola, ia a casa dela. Existiam sempre 2 rituais: o leite acompanhado por aqueles biscoitos característicos, em forma de S, e os chocolates 'escondidos' atrás de uma pequena porta de um armário da sala, que a minha bisavó comprava propositadamente para cada uma das bisnetas. É incrível o que determinados pormenores nos fazem recordar. Acho que, durante a minha curta viagem ao passado, até consegui sentir o cheiro da casa dela e até mesmo, o dela própria. Foi uma questão de segundos, mas consegui imaginar cada detalhe como se ainda ontem tivesse lá ido, a seguir às aulas. Já passaram mais de 10 anos e ela já faleceu há 5.

Nessa altura eu ainda era uma criança bem inocente. Ainda o sou, é certo, mas (in) felizmente já não em tanta coisa. Na adolescência conseguia imaginar-me na perfeição com a idade de hoje; casada, com filhos, uma casa, uma vida organizada. Era tudo fácil. Hoje, quase nos 30, tenho muito, mas não tudo. E desgasta-me pensar que estudei 20 anos para depois a compensação não ser a esperada ou, até mesmo, a prometida. Desgasta-me trabalhar 8 ou mais horas por dia durante 5 dias por semana e ganhar uma miséria. Desgasta-me o empenho sem recompensa. A dedicação com base em falsas expectativas. Desgasta-me a reprimenda de chegar 15 minutos atrasada de manhã e ter que responder 'o meu horário de saída também é às 18h30' ou pensar nas tantas horas extra que ninguém me paga ou enaltece. Desgastam-me os sonhos mutilados, o futuro incerto, a hipocrisia dos abastados e a luta com resultados, para já, inglórios para as minhas ambições.

Perante tudo isto, só me apetece mesmo continuar a dizer 'quero lá saber da fruta e do café com leite'! Venha mas é a garantia da água própria para beber e do pão fresco para comer...

domingo, novembro 15, 2009

A fomentação do Q.E. é urgente!

Segundo Goleman, "a chave para tomar boas decisões pessoais é ouvir os sentimentos". Sabem o que é a Inteligência Emocional? Sabem o que é o Q.E. e a sua importância nas nossas vidas enquanto seres humanos individuais e sociais? No seu livro, a que deu exactamente o nome de 'Inteligência Emocional', Goleman explica-nos tudo.

A base de uma Inteligência Emocional é a autoconsciência; o reconhecimento de um sentimento no exacto momento em que ele ocorre, porque é esse mesmo sentimento que, muitas vezes, se torna crucial numa emergente tomada de decisão.

Identificar as nossas próprias emoções e saber como e quando elas se manifestam é a chave do autocontrolo e é quem melhor discerne e controla os seus sentimentos quem tem uma vida emocional mais equilibrada.

Depois de sabermos identificar as nossas emoções e de sabermos como é que elas ocorrem, é necessário sabermos como lidar com elas. Controlar os sentimentos é fundamental para conseguirmos ter uma vida pacífica, harmoniosa e com sucessos. Famílias, amizades e carreiras profissionais são, muitas vezes, arruinadas por falta deste mesmo controlo emocional.

Reconhecer as emoções daqueles que nos rodeiam também é essencial, e a empatia é a ferramenta principal para termos sucesso nas nossas relações pessoais. Quando tentamos compreender as acções e as reacções das pessoas estamos a abrir caminho para o diálogo e para o entendimento. A empatia é alimentada precisamente pelo nosso autoconhecimento: quanto mais conscientes estivermos dos nossos próprios sentimentos mais facilmente poderemos entender os sentimentos dos outros.

