quarta-feira, janeiro 13, 2010

Ainda existem Príncipes Encantados

"A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura a paixão maior ou nos diz que nunca se sentiu assim. Nem a que se muda para nossa casa ao fim de três semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo. A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco. Tão simples quanto isto. Às vezes demasiado simples para as pessoas perceberem. O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.

Os verdadeiros 'Príncipes Encantados' não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo; levam-nos a comer um prego no prato porque sabem que no futuro nos vão levar à Tour d’Argent; ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração bem devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo pode apagar. Podem parecer menos empenhados ou sinceros do que os antecessores, mas aquilo a que chamamos hesitação ou timidez talvez seja apenas uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar.

O 'Príncipe Encantado' não é o namorado mais romântico do mundo que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol para os ombros a meio da noite para não nos constiparmos ou se levanta às três da manhã para nos fazer um chá de limão quando estamos com dores de garganta. Não é o que nos compra discos românticos e nos trauteia canções de amor no voice mail, é o que nos ouve falar de tudo, mesmo das coisas menos agradáveis. Não é o que diz 'Amo-te', mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre.

O Príncipe que sabe o que quer, não é o melhor namorado do mundo; não é o que olha todos os dias para nós, mas o que olha por nós todos os dias. O que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. O que quando está cansado fica em silêncio, mas nunca deixa de nos envolver com um sorriso. Não precisa de um carro bestial, basta-lhe uma música bestial para ouvir no carro. Pode ou não ter moto, mas tem quase sempre um cão. Gosta de ler e sai pouco à noite porque prefere ficar em casa a namorar e a ver o Zapping. Cozinha o básico, mas faz os melhores ovos mexidos do mundo e vai à padaria num feriado. O Príncipe é um Príncipe porque governa um reino, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e nos faz sentir que somos mesmo muito importantes.

Claro que com tantos sapos no mercado, bem vestidos, cheios de conversa e tiradas poéticas, como é que não nos enganamos? É fácil. Primeiro, é preciso aceitar que às vezes nos enganamos mesmo. E depois, é preciso acreditar que um dia podemos ter sorte. E como o melhor de estar vivo é saber que tudo muda, um dia muda tudo e ele aparece. Depois, é só deixa-lo ficar um dia atrás do outro... e se for mesmo ele, fica."

MRP

terça-feira, janeiro 12, 2010

A ordem é...

...viver a vida e impedir que ela viva por nós.

"Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

João Pereira Coutinho - Jornalista

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Bem-vindos ao ano 2010

Mesmo quando chega aquela altura do dia em que paramos para 'desligar o nosso motor', ele nunca chega a desligar totalmente. Sem perceber bem o porquê, dei por mim a pensar que tinha acabado de se fechar uma nova década. Estamos em 2010.

Vai daí lembrei-me que, quando era mais nova, achava muito engraçado e curioso os meus bisavós - que já cá não estão - terem nascido em datas tão longínquas e diferentes da minha. O meu bisavô era de 1905 e a minha bisavó de 1910. Isto fazia-me imaginar a quantidade de mudanças e evoluções pelas quais eles tinham tido o privilégio - ou não - de passar!

A partir deste ponto, a minha memória divagou e comecei a pensar que a história mundial que os meus filhos e netos irão aprender será bem mais extensa do que aquela que eu tive de aprender na escola. Nessa altura, eles provavelmente irão olhar para mim e ver-me como uma espécie de 'objecto de museu'. Nasci em 1981! Já serei (e sou) alguém que pertence a outro século que não será o deles. Chega a ser um bocado assustador, mas até tem a sua graça.

Divagação puxa divagação, acabei por chegar à conclusão que esta última década (2000-2010) não teve nada de marcante. Todos sabemos o que revolucionou os anos 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 90. Todas estas épocas tiveram a sua força na história. Mas então e estes últimos 10 anos? O que é que esta entrada num novo milénio trouxe de importante às pessoas?

A música vive de influências do passado. A dança e a moda também. Até mesmo a política. Os estilos, géneros e atitudes são sempre influenciados por alguma coisa que marcou décadas anteriores. Mas não houve nada, entre o ano 2000 e o 'hoje', de extremamente revolucionário ao ponto de, no futuro, poder servir de influência para algum sector.

