sábado, abril 11, 2009

Para sermos insubstituíveis temos de ser diferentes

4h da manhã
- "A paixão é diferente do amor."
- "Diferente? Diferente em quê?"
- "O amor vem depois da paixão. A paixão é aquela fase inicial, da descoberta, da intensidade dos momentos, da novidade. Depois sim, se a pessoa for de encontro às nossas expectativas, vem o amor."
- "Então e depois do amor?"
- "Depois do amor...fica o amor e a amizade! É tudo um processo de solidificação. Aquela será a tua companhia para a vida. Mas a paixão também está sempre presente. Pelo menos eu nunca amei sem estar apaixonada..."
- "Não concordo muito...nunca me apaixonei sem amar também. Amo é sempre de forma diferente."
- "Pois mas isto sou eu a falar! Cada pessoa sente o amor da forma que tem de sentir. Se toda a gente pensasse e sentisse o mesmo, o amor teria uma definição universal, e não tem!"
- "Claro, claro. Estou só a tentar perceber essa tua forma de ver as coisas. Mas tu já amaste?"
- "Já tive algumas paixões mas amar só amei duas pessoas. Ou uma...a outra pessoa amo se for realmente a pessoa que eu penso que é. Pelo menos quero acreditar que sim."
- "Então também deves acreditar que não há amor como o primeiro?"
- "Não, nada disso! Aprendi que se pode amar com a mesma ou mais intensidade outra vez."
- "Fantástico. Estou a achar a tua perspectiva mesmo interessante. A forma como tu delimitas a palavra amor...!"
- "Não é isso. Simplesmente não a banalizo. Considero o amor um sentimento demasiado precioso para tal. Mas lá está...isto tudo sou apenas eu a falar. É a minha experiência, o que não quer dizer que amanhã ou depois pense de outra forma. Para já, sempre foi assim que vi o amor."

5h30 da manhã
Dança inesperada no meio da rua, ao som de Paulo de Carvalho.

6h da manhã
Viu a vida a "andar para trás" quando o carro descaiu e foi contra o muro.

6h01 da manhã
O significado de amor continua o mesmo.

[Faz da tua ausência o suficiente para que eu sinta a tua falta,mas nunca a prolongues demais ao ponto de me habituar a viver sem ti]

sexta-feira, abril 10, 2009

LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE
LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE
LIBERTA-TE LIBERTA-TE LIBERTA-TE
LIBERTA-TE LIBERTA-TE
LIBERTA-TE
LIBERTA-TE
LIBERTA-TE!

"Só lamento terem criado duas mulheres cheias de medos. Quanto ao resto, continuo sempre aqui e tu sabes que o teu lugar cá dentro é especial." [AI]

quarta-feira, abril 08, 2009

With nothing to win and nothing else to lose!

Quem aprendeu a aguardar pela chuva, sabe esperar pelo céu.

"See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side
I wait for you.
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait...without you

With or without you
With or without you

Through the storm, we reach the shore
You gave it all but I want more
And I'm waiting for you

With or without you
With or without you
I can't live with or without you

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away

My hands are tied, my body bruised
She got me with nothing to win
And nothing else to lose

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away

With or without you
With or without you
I can't live
With or without you

With or without you
With or without you
I can't live
With or without you
With or without you"

terça-feira, abril 07, 2009

Não sou nem quero ser o seu dono | É que um carinho às vezes cai bem

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Do pó tirei...o riso

Qual é o resultado de remexer no baú do nosso passado? Encontrar algumas "preciosidades" como o meu caderno de notas da Comissão de Praxe e da Associação de Estudantes do ano lectivo 2002/2003. Nele pude encontrar a secção das calinadas...confesso que já não me lembrava de ter tantas registadas, tais como:

