"Life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right.
And life has a funny way of helping you out
when You think everything's gone wrong and everything blows up
In your face"
Numa das músicas de Rui Veloso pode ouvir-se: "já não há canções de amor por não haver quem acredite". Felizmente, creio que ele se enganou. E tristes aqueles que deixaram de acreditar!
["Porque é que eu gosto tanto de ti?" "Porque sim!" And I keep smiling...]
"Silêncio é… ausência." Ausência é e será… esquecimento.
"Cada um é como sabe ser." Uns dão a transparecer a alma, em troca outros dão a conhecer o que lhes convém.
"Derrubaste." Eu tive de derrubar... para me salvar!
Apesar do desagradável espanto … "Os sorrisos ficaram gravados em mim, na minha memória e no meu coração."
“O resto virá a seu tempo.” E realmente veio.
A letra de uma canção. Uma espécie de ode ao rompimento. O despedaçar de uma alma provocado pelo desaparecimento de alguém de quem se gosta mas que se teve de deixar partir, por não sermos mais capazes de “salvar” seja o que for. No final, a opção de nos “salvarmos” a nós próprios e caminharmos noutra direcção. Oposta à desse alguém que se perdeu.
O verso começado com "Did I ask for too much..." resume na perfeição um sentimento em “carne viva”, que parece às vezes ainda provocar um vento que nos derruba…
"And I can't be holding on To what you got When all you got is hurt"
As últimas palavras que lhe disse. Em silêncio.
"Is it getting better? Or do you feel the same? Will it make it easier on you now? You got someone to blame You say One love One life When it's one need In the night One love We get to share it Leaves you baby if you Don't care for it Did I disappoint you? Or leave a bad taste in your mouth? You act like you never had love And you want me to go without
Well it's Too late Tonight To drag the past out into the light We're one, but we're not the same We get to carry each other carry each other One
Have you come here for forgiveness? Have you come to raise the dead? Have you come here to play Jesus? To the lepers in your head
Did I ask too much? More than a lot. You gave me nothing, Now it's all I got
We're one But we're not the same See we Hurt each other Then we do it again You say Love is a temple Love a higher law Love is a temple Love is a higher law
You ask me to enter But then you make me crawl And I can't keep holding on To what you got When all you've got is hurt One love One blood One life You got to do what you should
One life With each other Sisters and my Brothers One life But we're not the same We get to Carry each other Carry each other
"Queimei os pequenos romances da colecção coração de ouro só restava o nosso sabias que não seria duradouro
Rodeei-me dos teus objectos favoritos agora já não me sinto tão culpada organizei o remorso não encontrei absolutamente nada
Um dia é provável que te volte a amar mas espero que nesse dia seja tarde demais"
A Naifa - Pequenos Romances
[Os milagres acontecem a horas incertas. Basta acreditar que haverá esse dia só nosso. No entretanto ir vivendo sem anseios ou procuras... Sorrir porque sorrimos, sorrir porque nos sorriem, sorrir por fazermos sorrir!]
"Vai minha tristeza E diz a ela que sem ela não pode ser Diz-lhe numa prece Que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade A realidade é que sem ela Não há paz não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim Não sai de mim Não sai
Mas, se ela voltar Se ela voltar que coisa linda! Que coisa louca! Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços Hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim, Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio De você viver sem mim Não quero mais esse negócio De você longe de mim Vamos deixar esse negócio De você viver sem mim"
Vinicius de Moraes
Já me diz a minha avó há muito tempo: não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe!
Com a fúria, o vento apagou aquelas pegadas que teimavam em tornar-se profundas - onde já só se vê e sente a areia escura e fria - soprando-as para outra praia, bem longe de mim. Quando acalmou, permitiu que outros passos mais leves e delicados pisassem este areal onde me deito. E agora vai soprando assim: terno e brando... "Chega de saudade!"
sexta-feira, maio 29, 2009
Não me apetece pensar muito nisto.