No geral, as pessoas andam perdidas. Andam 'por aí'. Deixam-se levar pela vida sem saberem muito bem para onde nem porquê, numa espécie de automatização mecânica. Os valores e princípios são cada vez menos, talvez porque muitos já nasçam sem saber o que realmente significam. Ouvem falar neles mas não ligam. Sabem que existem, mas não se preocupam. A inocência perde-se cedo e o caminho, que antigamente fazia-se questão de delinear, passou a ser uma montanha russa de alta velocidade, cheia de loopings, sem fim nem sentido.

Confesso que foi um momento de 'desligar o motor' um pouco inquietante. Terminei-o com a única conclusão, à primeira vista, viável: esta última década define-se com conceitos tenebrosos... crise, terrorismo e depressão.

Haverá uma reviravolta?

quinta-feira, dezembro 31, 2009

terça-feira, dezembro 29, 2009

Expectativa: "Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas."

Será a culpa das expectativas?

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Ficar nos teus braços, fixar o teu ar, não afastes os teus olhos dos meus!

Quando dormes
E te esqueces
O que vês?
Tu quem és?

Quando eu voltar
O que vais dizer?
Vou sentar
No meu lugar

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Isolar para sempre este tempo
É tudo o que tenho para dar

Quando acordas
Por quem chamas tu?
Vou esperar
Eu vou ficar

Nos teus braços
Eu vou conseguir fixar
O teu ar
A tua surpresa

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Eu vou agarrar este tempo
E nunca mais largar

Adeus, não afastes os teus braços dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou conseguir pará-lo

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou conseguir pará-lo
Eu vou conseguir pará-lo
Eu vou conseguir ficar.

Lyrics by David Fonseca

domingo, dezembro 27, 2009

O mundo centra-se no seu todo e não nas suas partes.
E eu sou apenas uma parte, dessas mesmas partes.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Lovers never lose

"Gosto dos instantes em que sentimos que nos podemos apaixonar por aquela pessoa que conhecemos há 30 segundos, há seis meses ou há um ano e com quem intuímos desde o primeiro instante uma espécie de construção do mundo anterior à nossa própria existência, como se em uma qualquer encarnação anterior já tivessemos sido alguma coisa um ao outro - marido e mulher, irmão ou irmã, tanto faz -, provocando uma imediata sensação de bem-estar que nos faz sentir em casa.

A sensação de familiaridade instantânea é um dos primeiros passos para a verdadeira intimidade, embora quase nunca se chegue tão longe. Isto porque entre os instantes mágicos que fazem de um serão de conversa uma noite perfeita, e o que se pode, ou não, contruir a seguir, vai uma distância sempre impossível de prever. A construção de um caso que pode vir a tornar-se uma história de amor tem muito de alquímico e pouco de entendível: ou há click, ou não há, ou no dia seguinte nós acordamos e sentimos 'é isto que eu quero', ou então ficamos sem saber o que pensar até que a vida se encarrega de arrumar as peças do puzzle e pôr tudo no seu devido lugar. Ainda assim, o tal click também nos pode enganar: às vezes desejamos tanto apaixonar-nos que o nosso subconsciente força esse click; outra vezes temos tanto medo de nos entregarmos, que tapamos os ouvidos para não o escutar. O que há mais para aí são corações partidos, com lesões invisíveis que nenhum cirurgião cardio-toráxico pode curar. Só o tempo e grandes doses de amor continuadas conseguem apagar as lesões mais profundas.

Depois do click, ou do desclick, o melhor é guardar para sempre esse momentos únicos e relembrá-los sempre que isso nos traz alegria, ou arrumá-los numa gaveta ordeira da memória se nos perturbam. Em tempos chamei-lhe guardar a doçura, mas depois enjoei-me do substantivo para sempre, e do adjectivo então é melhor nem falar - sempre que alguém me diz que sou uma pessoa muito doce, dá-me logo vontade de pegar numa G3 e de me transformar num mercenário em causa própria. Por isso, agora uso apenas o verbo guardar, de mãos dadas com o verbo ganhar, porque acredito que tudo o que se vive em paz e de coração aberto é sempre uma mais-valia, mesmo que o desfecho não seja aquele com que sonhámos.

Incorrendo na prática pirosa da auto-citação, regresso às páginas do meu último romance, onde escrevi: «Uma das melhores coisas da vida é que ela muda. Nem sempre muda quando queremos ou desejamos, mas muda». Há muito que aprendi a aceitar que a realidade é evolutiva; o que é verdade hoje pode não o ser amanhã. Assim, há clicks que anunciam um amor homérico, o qual mais tarde se transforma em pó, cinzas e nadas, e outros, mais tímidos, que se vão repetindo até se transformarem numa grande história de amor.