- "Tenho uma tendência para chorar dos olhos" (pergunto-me eu, haveria de ser por onde??)
- "Essas burguesias estúpidas!" (estaria correcto se tivesse dito burocracias. Penso eu de que!)
- "1 vezes 100=1000!" (o meu talento inato para a matemática em todo o seu esplendor!)
- "Quando se cala nunca mais pára!" (até ficava nervosa!...)
- "Esse barulho até me fez doer os olhos" (sem comentários)
- "Tiravas o cartão de albergador!" (seja lá o que isso for)
- "Onde já se viu, um comboio sem pistolas!" (de facto, só numa alucinação)
- "Vou tirar os pés" (deviam-me doer pa caraças, mas ainda não é possível fazê-lo)
- "Até já ouço vibrações" (sou o verdadeiro o prodígio. Ouço aquilo que se deve sentir!)
- "Já parecia os epiléctricos" (deve ter sido do choque)

Assim passei a minha noite de sexta. A rir-me de mim própria! É sempre interessante.

sexta-feira, abril 03, 2009

É sempre a escolha certa!...[do I have to save your soul?]

I choose to hide, but I look for you all the time
I choose to run, but I'm begging for you to come
I wanna breake, but I know that you can't take
I stay a while, to be sure that you by my side
Ohhh

Don't look at me, just look inside 'cause I can go through
Tell me are you going tired, of what I've don't do
I wanna see I wanna fight, 'cause I don't feel scared
Honey if you care

I choose to find, things that you left behind
I choose to stay, but I can take you anywhere
I wanna stay, but my soul lives you anyway
Can close the door, and love could you give me more

Don't look at me, just look inside 'cause I can go trough
Tell me are you going tired, of what I've don't do
I wanna see I wanna fight, 'cause I don't feel scared
Honey if you care

Choose love, choose love, love, choose love, chose love, oh

Don't wanna hear I wanna fight, 'cause this time I won't be wrong
And I can waste this precious time, asking where do I belong
So let me know your love is real, 'cause this time you won't control
Tell me please what do you feel, do I have to save your soul

Choose love, choose love, love, choose love, choose love

Cartas de um Amor desfeito pelo Ego

Após mais uma tentativa de recuperar o que há muito se tinha perdido.

Porto, Dezembro de 2008

"Não tenho forma de esconder o que te vou dizer.
Fizeste de mim o homem que sou hoje. Tem tudo a ver com as alegrias e as tristezas. Foste minha namorada, foste minha amiga... serás sempre a minha mulher.
Eu estou uma pessoa diferente e sofro por ter conseguido ser o Homem que merecias ter tido sempre.
Hoje tratei-me muito mal. Hoje mostrei-te um eu sensivel, um eu que sempre foi sentimentalista, mas que teve vergonha de o mostrar!
Hoje disse-te que és a mulher da minha vida. Hoje disse que te amo e disse que sei como te mostrar isso!

Um beijo"

Ela não lhe deu resposta. Tinha sido tudo dito naquela e noutras tantas conversas passadas. Para quê tornar a explicar e voltar a folhear as páginas de um livro que já tinha chegado ao fim?

Porto, Janeiro de 2009

"Leonor,

Sim, vou começar por te chamar Leonor, porque foi assim que te conheci. Claro que com aquele estilo tímido, tinhas um ar quase angelical.

Não sei se ainda andas com uma carteirinha de fósforos na tua carteira, mas lembro-me perfeitamente do que lá está escrito. Dessa altura, lembro-me do nosso primeiro beijo, no dia em que o carro da minha mãe quase ficou submerso pela chuva.

Neste momento parece que desperdicei anos da minha vida, não desperdicei no mau sentido, o que quero dizer é que não tirei proveito da Mulher fantástica que és. Faço um flashback de todos os momentos em que sorriste para mim, das tuas gargalhadas, do amor que sempre provaste que me querias dar... e sofro.

Estou a tentar ser honesto, mas principalmente, sei que estou a ser honesto comigo próprio. Ontem senti-me muito sozinho... sozinho neste mundo. Quero continuar a amar-te como sempre amei, mas como nunca mostrei.