O sol brilha, os dias são agora longos e a mim só me apetece respirar estes momentos, sem conjecturas...aproveitar todos as oportunidades, todas as palavras, todas as partilhas, toda a magia que a natureza proporciona, enfim...
Viver o tal dia após dia e desfrutar cada pedacinho deste sorriso que trago no rosto, sentir este cheiro delicioso que me impregnou a pele e absorver o prazer que as manhãs me têm feito chegar através de uma alegre sonoridade.
Deixa estar assim. Por muito tempo. Pelo menos mais um pouco. Estou bem!
"Sou apenas um caminhante Que perdeu o medo de se perder. Estou certo de que sou imperfeito, Podem chamar-me louco, Podem gozar das minhas ideias, Não importa! O que importa é que sou um caminhante, Que vende sonhos aos transeuntes. Não tenho bússola nem agenda, Não tenho nada, mas tenho tudo. Sou apenas um caminhante Á procura de mim mesmo."
O meu "até já" sem data marcada resistiu uma semana. Este meu descontrolo literário deve ser pior do que a menopausa. E digo "deve ser" porque ainda não passei por ela para o afirmar com convicção. Um desopilar de um dia de trabalho, com vista para o pôr do sol, e umas gargalhadas preenchidas pela aragem fresca junto ao mar, trouxeram-me o motivo da "ressaca". Quis e quero enterrar, mas a terra que lhe serve de cobertura ainda é fresca. Precisa de morrer também!... Apesar de tudo, o meu sorriso tem sido mais forte do que o luto que faço deste vendedor de falsos sonhos...
"Enquanto não aceitarmos que a vida é difícil, e isso não é mau, não só não arranjamos estratégias e calma para vencer as dificuldades, como as aumentamos e arranjamos uma dificuldade maior. O que torna a vida ainda mais difícil do que é na realidade é pensar que ela devia ser fácil ou que alguém tem direito à facilidade. Mas a vida sem luta não é vida!"
Vou dar espaço às palavras para que possam respirar deste espaço onde as prendo. Vou dar espaço a mim mesma para respirar esta liberdade que possuo.
Dou a força que já não tenho e, depois de bem sugada, puxam o tapete onde me encontro para me matarem.
Um até já...
(até já quando?)
...talvez um até sempre,
talvez um volto já.
Não, não me vou perder. Ao contrário de muitos, sei que há caminho!
Só para a morte ainda não há solução.
"Não consigo dominar Este estado de ansiedade A pressa de chegar P'ra não chegar tarde
Não sei do que é qu eu fujo Será desta solidão Mas porque é que eu recuso Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar A quem eu me quero dar Porque até aqui eu só Quero quem, quem eu nunca vi Porque eu só quero quem Quem não conheci
Esta insatisfação Não consigo compreender Sempre esta sensação Que estou a perder
Tenho pressa de sair Quero sentir ao chegar Vontade de partir P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar A minha forma O meu lugar Porque até aqui eu só Estou bem aonde não estou Porque eu só quero ir Aonde não vou Porque eu só estou bem Aonde não estou"
"Deste modo ou daquele modo. Conforme calha ou não calha. Podendo às vezes dizer o que penso, E outras vezes dizendo-o mal e com misturas, Vou escrevendo os meus versos sem querer, Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos, Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse Como dar-me o sol de fora. Procuro dizer o que sinto Sem pensar em que o sinto. Procuro encostar as palavras à idéia E não precisar dum corredor Do pensamento para as palavras
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir. O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.
Procuro despir-me do que aprendi, Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem, Mas como quem sente a Natureza, e mais nada. E assim escrevo, ora bem ora mal, Ora acertando com o que quero dizer ora errando, Caindo aqui, levantando-me acolá, Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
Ainda assim, sou alguém. Sou o Descobridor da Natureza. Sou o Argonauta das sensações verdadeiras. Trago ao Universo um novo Universo Porque trago ao Universo ele-próprio.
Isto sinto e isto escrevo Perfeitamente sabedor e sem que não veja Que são cinco horas do amanhecer E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça Por cima do muro do horizonte, Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos Agarrando o cimo do muro Do horizonte cheio de montes baixos."