Gosto de acreditar que entre projecções, sonhos e desejos, entre clicks enganadores e desclicks trapalhões, há os abençoados, os que duram para sempre."

MRP In Sol, 27/11/2009 [poderia, mais uma vez, ter sido uma PTP!]

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Egoísta…não sei, não sei…não quero…será, não será…consome-me ser, não ser, não saber, querer, não querer, pensar, não pensar, expressar, não expressar…o egoísmo é a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento das demais pessoas com quem se relaciona. Não, não posso, não é!

Este conflito de emoções, um turbilhão, em ciclone, redemoinha. É bom, será fantástico, uma aventura, uma magia de cores, luz e acção. A tua mente imagina, antecipa, os olhos brilham e o sorriso rasga-se, liberta-se a adrenalina!

Disfarçar, enfrentar, racionalizar, queres partilhar o sorriso ansioso, adornar o brilho expelido, inspiras, expiras, suspiras, contorces, apertas, queres calar o coração e, contra toda a batalha que travas, ele grita ainda mais alto! O rosto inexpressivo, adormecido, incolor, que continua a lutar, a contrariar, a impugnar. Depois revolta-se, enfurece-se, entristece-se, enraivece-se, expele emoções confusas, dúbias, insondáveis, inexplicáveis, indizíveis.

A teoria é sempre tão simples mas quase sempre impraticável. Não é egoísmo, é um querer inato, um desejo fetiche, uma vontade brutesca de querer partilhar o que não vai ser partilhado.

O coração palpita, a respiração acelera, sem controlo, sem sentido, num caminho sem rumo, desnorteada, desvairada. O olhar deambula, sem a luz que quer dar e não é capaz, num tormento grotesco que a razão silencia violentamente, em esforço, num impulso firme e resistente que dói, que amargura, a psicalgia!

A mente, racional, consciente, sabe que todo este egoísmo não egoísta é fútil, dotado de insignificância futura porque hoje é sempre o primeiro dia do resto da tua vida!...

quarta-feira, dezembro 09, 2009

TRE METRI SOPRA IL CIELO


"Bisogna stare molto attenti a quello che ci circonda, perché a volte improvvisamente qualcosa zucchera la nostra giornata! Questa che state per sentire non è una canzone, è la voce della neve che si scioglie in acqua pura!"

"Sapete qual è la cosa a cui si dedicano più canzoni? Esatto fratellini, l'amore. Bello, brutto, triste, allegro, forte, debole, sexy, casto, porno, violento, sognato, dimenticato, violato, antico, moderno... Fm 107,3 radio caos, love is all you need."

"E tutto quello che devi fare è metterti le cuffie... sdraiarti per terra e ascoltare il cd della tua vita… traccia dopo traccia… nessuna è andata persa… tutte sono state vissute e tutte, in un modo o nell'altro, servono ad andare avanti… non pentirti, non giudicarti, sei quello che sei e non c'è niente di meglio al mondo. Pause, rewind, play ancora e ancora e ancora, non spegnere mai il tuo campionatore... continua a registrare, a mettere insieme i suoni per riempire il caos che hai dentro… e se scenderà una lacrima quando le ascolti… beh… non avere paura… è come la lacrima di un fan che ascolta la sua canzone preferita."

LAMB

I can fly
But I want his wings
I can shine even in the darkness
But I crave the light that he brings
Revel in the songs that he sings
My angel Gabriel

I can love
But I need his heart
I am strong even on my own
But from him I never want to part
He's been there since the very start
My angel Gabriel
My angel Gabriel

Bless the day he came to be
Angel's wings carried him to me
Heavenly
I can fly
But I want his wings
I can shine even in the darkness
But I crave the light that he brings
Revel in the songs that he sings
My angel Gabriel

quinta-feira, novembro 26, 2009

O essencial é invisível aos olhos


"E foi então que apareceu a raposa :

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu o príncipezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.

- Estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? Perguntou o príncipezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Anda brincar comigo, propôs o príncipezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.

- Ah! Desculpa, disse o príncipezinho. Mas, após uma reflexão, acrescentou:

- O que significa «cativar»?

- Tu não deves ser daqui, disse a raposa. O que procuras?

- Procuro os Homens, disse o príncipezinho. Que quer dizer «cativar»?