Quando conseguimos compreender os sentimentos dos outros, precisamos de aprender a lidar com eles. Sabermos como agir e como nos comportar em determinadas situações é o que diferencia os sábios dos leigos neste tão vasto campo da Inteligência Emocional. O analfabetismo emocional é quase como 'conduzir um carro no centro de uma cidade movimentada sem saber interpretar os sinais de trânsito'. No mínimo, o condutor vai-se envolver ou causar vários acidentes. Sabermos o momento de prosseguir, o momento de parar e respeitar os limites de velocidade pode-nos garantir uma viagem tranquila e segura. Na viagem da vida, sabermos interpretar e agir correctamente perante os muitos e diversos tipos de sinais que as pessoas nos emitem, pode-nos assegurar relacionamentos saudáveis e duradouros, evitando assim muitos prejuízos e acidentes 'fatais'.

No fundo, ter um bom Q.E. significa termos um equilíbrio e não uma supressão dos sentimentos, pois todos eles têm o seu devido valor e significado. Há sentimentos que desestabilizam emocionalmente as pessoas - como por exemplo a raiva, a ansiedade ou a melancolia - e a chave para o nosso bem-estar emocional está no controlo destas mesmas emoções.

Muitas vezes as pessoas questionam-se: "Porque é que alguns parecem ter um dom especial que lhes permite viver bem, apesar de não serem os mais inteligentes? Porque é que nem sempre o aluno mais inteligente da turma acaba por ser o que tem mais êxito? Porque é que algumas pessoas têm mais capacidades do que outras para enfrentar contratempos, superar obstáculos e ver as dificuldades sob uma perspectiva diferente?'

A nossa concepção da inteligência humana é estreita e não tem em consideração uma ampla gama de capacidades que são essenciais para vivermos bem e alcançarmos um desenvolvimento integral enquanto seres humanos. A inteligência emocional é uma forma de nos relacionarmos com os outros e com tudo o que nos rodeia, englobando aptidões como o controlo de impulsos, a motivação, a perseverança, a empatia ou a agilidade mental, que moldam traços do nosso carácter essenciais para trilharmos o 'nosso' caminho rumo aos 'nossos' sonhos...

quarta-feira, outubro 28, 2009

Não deixes um prazer de hoje para um amanhã que pode não existir

Para não variar, apetece-me divagar. Pegar no famoso arranque de histórias "Era uma vez" e deixar as palavras seguirem o rumo que elas quiserem, com ou sem direcção provida de sentido.

Era uma vez uma flor que não gostava das suas pétalas...
Era uma vez uma pérola cujo brilho o mar turvo ofuscou...
Era uma vez uma estrela que se sentia triste porque a sua luz era apenas mais uma no meio de tantas outras que preenchem o universo...

Um dia o vento soprou, afastando as nuvens que encobriam o céu, e os raios de sol devolveram vivacidade à cor das pétalas da flor que não gostava delas. As borboletas que por ali passeavam, sentindo-se atraídas pela sua beleza, iam pousando na sua superfície. Batendo elegantemente as suas asas, mimavam-na, antes de partirem novamente para destino incerto. Foi assim que a flor voltou a sorrir e a dar valor às pétalas que antes renegava.

Depois de afastar as nuvens, o vento repousou. As marés do oceano recuperaram a sua calmia e as areias do seu fundo deixaram de revolver. O reflexo do sol permitiu à água do mar que cintilasse e foi toda esta pureza que devolveu à pérola o seu brilho. Desta vez, era a intensidade que emanava que ofuscava todos os seres marítimos que dela se tentavam aproximar...mas de fascínio!

Quando o sol se pôs, dando o lugar à lua para iluminar o mundo, todas as estrelas que povoam o céu encheram o olho de quem parava para as admirar. A quem não encanta um cenário estrelado? No entanto, alguém cá em baixo parou e olhou para a estrela que se sentia triste, por achar ser apenas mais uma. Por instantes ela ainda hesitou. Aquele olhar poderia estar a dirigir-se noutra direcção que lhe parecia, de forma equívoca, ser a dela. Mas foi então que, entretanto, esse alguém sorriu-lhe. No meio das milhares de estrelas que a rodeavam, foi a sua luz que prendeu a atenção desse alguém, que passou o resto da noite a observá-la, de sorriso no rosto e brilho no olhar. Ela sorriu-lhe também e, a partir daí, a sua luz passou a ser o destaque do estrelato...porque, em cada noite, aquele alguém parava lá em baixo, só para a contemplar.