Alberto Caeiro
Há muitos momentos em que páro para pensar. Reflectir. Nos gestos. Nas palavras. Nas situações. No que fiz ou não fiz. No que disse ou não disse. E às vezes acontece-me obter a resposta certa: para quê perder tempo a pensar na vida, do que poderia ou não ter sido, do que é ou não é, do que poderá vir a ser ou não, se ao pensarmos estamos a perder vida?
As pessoas ainda não perceberam (e ao escrever "pessoas" auto incluo-me) que a vida é um mistério, difícil ou impossível de desvendar. Só temos que saber aceitar. Não há verdades absolutas, não há como apagar um passado ou ter a certeza de um futuro. O importante é mesmo viver o presente. É senti-lo. É respirá-lo. É registá-lo. É...Carpe Diem! O caminho não é em linha recta, o terreno não é plano e o GPS só funciona para os carros, portanto é encarar a realidade dos factos e seguir em frente, de sorriso no rosto, muitos sonhos na cabeça e muito amor no coração. Quem não quer, paciência. Quem não aceita, azar. Derrotados são aqueles que não sabem sonhar. São aqueles que em vez de desfrutarem os prazeres da vida, do mundo, da natureza e de tudo aquilo que foi criado para sentirmos, vermos, cheirarmos, tocarmos e ouvirmos, preferem ser mecânicos, cépticos, frios e tudo o mais que possa derivar destas palavras. São pessoas tristes, essa é que é essa. Acho que acordei novamente. Sim, de vez em quando acontece-me ficar "sedada". Quem nunca ficou?
Foi numa bela manhã que percebi...para quê? Para quê investir e perder a minha energia no que não vale a pena? No que não retribui? No que não me quer bem? No que faz de mim um ser invisível sem sequer ter remorços? A verdade, é que sou mais do que isso. Mereço bem mais. Quero ainda mais! A vida é curta, o mundo é grande e por descobrir ainda há muito!
“Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam, e certifique-se de que quando estão juntos aquele abraço vale mais que qualquer palavra…”
In “Não deixe de acreditar no amor” de Luís Fernando Veríssimo
Mais um grande anúncio da Super Bock... Não considero a música tão impactante como a anterior mas o cenário escolhido continua a ser perfeito: a linda e mágica cidade do Porto!
Perfect moments, perfect memories, perfect spots*
[e eu ainda por Lisboa...completamente ezaurida...tirem-me daqui!]
Alguém "ameaçou" abolir o meu blog... Pois bem, não só mas também por influência desse comentário [de alguém amigo com uma assiduidade que desconhecia] escrevo aqui hoje algo um pouco diferente. Algo curto e duro. A expressão verdadeiramente popular...
CAGUEI E ANDEI!
Agora?
Quero viver...e nunca ser cruel. Quero voar...e nunca aterrar. Quero viver a minha vida...e ter os amigos por perto.
Quero viver...e ser sempre verdadeira.
A minha alma não precisa de ser salva. E sim, eu peco todos dias.
Nunca mudamos, pois não? Nunca aprendemos, pois não?
Por isso eu quero viver na minha "cabana". Quero viver onde os amigos são fáceis de encontrar. Viver onde o sol se põe!...
FAMÍLIA e AMIGOS. Verdadeiros. O mais importante. O mais precioso. O que se deve preservar. Os que realmente nos amam. Os que nos querem bem. Muita coisa vem, muita coisa vai. Estes ficam sempre. O resto...é apenas isso: o "resto". Pedaços de nada. Pedaços que hoje deito fora e amanhã já esqueci. Pedaços sem valor. Pedaços sem sentido. Temos pena.
Ontem sorri. Hoje sorri. Amanhã continuarei a sorrir.
Vivo o presente...sem passado nem futuro!
Posto isto, brindo à família. Brindo aos amigos. "A nós, a quem gosta de nós e o resto...que se FODA!"