- Os Homens, disse a raposa, têm espingardas e caçam. É uma maçada! Também criam galinhas. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o príncipezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer «cativar»?

- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa «criar laços»...

- Criar laços?

- Exactamente, disse a raposa. Por enquanto, para mim não passas de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no Mundo. E eu serei única no Mundo para ti.

- Começo a compreender, disse o príncipezinho. Existe uma flor... Eu acho que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! Não foi na Terra, disse o príncipezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Noutro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta ?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas voltou à mesma idéia.

- Levo uma vida monótona. Eu caço galinhas e os Homens caçam-me a mim. Todas as galinhas são iguais e todos os Homens são iguais. Por isso aborreço-me um pouco. Mas, se tu me cativares, será como se o Sol iluminasse a minha vida. Distinguirei de todos os passos, um novo ruído de passos. Os outros passos fazem-me esconder debaixo da terra. Os teus hão-de atrair-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Vês lá adiante os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E é triste. Mas os teus cabelos são cor de ouro. Por isso, quando me tiveres cativado, vai ser maravilhoso. Como o trigo é dourado, fará lembrar-me de ti. E hei-de amar o barulho do vento através do trigo...

A raposa calou-se e olhou durante muito tempo para o principezinho.

- Por favor... Cativa-me! Disse ela.

- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer outras coisas.

- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os Homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os Homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.

- Como é que hei-de fazer? disse o principezinho.

- Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo cantinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto...

No dia seguinte o príncipezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, eu começarei a ser feliz a partir das três. Quanto mais a hora se aproximar, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, eu nunca saberei a que horas devo preparar o coração... São preciso rituais.

- O que é um ritual ? Perguntou o príncipezinho.

- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um ritual. À quinta feira vão ao baile com as raparigas da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Posso ir passear até às vinhas. Se os caçadores dançassem a qualquer dia, os dias seriam todos iguais e eu não teria férias!

Foi assim que o príncipezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da despedida, a raposa disse:

- Ai! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o príncipezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Pois quis, disse a raposa.

- Mas agora tu vais chorar! disse o príncipezinho.

- Pois vou, disse a raposa.

- Então, não ganhaste nada com isto!

- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...

Depois acrescentou:

- Vai rever as rosas. Vais perceber que a tua é a única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.

O príncipezinho lá foi rever as rosas.

- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada. Ainda ninguém vos cativou, nem vocês cativaram ninguém. Vocês são como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo e, agora, ela é única no mundo.

E as rosas ficaram incomodadas.

- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho, - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, ela é mais importante que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei. Foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o biombo. Foi por ela que eu matei as larvas (excepto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. É a minha rosa.

E então voltou para o pé da raposa:

- Adeus, disse ele.

- Adeus, disse a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

O essencial é invisível aos olhos, repetiu o príncipezinho, para nunca mais se esquecer.

- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que a tornou tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o príncipezinho, para nunca mais se esquecer.

- Os Homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o príncipezinho, para nunca mais se esquecer."

In “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, novembro 23, 2009

"Isto é para ti", estendeu o braço e pousou na minha mesa uma espécie de "teaser" à nova obra da Margarida Rebelo Pinto, intitulada "O dia em que te esqueci".

A amiga que teve este gesto tem uma escrita mais ao estilo MEC mas, embora eu goste de vários estilos literários, incluindo aquele em que o MEC se encaixa, sou mais uma colagem da MRP.

Não fosse ela ser mais velha e ter entrado neste mundo mais cedo, e talvez eu pudesse ser uma MRP, com um género de escrita entre o emocional "lamechas" e o racional "com a experiência se aprende". Duvido que existam mulheres que, de uma forma ou de outra, não se revejam nas histórias que ela narra e, se as há, devem ser numa percentagem (muito) pouco significativa.

A minha próxima aquisição para leitura: "O dia em que te esqueci", o dia que existe na vida de todo o comum mortal. Toda a gente já teve que, um dia, esquecer alguém. Um alguém amigo, um alguém amor, por circunstâncias da vida, com ou sem ironia.

Nesta pequena amostra do conteúdo da nova obra da MRP pode ler-se "Tu foste a minha grande aposta e a minha maior decepção", existem sempre sonhos derrubados pela própria ilusão inerente a eles. Parece-me um facto dificilmente contornável.