Um dia, as nuvens que o vento afastou poderão regressar e encobrir novamente o sol; o azul do céu; o azul do mar; a cor das pétalas. Os grãos de areia poderão voltar a remexer num turbilhão roubando outra vez o brilho da pérola que habita a profundeza das águas. Da mesma forma, também a tal pessoa que admira a estrela poderá um dia esquecer-se de aparecer. Ou ter algum imprevisto. Ou não conseguir sorrir-lhe porque as nuvens a escondem. Ou até mesmo ser cativado pela luz de outra estrela, deixando assim cair no esquecimento a outra de sempre, que regressará à sua anterior solidão.

Mas isto é apenas um 'se'. É um 'pode ser que'. Hoje a flor, a pérola e a estrela reencontraram a felicidade. O segredo está em absorvê-la, segundo a segundo, sem antecipar problemas que não passam de meras suposições. O segredo está em aproveitar as oportunidades que a vida oferece no exacto momento em que as oferece, sem medo do futuro, agarrando o prazer do imediato. Os frutos devem ser colhidos hoje, porque amanhã poderão já estar consumidos pela corrosão do tempo.

É o eterno lema do 'Carpe Diem' que, um dia, Horácio imortalizou...

'Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.'

[Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, é proibido saber, o fim que os deuses
nos dará...]

segunda-feira, agosto 31, 2009

Ganha-se um 'instante' para se perder uma 'vida'

- “Sabes se ela anda por aí?”
- “Por acaso não…sei que costuma vir, estive para lhe ligar mas depois passou-me!”
- “Pois, é provável que esteja por aqui, lá com o ‘advogado’…”
- “Hum…isso soa-me a ‘dor de cotovelo’…olha que te fica mal.”
- “Achas? Estou a brincar! Nem o conheço direito…Foi só um comentário.”
- “A verdade é que perdeste o amor da tua vida.”
- “Lá isso…tens toda a razão. Ainda voltamos a tentar mas não resultou, como sabes.”
- “Há coisas que deixam marcas impossíveis ou difíceis de apagar. Que depois de feitas, destroem pilares importantes e imprescindíveis para sustentar qualquer relação.”
- “ Eu sei, eu sei. Por isso é que nunca mais voltarei a repetir o erro. Se bem que ‘nunca digas nunca’… Mas não quero voltar a ver ninguém sofrer como vi a ela. E tu bem sabes, estiveste sempre lá…”
- “Sim, foi bastante mau! Pelo menos sempre conseguiram manter a amizade. É um ponto positivo que nem sempre se consegue ganhar.”
- “É verdade! Ainda vamos falando. Internet, telemóvel. Quando dá ainda tomamos um café para pôr a conversa em dia. Soube admitir o que fiz, que mais poderia fazer? A razão não estava do meu lado e embora ela fosse tudo o que eu queria, não consegui que ultrapassasse o mal que lhe fiz.”
- “Eu até entendo…há tentações, momentos menos conscientes, fases mais frágeis, carentes…mas mesmo assim não é justificação…”
- “Mas eu não fiz nada, estava quietinho no meu lugar! A ‘gaja’ é que se atirou a mim e eu…”
- “ …e tu estavas a atravessar uma fase menos boa e blábláblá…nestas situações a culpa é sempre dos outros! E quieto não ficaste de certeza, caso contrário não teria acontecido.”
- “Pois é…pronto…falhei. Foram quase 6 anos juntos…mas agora [3 anos passados] estou bem, já não digo que a amo.”
- “Podes não amar mas foi o amor da tua vida.”
- “Sem dúvida.”