Tenho uma mensagem no meu telemóvel para te mostrar, que não enviei por não conseguir (odeio telemóveis)... Então ontem - dia 31 de Dezembro, às 23h34 - escrevi-te o seguinte: «O que mais me arrependo foi não dizer que te amo a cada minuto da minha vida... Sofro muito por não estar contigo. Sofro muito mais por não ter tido a coragem de ser eu mesmo. Hoje sou infeliz, mas consigo ser sincero com aquilo que penso e sinto. Amo-te muito... Ainda vai haver um Setembro na nossa vida»

Um beijo"

Desta vez, ele obteve um feedback. Igual a tantos outros.

"Olá...

É raro vir à internet quando estou em casa. Por acaso hoje tive de tratar de umas transferências e pagamentos...calhou...
Não sei bem o que te escrever. Até estranho dizer isto porque escrever nunca foi um grande dilema para mim, mas neste caso confesso que já me falham as palavras.

Já lá vão uns meses desde que terminamos. Já muitas coisas foram ditas, umas melhores do que outras, mas penso que faz sempre parte destas situações, especialmente quando se trata de uma relação tão longa e com tanta coisa partilhada como foi a nossa.

Eu não vou mudar nenhuma palavra daquelas que te tenho vindo a dizer. Quero que ergas a cabeça e sigas em frente. Quero que encontres a mulher da tua vida e te dediques a esse amor, como nunca te dedicaste ao nosso. Terás a tua oportunidade de mudar! De dares a essa pessoa o que não me conseguiste dar...de lhe dares aquilo que agora dizes estares arrependido de não me teres dado...pelo menos ficarei feliz por teres aprendido alguma coisa comigo. Por talvez já não teres vergonha da palavra Amor. Por talvez já não precisares de mais do que uma mulher para seres feliz. Por talvez quereres partilhar tudo com a pessoa que escolheres teres ao teu lado para o resto da tua vida. Espero mesmo que sim!

Não lutes mais por mim. Não esperes mais por mim. Não tenhas mais esperança. Eu não vou voltar... A nossa relação enquanto casal degradou-se a um ponto que torna impossível um retorno. Já nos insultamos, já nos agredimos... Temos um passado muito feio que eu quero apagar. Aos poucos estou a conseguir fazê-lo. Aos poucos estou a conseguir filtrar apenas as coisas boas que vivi contigo. Mas as marcas ficarão sempre! Quero que dês continuidade à tua vida por tudo isto mas sobretudo porque já não te amo... já não vejo em ti o homem por quem me apaixonei. Já não vejo em ti o homem da minha vida. Já não vejo em ti o pai dos meus filhos. Já não nos imagino velhinhos a mandar vir um com o outro...já não te vejo no meu presente, já não te vejo no meu futuro. Pelo menos enquanto namorado ou marido.

Dizes sempre que me amas e que sou a mulher da tua vida. Que te arrependes. Que sofres. Que mudaste. Sinceramente não sei se acredito. Sinceramente também não penso muito nisso.

Não sei se algum dia vou amar alguém como te amei a ti. Não sei se algum dia me vou conseguir dedicar tanto a alguém como me dediquei a ti. Já não sou tão tolerante nem tão paciente, não sei se felizmente ou infelizmente. Também me vão dizendo que sou "traumatizada", o que em certa parte é verdade. Não consigo confiar muito nos homens. Quem sabe um dia...tudo vai depender do rumo das coisas.

Tudo isto apenas para te dizer que tenho muito carinho por ti. A raiva já atenuou e já consigo olhar para ti sem me lembrar constantemente de tudo aquilo que sofri... Quero que sejamos amigos mas não quero que esperes mais do que isso. Nem quero que isto seja tema de conversa sempre que estivermos juntos. Temos de saber deixar estar no passado aquilo que a ele pertence.

Desejo que em 2009 consigas concretizar os teus principais objectivos. Desejo-te mesmo tudo de bom. Ano novo, vida nova!