No dia 25 de Dezembro, por volta das 6h da tarde, pedi-te uma luz que me guiasse em direcção ao caminho certo. Sentia-me dividida entre o emocionalmente correcto e o racionalmente lógico. A verdade é que bastaram uns poucos dias para a encontrar.
No dia 2 de Maio voltei a falar contigo, eram umas 8h da manhã. Pedi-te o contrário do que tinha pedido há uns 5 meses atrás. Que apagasses a tal luz que na altura eu precisava desesperadamente de descobrir. Estava-me a ferir "os olhos do coração". Coincidentemente ou não, a verdade é que ela está a ficar fraquinha, fraquinha, fraquinha...está quase a fundir como as lâmpadas que compramos para os candeeiros que nos iluminam a casa à noite. Acabará por se extinguir.
Nunca pensei mas a verdade é que me tens feito bem. Quanto mais não seja por simplesmente poder falar livremente sem me interromperes ou julgares... Obrigada. Estou a sentir-me livre novamente. Estou outra vez a conseguir sorrir por estar a viver o momento e não apenas porque fica socialmente bem e bonito fazê-lo.
Continuo a ter pena que algumas pessoas vivam em função de um futuro que a ninguém pertence, agarradas a um passado que apenas nele devia ficar, acabando por se esquecerem do mais importante para serem verdadeiramente felizes: viver o presente.
Podias ter filmado o nosso sorriso em vez de o fotografares!...
"Estou que nem posso… Já não tenho idade para ir à queima à semana. Acho que a meio da noite me esqueci que já sou grande e que hoje é dia de trabalho e perdi a conta aos shots malucos que bebi. Estou sempre a dizer que sou miúda, que ainda sou uma criança, mas a verdade é que me senti bastante grande junto das pessoas com vinte e poucos anos com quem falei. Já nem coragem de cravar bebidas como se a minha vida dependesse desse feito, tenho. Ou de pedir shots e quando eles são servidos, baixar-me e desatar a correr para trás da barraca, como nos bons velhos tempos. Estou velha, é o que é. Apetece-me dizer a todas as pessoas que por lá andam “aproveita como se não houvesse amanhã porque esses são os melhores tempos da tua vida e passam tão depressa…”. Ou seja, aqueles discursos muita chatos que os cotas me diziam na minha altura e que não entendia. É verdade, a faculdade é o melhor tempo da vida de qualquer um… É com nostalgia que vejo aqueles olhares sem preocupações, como se nada tivesse consequências, nem motivo aparente para existir. Os namoricos, os exames, as chatices com as amigas, os copianços, as noites académicas em bares que não lembra a ninguém, os flirts, os profs, os sonhos, a semanada, o bar da faculdade, as jantaradas nas tascas manhosas,… Que saudades da única preocupação ser a de inventar alguma aldrabice aos cotas para justificar alguma cadeira ou ano perdido. Aqui, que ninguém me ouve, se fosse hoje acho que tinha perdido muitos e muitos anos e aproveitado ainda mais. Mais tempo. Mal se põe um pé fora da faculdade, com o canudo, ainda as últimas férias grandes estão a terminar e já os papás nos olham com outro olhar. O olhar das obrigações, das responsabilidades, do “bem-vindo ao mundo dos grandes”. Devia ter feito como muitos e dizer “afinal não era aquela a minha vocação, acho que me vou inscrever em filosofia” e continuar naquele mundo livre e boémio. É que, ou se faz isso logo de seguida, sem lhes dar tempo para pensar e nos dar aquelas boas-vindas, ou já não há escapatória possível. Agora, mesmo que quisesse não conseguia “abdicar” das responsabilidades e obrigações e voltar a estudar sem trabalhar. Infelizmente. Que raiva. Como disse uma vez uma pessoa que conheci e que já nem do nome me lembro, esses “são uns enganadores”. E quem me dera ser uma enganadora! Ser condecorada dux da faculdade, perder anos a fio na tuna e na comissão de praxe e o único horário a cumprir ser o do encontro no bar para matar uns finos, à tarde."