E é assim que as pessoas vão perdendo os seus amores: aqueles que os completam, que os fazem sorrir, chorar, que os fazem sentir especiais, importantes, únicos, mesmo naquelas alturas em que parece que mais ninguém no mundo se importa ou quer saber. Não interessa. Aquela pessoa estava sempre lá. Ontem, hoje, amanhã. O carinho, a atenção, a cumplicidade num gesto, numa troca de olhares, o “encaixe-mais-que-perfeito”.

Um dia um passo em falso, sem significado, mal medido, irracional, deita tudo por terra. Cai-se de um precipício para um abismo sem fim porque para trás fica o tal “amor da vida” que não se voltará a sentir em intensidade.

E este caso é apenas um exemplo de perda, que aqui exponho por ter surgido em conversa recente, porque há quem deixe “escapar entre os dedos” a 'tal' pessoa por motivos bem menores, incoerentes, diria até absurdos mas momentaneamente talvez incontroláveis...
...por orgulho.
...por teimosia.
...por imaturidade.
...porque aquele não é o 'momento certo' e “o que terá de ser nosso para nós, cedo ou tarde, voltará”. Será mesmo assim?

Há quem complique porque a sociedade “impingiu” a ideia de que tudo é complicado, portanto o que é simples não pode estar bem. É preciso complicar! Ou será que, na verdade, impingiu a "obrigatoriedade"de uma monogamia maioritariamente utópica?

De facto, o físico e/ou a mente têm impulsos e atitudes que as emoções do coração desconhecem. Uma questão que poderia ter divagações sem fim se, mais uma vez, tivesse tempo. Fica a curiosidade pessoalmente pouco compreendida… pela evidência cada vez mais significativa de casos reais que perdem, por um prazer instantâneo, uma vida de prazer permanecente.

quinta-feira, junho 25, 2009

Não há coincidênciais...ou será que há?

Coincidências. Há quem acredite, há quem não acredite. Mas afinal, o que é uma coincidência?

O prefixo "co" da palavra coincidência significa "junto" e incidência é sinónimo de acontecimento. Uma boa definição de coincidência pode ser:
"Repetição de dois ou mais eventos num contexto onde há múltiplas possibilidades".

É uma questão acerca da qual reflicto vezes sem conta. Se acredito ou não? São mais as vezes em que não acredito do que aquelas em que acredito. No fundo, acho que tudo tem uma explicação, uma razão de ser, um sustento. Mas para não entrar em grandes paranóias, deixo a complexa questão para os grandes pensadores, filósofos, estudiosos e cientistas...que provavelmente nunca encontrarão a tal verdade absoluta a que todos aspiram.

Isto porque quem mergulha demasiado na procura desta resposta corre o risco de se afogar... de acabar por entre aqueles que habitam sítios como o Magalhães Lemos e afins. Se os loucos são génios? Talvez muitos sejam. Se vêem mais para além do comum dos mortais? Sem dúvida... No entanto, prefiro continuar a fazer parte integrante dos "ignorantes mentalmente saudáveis" e só ir pensando nisto "de vez em quando". Chega-me assim.

"As coincidências não existem por muito que nos digam o contrário.

Poderemos ficar chocados, pasmados, perplexos com os acontecimentos e como as coisas se encaixam, mas tudo são nada mais nada menos que consequências dos nossos actos e pensamentos, que se manifestam naqueles que nos estão mais próximos.

Os amigos de verdade dão-nos estalos de lucidez, que nos acordam para a realidade das coisas mais lógicas e mais básicas que existem.

As coincidências não existem, são o conjunto de situações que a nossa vida cria e desenvolve e que provoca reacção, positiva ou negativa, junto daqueles que nos estão próximos.

Quando somos alertados, significa que deveremos ter cuidado com as nossas atitudes presentes e que estas poderão estar a provocar preocupação naqueles que nos são mais próximos.

A vida tem destas maravilhas transcendentais, que não sabemos explicar porque acontecem e como acontecem. Porém são maravilhas e que felizmente existem para nos fazer ganhar lucidez, coragem, força e determinação para uma vida que em muito se encontra perdida e sem pontos de referência.