"...foi preciso cair e levantar-me ainda algumas vezes até chegar onde me encontro agora, um território de paz e de tranquilidade jamais alcançado e do qual espero não voltar a sair." Já diz alguém - eu mesma - que "faz parte"!... A vida é um processo evolutivo e são estas quedas que nos ajudam a "ser grandes para sermos inteiros". Como haveríamos nós - seres humanos - de aprender e, consequentemente, crescer? Não existe caminho para a felicidade que não envolva acidentes de percurso.

"Lembro-me que no final desse verão virei mais uma página da minha vida. Acordava desfeita, respirava fundo, olhava para o mar, que me acenava, imenso e perfeito da janela, e pensava: tenho de mudar, tenho de aprender com isto, a vida é mais do que sofrimento, angústia, espera e vazio, tenho de aprender a viver outra vez, de uma maneira diferente, que não me faça sofrer tanto. E fui aprendendo, muito devagar, a cada dia que passava, da mesma forma que vou aprendendo ainda hoje." Curioso como este resumo tem excertos que se encaixam na perfeição em diferentes alturas e experiências da minha vida. Deve ser por isso que as palavras dela "assentam em mim como uma luva".

"Agora vivo diariamente momentos de enorme felicidade e de profundo entendimento com tudo o que me rodeia porque sei que estou a viver uma segunda oportunidade (...) Há mais no mundo para ver e para amar (...) Umas das melhores coisas da vida é que ela muda. Nem sempre muda quando queremos ou como desejamos, mas muda. E no meu caso, porque sou uma pessoa abençoada, muda para melhor. Pelo menos acredito que assim é. E o mais importante não é aquilo que vivemos, mas aquilo em que acreditamos."

Pode ainda ler-se que esta obra é dedicada a "todas as mulheres que viveram um grande amor" e a "todos os homens que o perderam". Eu não o vivi (pretérito passado) mas sei que certamente houve quem o perdesse.

Se o destino assim o quis, foi porque algo de melhor me esperava. E dúvidas disso, não me restam nenhumas. Os meus desejos de menina-no-país-das-maravilhas vieram, sem pré-aviso, sem data nem hora marcada, cair-me nos braços. Hoje sorrio por mim para ti e para mim por ti!

domingo, novembro 15, 2009

A fomentação do Q.E. é urgente!

Segundo Goleman, "a chave para tomar boas decisões pessoais é ouvir os sentimentos". Sabem o que é a Inteligência Emocional? Sabem o que é o Q.E. e a sua importância nas nossas vidas enquanto seres humanos individuais e sociais? No seu livro, a que deu exactamente o nome de 'Inteligência Emocional', Goleman explica-nos tudo.

A base de uma Inteligência Emocional é a autoconsciência; o reconhecimento de um sentimento no exacto momento em que ele ocorre, porque é esse mesmo sentimento que, muitas vezes, se torna crucial numa emergente tomada de decisão.

Identificar as nossas próprias emoções e saber como e quando elas se manifestam é a chave do autocontrolo e é quem melhor discerne e controla os seus sentimentos quem tem uma vida emocional mais equilibrada.

Depois de sabermos identificar as nossas emoções e de sabermos como é que elas ocorrem, é necessário sabermos como lidar com elas. Controlar os sentimentos é fundamental para conseguirmos ter uma vida pacífica, harmoniosa e com sucessos. Famílias, amizades e carreiras profissionais são, muitas vezes, arruinadas por falta deste mesmo controlo emocional.

Reconhecer as emoções daqueles que nos rodeiam também é essencial, e a empatia é a ferramenta principal para termos sucesso nas nossas relações pessoais. Quando tentamos compreender as acções e as reacções das pessoas estamos a abrir caminho para o diálogo e para o entendimento. A empatia é alimentada precisamente pelo nosso autoconhecimento: quanto mais conscientes estivermos dos nossos próprios sentimentos mais facilmente poderemos entender os sentimentos dos outros.

Quando conseguimos compreender os sentimentos dos outros, precisamos de aprender a lidar com eles. Sabermos como agir e como nos comportar em determinadas situações é o que diferencia os sábios dos leigos neste tão vasto campo da Inteligência Emocional. O analfabetismo emocional é quase como 'conduzir um carro no centro de uma cidade movimentada sem saber interpretar os sinais de trânsito'. No mínimo, o condutor vai-se envolver ou causar vários acidentes. Sabermos o momento de prosseguir, o momento de parar e respeitar os limites de velocidade pode-nos garantir uma viagem tranquila e segura. Na viagem da vida, sabermos interpretar e agir correctamente perante os muitos e diversos tipos de sinais que as pessoas nos emitem, pode-nos assegurar relacionamentos saudáveis e duradouros, evitando assim muitos prejuízos e acidentes 'fatais'.