(Curiosamente ainda tenho a carteira de fósforos comigo. Não sei porquê, talvez porque no fundo não guarde rancor e sim o que é bom de guadar. E Setembros haverão muitos - espero - nas nossas vidas, mas não no sentido em que o levas quando o mencionas. Hei de querer casar nesse mês mas não sei em que ano nem com quem, nem tão pouco se casarei. O futuro não me pertence, apenas ajudo na sua construção)

Beijinho"

Hoje ela sabe que continua a ter a capacidade de amar, como sempre teve. Talvez existam algumas "feridas" por sarar, como a falta de confiança nos homens, o que é natural. Há marcas difíceis de apagar. Um dia alguém a ajudará a acreditar que os homens também amam. Também se entregam. Também são sinceros com quem amam mas, sobretudo, com eles próprios.

Hoje ele provavelmente sabe que, numa próxima vez, muita coisa terá de ser diferente com a mulher que tiver do seu lado. Sabe dar valor aos gestos. Aos sacrifícios. Aos sonhos. Mas certeza, certeza, ninguém tem. Nem ela. Nem talvez ele próprio.

O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

terça-feira, março 31, 2009

Pedro e Inês | Romeu e Julieta | Dalila e Sansão | As vicissitudes do Amor

Ontem foi notícia no telejornal da noite e fiquei deveras espantada...ou impressionada...não sei bem descrever o que a atitude e o comportamento deste homem me causou.
Interesse? Curiosidade? Sem dúvida.
No fundo, talvez me toque o coração...no fundo, se eu fosse a tal "Inês" que este "Pedro" procura, provavelmente teria vergonha de tamanha exposição da minha pessoa...pensando ou temendo na também quiçá loucura implícita neste já desespero.
Mas... pensando bem... não será realmente o amor a maior loucura da humanidade?

"É uma história de amor platónico. É um Pedro enamorado por Inês. É um fado que os fez desencontrar. Pedro procura Inês.
Pelas ruas de Lisboa Pedro afixou cartazes de amor na esperança de voltar a encontrar a amada. Todos os dias escreve no Blogue e aguarda um contacto da mulher que lhe enche o coração.
Rui Faustino, nome verdadeiro, conheceu Inês há 10 anos. Há três perdeu-lhe o rasto. Ela mudou de telefone, morada e trabalho. Há poucos meses, a chama do amor reacendeu-se depois de os olhares se terem de novo cruzado. Ela ia já no autocarro, ele correu atrás «desalmado» durante quatro paragens.
De Santa Apolónia, Lisboa, Pedro relembra a última vez que avistou Inês. Pedro «sente» que Inês lê as mensagens que lhe deixa no blogue e os encontros que marca nos miradouros de Lisboa, em lugares românticos para abraçar o seu amor. Pedro espera sempre. Inês nunca aparece.
Pedro e Inês conheceram-se em Tomar durante a Feira Medieval. Pedro leu o Tarot e o destino de Inês. Mas Inês era amiga dos tempos de liceu de Constança, a mulher com quem Pedro casou. Este «cavaleiro» dos tempos modernos afiança que Inês é a mulher por quem se divorciou e garante que nunca lhe foi infiel.
Certo é que a vida lhes trocou as voltas. Pedro perdeu o rasto de Inês. De Inês nada mais se sabe."

In diario.iol.pt

A nossa cegueira das coisas simples

Só se tem tempo quando se precisa daquilo que se adia...
Só se dá valor quando se perde...
Só se lembra quando convém...
Só...só...só... a maioria das pessoas SÓ funciona com o sistema causa-efeito-consequência.

Um gesto. Um carinho. Uma palavra.
Uma carícia na face. Um abraço sentido. Um beijo na testa.
Levar o documento urgente ao correio. Carregar metade das compras que pesam nos braços. Emprestar o casaco porque está frio. Dar a mão para não se perder. Partilhar a única bolacha quando a fome é mútua.
Passar o creme nas costas. Dar o ombro para chorar. Dar o colo para acolher. Fazer um cafuné na cabeça.
Um telefonema que signifique "estou aqui". Uma mensagem simples em palavras mas rica em conteúdo...
E tantas outras pequenas grandes atitudes.