Os amigos caminham no nosso transcendente, que acaba por ser o nosso mundo real e manifestam de forma simples o seu pensamento e o seu alerta.

Quiçá as coincidências sejam uma manifestação divina, de um mundo superior, ao qual não temos qualquer capacidade de enxergar, não temos capacidade ou por falta de vontade (?).

O que é certo é que se manifestam no momento em que estamos no nosso silêncio e no momento em que não acreditamos que possam acontecer. No momento em que as esperanças já não existem e que os problemas deixam de ter qualquer solução.

Coincidências, coincidências, coincidências. Dizem que o mundo está cheio delas, mas será (?) se elas não existem.

Caberá a cada um de nós fazer a sua reflexão e tirar as elações possíveis. Caberá a cada um de nós dar o entendimento devido e fazer uso se realmente contribuir para a melhoria da nossa vida, do nosso estado de espírito e do nosso ser como pessoa.

Poderei ter um discurso transcendental e crente demais, é certo, mas o Homem tem a tendência de viver nessa dimensão ou ilusão, chamem-lhe o que quiserem. Mas que vale a pena viver vale. Que vale a pena pensar sobre isso, também.

Às vezes, somos um pouco cotas na forma como pensamos e como agimos, queremos complicar o que é tão simples e depois surgem estas coisas ás quais chamam coincidências."

Por Manuel de Sousa

quinta-feira, maio 14, 2009

O fim de semana é teu...AGARRA-O!

Mais um grande anúncio da Super Bock... Não considero a música tão impactante como a anterior mas o cenário escolhido continua a ser perfeito: a linda e mágica cidade do Porto!

Perfect moments, perfect memories, perfect spots*

[e eu ainda por Lisboa...completamente ezaurida...tirem-me daqui!]

sábado, maio 09, 2009

As voltas que a vida dá

No dia 25 de Dezembro, por volta das 6h da tarde, pedi-te uma luz que me guiasse em direcção ao caminho certo. Sentia-me dividida entre o emocionalmente correcto e o racionalmente lógico. A verdade é que bastaram uns poucos dias para a encontrar.

No dia 2 de Maio voltei a falar contigo, eram umas 8h da manhã. Pedi-te o contrário do que tinha pedido há uns 5 meses atrás. Que apagasses a tal luz que na altura eu precisava desesperadamente de descobrir. Estava-me a ferir "os olhos do coração". Coincidentemente ou não, a verdade é que ela está a ficar fraquinha, fraquinha, fraquinha...está quase a fundir como as lâmpadas que compramos para os candeeiros que nos iluminam a casa à noite. Acabará por se extinguir.

Nunca pensei mas a verdade é que me tens feito bem. Quanto mais não seja por simplesmente poder falar livremente sem me interromperes ou julgares... Obrigada. Estou a sentir-me livre novamente. Estou outra vez a conseguir sorrir por estar a viver o momento e não apenas porque fica socialmente bem e bonito fazê-lo.

Continuo a ter pena que algumas pessoas vivam em função de um futuro que a ninguém pertence, agarradas a um passado que apenas nele devia ficar, acabando por se esquecerem do mais importante para serem verdadeiramente felizes: viver o presente.

Podias ter filmado o nosso sorriso em vez de o fotografares!...

segunda-feira, maio 04, 2009

"Estás aqui para ser feliz!"

Uma das melhores publicidades dos últimos tempos.

quinta-feira, abril 30, 2009

Momentos

- "O problema de hoje em dia, é que vivemos num mundo onde reina o analfabetismo sentimental. As pessoas sabem o que não querem mas não sabem o que querem.
Antigamente existiam mais regras e, por consequência, um caminho mais definido a seguir. Agora as opções de escolha são muito maiores e toda a gente se perde... Souberam abrir as portas à liberdade mas não souberam ensinar ninguém a lidar com ela nem a discipliná-la... E essa aprendizagem é tão longa e difícil que quando as pessoas olham para trás, para todo o percurso que tiveram de trilhar, apercebem-se que perderam demasiado tempo, demasiada vida e demasiadas oportunidades de serem felizes!"