Tal como tu, minha querida amiga, partilho o mesmo sentimento. E daí ter feito um copy paste de empréstimo das tuas palavras. A passagem desta semana cria sempre aquela nostalgia devastadora, como se esse nosso tempo tivesse sido já noutra vida. Também me começo a sentir velha...não pelo espírito, pelas vontades, pelas atitudes. Mas pelas dores nas pernas, nos pés, na cabeça e até por esta conjuntivite, que quase parece ter surgido para me dizer "Pensas que ainda tens idade para estas coisas? Tem juízo!" Acho que até os shots me caem de outra forma no fígado...já não são bem para brindar à amizade, às asneiras "saudáveis", ao final de mais um ano lectivo, às festas, à boa vida, mas sim para conseguir olhar à minha volta e sentir que ainda consigo pertencer àquele mundo. Assim pelo menos salto. Canto. Danço. Sozinha ou com quem não conheço de parte nenhuma. Tiro fotos parvas. Sou capaz de reconhecer uma ou duas caras familiares que me dão umas borlas. E até sou ainda capaz de cair..."de tanto rir"...após dar uma cabeçada, no sentido literal da palavra. Vivi muito. Aproveitei ao máximo. Ou não. Lá está, é o desejo de querer sempre mais. Mais daquilo que não nos incute o peso insuportável das responsabilidades de ser adulto. Aquilo que já somos e teimamos em não querer ser. Ou mostrar. Mais do que a queima, sinto ainda mais a falta do cortejo. A esse não posso ir. Nunca mais. A sensação de passar a tribuna. Essa não voltarei a sentir. Nunca mais. A sensação de ser caloira. Essa só se tem uma vez na vida, tal como o sentimento de ser finalista. O traje. Odiava os sapatos, as meias que passava a vida a romper e a capa que pesava e fazia um calor sufocante nos dias mais quentes. Mas foi um orgulho. E a rodear tudo isto, os amigos. Aqueles que nos marcaram pelo convívio e partilha de momentos. Dessa "maralha", costumávamos nós dizer em linguagem académica, uns casaram, outros vivem longe e voltaram para casa, outros foram forçados a "desertar". Para poderem trabalhar! É...como dizem os "cotas"...é a vida! Tudo tem o seu tempo. Mas apesar de tudo, ainda temos mais um fim de semana e o dia a seguir para descansar o corpo...aquele que paga quando a cabeça não tem juízo. Bora queimar os últimos cartuchos?
[Desta vez não estive lá...vejo o vídeo e arrepio-me. Com as lágirmas nos olhos, sorrio. Já tive o privilégio de lá estar e viver tudo o que estas pessoas estão a viver! BIBA O QUIM!]
- "O problema de hoje em dia, é que vivemos num mundo onde reina o analfabetismo sentimental. As pessoas sabem o que não querem mas não sabem o que querem. Antigamente existiam mais regras e, por consequência, um caminho mais definido a seguir. Agora as opções de escolha são muito maiores e toda a gente se perde... Souberam abrir as portas à liberdade mas não souberam ensinar ninguém a lidar com ela nem a discipliná-la... E essa aprendizagem é tão longa e difícil que quando as pessoas olham para trás, para todo o percurso que tiveram de trilhar, apercebem-se que perderam demasiado tempo, demasiada vida e demasiadas oportunidades de serem felizes!"
- "Isso é mesmo lindo! E não me é nada estranho... Onde leste?"
- "Na minha cabeça!..."
Sim, eu penso. Sim, eu tenho inteligência. Não, não sou nem quero ser uma qualquer para ninguém, para o mundo e, principalmente, por mim própria...
Não sou uma seguidora assídua da série "Equador". Uma adaptação televisiva da obra de Miguel Sousa Tavares que não li.
Calhou assistir ao último episódio e, como acontece muitas vezes, em filmes, teatros, telenovelas, debates ou afins, há sempre uma ou outra frase que absorvo e anoto no meu bloco de palavras soltas.