No fundo, ter um bom Q.E. significa termos um equilíbrio e não uma supressão dos sentimentos, pois todos eles têm o seu devido valor e significado. Há sentimentos que desestabilizam emocionalmente as pessoas - como por exemplo a raiva, a ansiedade ou a melancolia - e a chave para o nosso bem-estar emocional está no controlo destas mesmas emoções.

Muitas vezes as pessoas questionam-se: "Porque é que alguns parecem ter um dom especial que lhes permite viver bem, apesar de não serem os mais inteligentes? Porque é que nem sempre o aluno mais inteligente da turma acaba por ser o que tem mais êxito? Porque é que algumas pessoas têm mais capacidades do que outras para enfrentar contratempos, superar obstáculos e ver as dificuldades sob uma perspectiva diferente?'

A nossa concepção da inteligência humana é estreita e não tem em consideração uma ampla gama de capacidades que são essenciais para vivermos bem e alcançarmos um desenvolvimento integral enquanto seres humanos. A inteligência emocional é uma forma de nos relacionarmos com os outros e com tudo o que nos rodeia, englobando aptidões como o controlo de impulsos, a motivação, a perseverança, a empatia ou a agilidade mental, que moldam traços do nosso carácter essenciais para trilharmos o 'nosso' caminho rumo aos 'nossos' sonhos...

segunda-feira, novembro 02, 2009

Navegar é preciso!


'As pessoas grandes gostam de números. Quando vocês lhes falam de um amigo novo, as suas perguntas nunca vão ao essencial. Nunca vos perguntam: "Como é a voz dele? De que brincadeiras é que ele gosta mais? Ele faz colecção de borboletas?" Mas: "Que idade é que ele tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?" Só assim é que pensam ficar a conhecê-lo. Se vocês disserem às pessoas grandes: "Hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombos no telhado...", as pessoas grandes não a conseguem imaginar. É preciso dizer-lhes: "Hoje vi uma casa que custou vinte mil contos." Então, já são capazes de exclamar: "Mas que linda casa!"

Assim, se lhes disserem: "A prova de que o principezinho existiu é que ele era encantador, é que ele se ria e queria uma ovelha. Querer uma ovelha é a prova de que existe", as pessoas grandes enoolhem os ombros e chamam-vos crianças! Mas se lhes disserem: "O planeta de onde ele vinha era o asteróide B612", as pessoas grandes ficam logo convencidas e não se põem a fazer mais perguntas. As pessoas grandes são assim. Não vale a pena zangarmo-nos com elas. As crianças têm de ser muito indulgentes para as pessoas grandes.

Mas nós, nós que entendemos a vida, claro que nos estamos bem nas tintas para os números! Eu gostava era de ter começado esta história como um conto de fadas. Assim:
"Era uma vez um principezinho que vivia num planeta pouco maior do que ele e precisava de um amigo..." Para quem entende a vida, era de certeza um começo bem mais verosímil.

Porque eu não gostava que este livro fosse lido levianamente. Custa-me tanto lembrar estas coisas! O meu amigo já se foi embora há seis anos com a sua ovelha. Se o tento descrever, é só para não me esquecer dele. É tão triste esquecermo-nos de um amigo! Nem toda a gente teve um amigo na vida! E depois, posso ficar como as pessoas grandes que já não se interessam senão por números. Foi também por isso que comprei uma caixa de tintas e lápis. E custa um bocado começar a desenhar na minha idade, ainda por cima quando as duas únicas tentativas anteriores, a da jibóia fechada e a da jibóia aberta, foram feitas aos seis anos!

Claro que vou tentar fazer retratos o mais parecidos possível. Mas não tenho a certeza de conseguir. Tão depressa um desenho me sai parecido como outro, logo a seguir, não se parece nada. Também me engano no tamanho. Nuns, o principezinho fica grande demais. Noutros, pequeno demais. Também já não sei muito bem qual era a cor do fato dele. O único remédio é ir tentando, é ir por aproximações. Mas vou-me enganar de certeza nalguns pormenores mais importantes. Mas, para isso, não há remédio: vocês é que terão de me perdoar. O meu amigo nunca explicava nada. Talvez pensasse que eu era igual a ele. Infelizmente, eu não sei ver ovelhas através de caixas. Talvez esteja um bocado parecido com as pessoas grandes. Devo ter envelhecido.'