A intimidade é feita de pequenos gestos.

domingo, março 29, 2009

28 dias

Depois de uma semana cansativa, fisica e psicologicamente, por inúmeros e diversos motivos, o meu corpo e a minha alma pediram-me que os deixasse repousar. E, atendendo a tal pedido irrecusável, assim o fiz. Silêncio. Escuro. Fechei os olhos e apaguei.

No dia a seguir acordei um pouco melhor ou, pelo menos, decidida a não fazer da minha vida um espectáculo da qual sou espectadora, mas sim a actriz principal. Já dizia o Charlie Chaplin, com toda a razão.

Não foi um sábado muito quente mas não fosse o vento e poderia estar perfeito. Um pequeno-almoço como ditam as regras. Um banho rejuvenescedor. Uma roupa prática e confortável. Uma recolha de "material" para deitar para trás das costas. Pé no acelador até ao Douro. Um destino para o qual me dirigi sem pensar, como se tivesse uma espécie de sistema de piloto automático.

Muitos carros mas um lugar à minha espera no local mais que perfeito. O sol a brilhar. Alguns casais a passear de mãos dadas; a fotografarem os momentos. Homens a pescar enquanto iam dando uns tragos na cerveja que os acompanhava. Alguns idosos à deriva, talvez a pensar noutros tempos ou a aproveitar o ar que ainda respiram. Algumas pessoas no seu jogging ou na sua bicicleta, a queimar as calorias e as toxinas da semana ou a prepararem o corpo para o Verão que se avizinha.

Um pouco mais ao fundo umas pedras. O sítio ideal para me sentar junto ao rio, a sentir aquela aragem fresca e o prazer de poder estar a apreciar tudo o que me estava a rodear. Uma última vista para a margem. Um último suspiro. Uma última leitura das palavras que rasguei em pedaços. Uma por uma. Um último adeus. Sem olhar para trás.

Por hoje ainda permito que esta lágrima perdida se liberte... Ficou esquecida.

Os dias tornaram-se agora mais longos e o sol está finalmente a meu favor, para ter mais energia. Chegou o momento. Não é uma derrota. É apenas mais uma conquista.

Não serei um slogan quando posso ser poesia. Mudarei...e a vida mudará comigo!...

sexta-feira, março 27, 2009

Quem não arrisca...

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, março 24, 2009

Ao andar faz-se o caminho...

"Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar."

António Machado

sexta-feira, março 20, 2009

"Mas Amor, meu Amor, porque foi que viemos a nos abandonar um ao outro;
como é que eu e tu deixámos que entre nós se interpusesse esta aparência de abandono?"

quinta-feira, março 19, 2009

"Estarei sempre por perto...enquanto respirar!"


"Apesar de achar que dia do Pai são os 365 dias do ano…
…isto é o que tu és para mim :)


Cavaleiro Andante - Rui Veloso

Um beijinho muito grande da filha que te ama acima de tudo no mundo,
Patty"

Hoje é dia do Pai mas como o meu está distante não lhe posso dar o abraço e o beijo que todos os Pais recebem neste dia, a eles dedicado.
Não sou muito apologista destes dias "especiais". Muito menos contribuo nos seus fins comerciais. Mas também não consigo deixar passar a data em branco e, por isso, este foi o e-mail que, um pouco à pressa por falta de tempo, enviei ao meu "cavaleiro andante". Um e-mail carregado de afecto.

Um feliz dia a todos os Pais...que amam os seus filhos como o meu me ama a mim!

quarta-feira, março 18, 2009

Da Sabedoria Popular

Coincidência ou não [diz a Margarida Rebelo Pinto que não existem], há sempre a história e a associação da pedra como um obstáculo no caminho, que por sua vez simboliza a vida. Hoje, recebi este texto num e-mail...