Ela, desanimada, disse-lhe em tom de desabafo que aquela terra - S. Tomé e Príncipe - era tristeza. Perdeu o amor da vida dela e agora vive apaixonada pelo irmão. O próprio com quem acaba de desabafar. Ele respondeu-lhe qualquer coisa como "Equador...é com a dor..."
Nesse momento, "despertei". Valia a pena registar e tentar saber um pouco mais acerca de onde vinha aquela afirmação.
«equador: linha que divide a terra em hemisfério norte e sul. Linha simbólica de demarcação, de fronteira entre dois mundos. Possível contracção da expressão é com dor" ("é-cum-a-dor", em português antigo)
Estas palavras ecoam na minha cabeça. Será realmente com a dor que vivemos quando estamos apaixonados? Será esta uma regra sem excepção?
Acabei por descobrir outras frases interessantes da obra de Sousa Tavares que, muito provavelmente, terei de ler:
«Depois de as coisas acontecerem, é quase irresistível reflectir sobre o que teria sido a vida, se se tem feito diferente.»
«Não se encontra só o que se encontra, mas também o que se procura. Nós não somos folhas levadas pelo vento, não somos animais à deriva. Somos seres humanos, com uma vontade própria.»
«Não esperes nunca de mim que eu seja fiel a qualidades que não tenho. O que podes é contar com as que tenho, porque nessas não te falharei nunca.»
Equador é a linha que separa o mundo em dois. É a linha que divide o que deveria ser um só todo, em duas partes. Neste momento, há um Equador na minha vida. Um coração demarcado por um Eu e um Tu que o separa em dois mundos que se procuram mas se perdem...
Não fosses tu o meu sonho de menina e mulher, eu não te amaria tanto!...
A rádio por vezes - se não a maioria delas - deixa muito a desejar. Mas de vez em quando lá descubro umas preciosidades. Ontem, num dos meus "zappings" desesperados em busca de uma música que me aconchegasse os ouvidos, apaixonei-me!
Rock, pop, reggae, bossa nova, blues, chill-out...não interessa o estilo ou a língua em que é cantada. Desde que nos faça dançar, recordar, cantarolar, libertar emoções, tristes, alegres ou de nostalgia... A música é uma arte mágica e esta já faz parte dos meus registos.
"Taí Eu fiz tudo pra você gostar de mim Ó, meu bem Não faz assim comigo, não Você tem Você tem Que me dar seu coração
Meu amor, não posso esquecer... Se dá alegria, faz também sofrer A miha vida foi sempre assim Só chorando as mágoas que não tem fim
Essa história de gostar de alguém Já é mania que as pessoas têm Se me ajudasse Nosso Senhor Eu não pensaria mais no amor"
Na vida, no amor, na amizade, no trabalho ou em qualquer outra circunstância inerente a ela, temos duas opções: ou somos a regra ou tornamo-nos a excepção. Aqui a escolha não suscita dúvidas... temos de marcar os outros e o mundo através de uma diferença positiva.
A qualidade deste vídeo está péssima mas não encontrei outro melhor. Preferir mesmo, era a parte final deste filme, que transmite exactamente aquela mensagem que eu precisava de ouvir...embora já há muito a soubesse por mim própria...
"Ouvi dizer Que o nosso amor acabou Pois eu não tive a noção do seu fim Pelo que eu já tentei Eu não vou vê-lo em mim Se eu não tive a noção de ver nascer o homem
E ao que eu vejo Tudo foi para ti Uma estúpida canção que só eu ouvi E eu fiquei com tanto para dar E agora não vais achar nada bem Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizer Que o mundo acaba amanhã E eu tinha tantos planos p'ra depois Fui eu quem virou as páginas Na pressa de chegar até nós Sem tirar das palavras seu cruel sentido
Sobre a razão estar cega Resta-me apenas uma razão Um dia vais ser tu E um homem como tu Como eu não fui Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade esta deserta E alguém escreveu o teu nome em toda a parte Nas casas, nos carros, Nas pontes, nas ruas... Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura Ora amarga,ora doce Para nos lembrar que o amor é uma doenca Quando nele julgamos ver a nossa cura"
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
Fernando Pessoa