In "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, outubro 28, 2009

Não deixes um prazer de hoje para um amanhã que pode não existir

Para não variar, apetece-me divagar. Pegar no famoso arranque de histórias "Era uma vez" e deixar as palavras seguirem o rumo que elas quiserem, com ou sem direcção provida de sentido.

Era uma vez uma flor que não gostava das suas pétalas...
Era uma vez uma pérola cujo brilho o mar turvo ofuscou...
Era uma vez uma estrela que se sentia triste porque a sua luz era apenas mais uma no meio de tantas outras que preenchem o universo...

Um dia o vento soprou, afastando as nuvens que encobriam o céu, e os raios de sol devolveram vivacidade à cor das pétalas da flor que não gostava delas. As borboletas que por ali passeavam, sentindo-se atraídas pela sua beleza, iam pousando na sua superfície. Batendo elegantemente as suas asas, mimavam-na, antes de partirem novamente para destino incerto. Foi assim que a flor voltou a sorrir e a dar valor às pétalas que antes renegava.

Depois de afastar as nuvens, o vento repousou. As marés do oceano recuperaram a sua calmia e as areias do seu fundo deixaram de revolver. O reflexo do sol permitiu à água do mar que cintilasse e foi toda esta pureza que devolveu à pérola o seu brilho. Desta vez, era a intensidade que emanava que ofuscava todos os seres marítimos que dela se tentavam aproximar...mas de fascínio!

Quando o sol se pôs, dando o lugar à lua para iluminar o mundo, todas as estrelas que povoam o céu encheram o olho de quem parava para as admirar. A quem não encanta um cenário estrelado? No entanto, alguém cá em baixo parou e olhou para a estrela que se sentia triste, por achar ser apenas mais uma. Por instantes ela ainda hesitou. Aquele olhar poderia estar a dirigir-se noutra direcção que lhe parecia, de forma equívoca, ser a dela. Mas foi então que, entretanto, esse alguém sorriu-lhe. No meio das milhares de estrelas que a rodeavam, foi a sua luz que prendeu a atenção desse alguém, que passou o resto da noite a observá-la, de sorriso no rosto e brilho no olhar. Ela sorriu-lhe também e, a partir daí, a sua luz passou a ser o destaque do estrelato...porque, em cada noite, aquele alguém parava lá em baixo, só para a contemplar.

Um dia, as nuvens que o vento afastou poderão regressar e encobrir novamente o sol; o azul do céu; o azul do mar; a cor das pétalas. Os grãos de areia poderão voltar a remexer num turbilhão roubando outra vez o brilho da pérola que habita a profundeza das águas. Da mesma forma, também a tal pessoa que admira a estrela poderá um dia esquecer-se de aparecer. Ou ter algum imprevisto. Ou não conseguir sorrir-lhe porque as nuvens a escondem. Ou até mesmo ser cativado pela luz de outra estrela, deixando assim cair no esquecimento a outra de sempre, que regressará à sua anterior solidão.

Mas isto é apenas um 'se'. É um 'pode ser que'. Hoje a flor, a pérola e a estrela reencontraram a felicidade. O segredo está em absorvê-la, segundo a segundo, sem antecipar problemas que não passam de meras suposições. O segredo está em aproveitar as oportunidades que a vida oferece no exacto momento em que as oferece, sem medo do futuro, agarrando o prazer do imediato. Os frutos devem ser colhidos hoje, porque amanhã poderão já estar consumidos pela corrosão do tempo.

É o eterno lema do 'Carpe Diem' que, um dia, Horácio imortalizou...

'Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.'

[Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, é proibido saber, o fim que os deuses
nos dará...]

sexta-feira, outubro 23, 2009

Entretenimentos patetas de uma sexta-feira à tarde chuvosa

Segundo o mapa astral...

Como eu amo:
Patrícia tem Vénus em Leão, o que sugere uma pessoa com gestos afectivos amplos, nobres e generosos. Quando se apaixona não poupa esforços para demonstrar o amor que sente pelo outro. Obviamente este posicionamento não é necessariamente realista: a pessoa costuma ser dramática, como se o amor que sentisse se assemelhasse a um filme de cinema. Mas uma coisa é garantida: não há como se entediar com uma pessoa capaz de revestir o quotidiano com tanta cor!