- "Isso é mesmo lindo! E não me é nada estranho... Onde leste?"

- "Na minha cabeça!..."

Sim, eu penso. Sim, eu tenho inteligência. Não, não sou nem quero ser uma qualquer para ninguém, para o mundo e, principalmente, por mim própria...

terça-feira, março 10, 2009

I'm just a person on my own

"Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t’aime je t'adore

Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida"

[Donna Maria - Há amores assim]

De facto a música é uma arte capaz de tudo no que toca a emoções. Pode fazer-nos rir, chorar, recordar, criar saudade, nostalgia, felicidade, até mesmo raiva, ansiedade, frustração ou angústia... Consegue marcar uma vida, um momento, uma pessoa...um amigo, um amor, um desconhecido...

A música é poesia cantada; são palavras soltas pela voz que o poeta prende na escrita. São os sentimentos libertos pelo som que o poeta acorrenta nos livros.

Ando particularmente voltada para novas descobertas a este nível porque, realmente, há cada vez mais músicas que me tocam.

Já com saudades da pequena viagem que terminou ontem, aqui fica uma outra música a ela associada.

[SLYF]


quarta-feira, maio 21, 2008

Onde há fumo, há Sócrates

Por Ricardo Araújo Pereira

"Quando, há quinze dias, foi publicado um documento segundo o qual a ASAE tinha como objectivo efectuar 410 detenções só este ano, confesso que achei a meta muito ambiciosa. Mas agora que José Sócrates e Manuel Pinho foram apanhados a fumar num avião, suponho que já só faltem 408. Mais três ou quatro visitas oficiais e a ASAE pode meter férias em Junho. Sortudos. Além de saberem quais são os restaurantes menos badalhocos, ainda têm férias grandes. Quem me dera um emprego desses.
Como é evidente, a história do cigarro no avião deu polémica. Não era caso para menos: Sócrates foi visitar um dirigente sul-americano meio maluco, que manda fechar as estações de televisão que o criticam e chama Hitler a toda a gente, incluindo a pessoas com quem o primeiro-ministro tem boas relações. Até aqui, tudo bem. Mas põe-se a fumar a bordo? Realmente, é um escândalo. Para resolver o problema, Sócrates anunciou uma medida de grande alcance político: disse que ia deixar de fumar. Chamem-me cínico, mas parece-me que estamos na presença de mais uma promessa não cumprida. Se ele pretende cumprir as promessas por ordem, só deixará de fumar depois de criar os tais 150 mil empregos. A Tabaqueira bem pode continuar a enrolar cigarros, que não fica sem este cliente. Por outro lado, tendo em conta que, deixando de fumar, Sócrates viverá mais tempo, não sei se a medida será benéfica para o País. Nesse sentido, é possível que não seja uma promessa, mas sim uma ameaça.
Não se pense, contudo, que o caso é desprovido de significado político. Ser apanhado a fumar dentro de um avião foi das atitudes mais populares que José Sócrates já tomou. Conhecendo o povo português, será difícil encontrar alguém que não tenha passado a simpatizar mais com ele. O homem violou uma lei que ele mesmo inventou. O Sócrates, esse malandro, aprovou uma lei chata para os fumadores, mas o Sócrates, esse companheiro, transgrediu-a logo que pôde. O Sócrates, o nosso Sócrates, mostrou-lhes como é. Passou-lhes a perna. Se eles julgam que nos controlam, estão muito enganados. Bem podem fazer leis a proibir a malta: enquanto nós tivermos uma cortina para fumar à socapa, ninguém nos apanha. O primeiro-ministro José Sócrates é, no fundo, um tuga. Sabe-a toda, o bandido."

Fonte: Visão, 22/05/2008