Vantagem:
Se receber o amplo amor de Patrícia, prepare-se para se tornar quase uma divindade. O ser amado, para quem tem Vénus em Leão, é quase um deus!

Desvantagem:
Vénus em Leão costuma ser um aspecto que sugere uma pessoa que apresenta uma certa dificuldade em ver o outro lado numa relação. Costuma sugerir um certo egocentrismo, que melhora com a maturidade.

Como lidar:
Conquistar uma pessoa de Vénus em Leão não é muito complicado. Elogiar é essencial e as críticas devem ser feitas com extremo cuidado.

Possíveis presentes ideais:
Porta-retratos, perfumes caros, roupas de marca, um fim de semana na praia, uma máquina fotográfica digital, uma faixa imensa com dizeres maravilhosos no meio da rua.

O pior que se pode fazer:
Criticar Patrícia em excesso. Tente. Verá a magia do desaparecimento em dez minutos.

terça-feira, outubro 20, 2009

Confronto de excertos

'Eu sou obsessivo,
Eu sou maníaco,
Eu sou normal,
Eu sou tudo aquilo que ninguém quer ser!

Eu sou compulsivo,
Egoísta,
Angustiado,
A um passo de enlouquecer!

Eu sou louco,
Eu sou normal,
Eu sou calmo,
Eu bato mal!

Ninguém tem mais complexos do que eu…'



'Faço teus os meus ouvidos
E rasgo-me em sorrisos,
Mas por dentro eu rego os meus narcisos
Enquanto tu estás vestida de avisos.
E eu pergunto
Quantos momentos platónicos serão precisos
Para te convencer que no fundo te amo mesmo
Quando na verdade ambos amamos o mesmo.

Só finjo quando sinto
Se quiseres vira-me do avesso
Só sou sincero quando minto
É esse o meu preço.

Dá-me um sorriso cínico e eu carrego as sobrancelhas,
Só sou sincero quando minto.
Dá-me um olhar vazio e eu aumento as olheiras,
Só sou sincero quando minto...'

segunda-feira, outubro 12, 2009

Só porque um dia, por acaso, talvez!

O meu amor por ti,
Meu bem, minha saudade,
Ampliou-se até Deus,
Os astros alcançou.
Beijo o rochedo e a flor,
A noite e a claridade.
São estes, sobre o mundo,
Os beijos que te dou.

Todo eu fico a cismar
Na louca voz do vento,
Na atitude serena
E estranha duma serra;
No delírio do mar,
Na paz do Firmamento
E na nuvem, que estende
As asas, sobre a terra.
Todo eu medito e cismo.
Um vago e etéreo laço
Prende-me ao teu imendo
E livre coração,
Que abrange o mundo inteiro
E ocupa todo o espaço,
E que vai povoar
A minha solidão.

Por isso, eu vivo sempre,
Em doce companhia,
Com o pobre que pede
E a estrela que fulgura;
E, assim, a minha alma,
Igual à luz do dia
Derrama-se, no céu,
Em ondas de ternura.
Sou como a chuva e o vento
E a sombra duma cruz!
Lira, que a mais suave
Aragem faz vibrar.
Água que, ao luar brando,
Em nuvens se traduz;
Fruto que amadurece,
À luz dum claro olhar.

Vivo a vida infinita,
Eterna, esplendorosa.
Sou neblina, sou ave,
Estrela, Azul sem fim,
Só porque, um dia, tu,
Mulher misteriosa,
Por acaso, talvez,
Olhaste para mim.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Objectiva e sucintamente

Trilho caminho rumo aos meus sonhos.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Tesourinho enaltecedor


Tudo tem agora o som que me embala:
ontem graves alertas de vazio,
hoje audível felicidade!

De regresso às sensações
de paz, de ternura e de encanto,
com que me inspiraste e me prendeste,
e de outras tantas
que de tão bom jamais senti,
volta a felicidade ao percurso
das minhas veias e artérias.

Relaxo hoje na certeza de quem sou;
De que nos temos
e de que existimos.

Quão bom é
ter a certeza de que respiro...
inspiro e expiro...
suspiro...
e de que pelo milagre da vida
sorrio!

[por vezes as arrumações dão em descobertas de tesouros perdidos. Este, que aqui re-adaptei à minha actual realidade, valeu-me um beijo na testa por um professor/escritor]

"Façam o favor de ser felizes!"