"Em tempos antigos, um rei mandou colocar um enorme pedregulho num caminho. Depois escondeu-se e ficou a ver se alguém retirava a enorme pedra.
Alguns dos comerciantes mais ricos do Rei passaram e simplesmente afastaram-se da pedra, contornando-a. Alguns culpavam em alta voz o Rei por não manter os caminhos limpos. Mas nenhum fez nada para afastar a pedra do caminho.

Apareceu então um camponês, carregado com um molhe de vegetais. Ao aproximar-se do pedregulho, o camponês colocou o seu fardo no solo e tentou deslocar a pedra para a berma do caminho. Depois de muito empurrar, finalmente conseguiu. O camponês voltou a colocar os vegetais ás costas e só depois reparou num porta-moedas no sítio onde antes estivera a enorme pedra.

O porta-moedas continha muitas moedas de ouro e uma nota a explicar que o ouro era para aquele que retirasse a pedra do caminho. O camponês aprendeu aquilo que muitos de nós nunca compreendem: Cada obstáculo apresenta uma oportunidade para melhorar a nossa situação."

Para saborearmos uma vitória com requinte e distinção, temos que passar antes por diversas derrotas. Lá diz a sabedoria popular!...

terça-feira, março 17, 2009

"Vai aonde te leva o coração"


Escrevi este texto no dia 14 de Setembro de 2008 [não aqui porque há muitos mais locais onde escrevo, sempre e simplesmente só para mim, sendo ou não o local "público"]:

"Vai aonde te leva o coração

Não há nada melhor do que estar vivo. E tudo, mesmo quando não parece, tem algo para ter acontecido. Como disse Nietzsche "O que não destrói, fortalece". Eu gosto de ter sonhos. Só assim os posso tornar realidade. Prefiro agora arrepender-me do que fiz do que arrepender-me do que não fiz! Porque a vida são dois dias e hoje pode ser o primeiro. Neste momento não há planos. Não há futuro delineado. Tenho asas e quero voar. Os dias, as horas, os minutos, os segundos. Quero saboreá-los a todos. Porque agora sinto que a vida, de uma maneira ou de outra, recomeçou. Por isso..."olá vida, regressei!" E os meus braços estão abertos para quem me acompanha. Ontem, hoje, agora e sempre!"

Passados 6 dias tudo mudou e eu nem me apercebi... foram precisos 3 meses...

Agora, que já lá vai meio ano, quero voltar a escrever estas palavras com o mesmo sentimento da altura.

E porque grandes textos nunca são demais para repetir vezes e vezes sem conta...

"Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"

Fernando Pessoa

domingo, março 15, 2009

Um dia...


Estou com pouca força para levantar e carregar esta pedra...mas, um dia, e por muito que custe, há de fazer parte do meu castelo.

[Porque bateu assim tão forte? Pelo sonho? Pela diferença? Pela esperança? Pela autenticidade? Pelos sorrisos? Pela surpresa? Pela luta? Ou simplesmente pela dúvida do que foi, do que é ou do que poderia ter sido?... - sim, fui apanhada desprevenida a pensar em ti, em mim, numa resposta!]

"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

(...)

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver"

quinta-feira, março 12, 2009

That's what friends are for



Obrigada Cocas, mereces o mundo :)

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça.
No sucesso, verificamos a quantidade e na desgraça, a qualidade."

E tu, mesmo longe, estás sempre tão perto quando preciso.

"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem os meus amigos!
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre..."

Vinicius de Moraes

...e a música...! Deliciosa! Just love it
[contigo não há código que resista ;)]

Palavras perdidas num tempo que já não volta


É uma espécie de livro que leio, releio e torno a ler. Folheio as páginas e absorvo cada palavra que de tanto interiormente repetir já decorei. Sei a ordem, o momento, o porquê, já só quase me falta saber o dia e a hora… E a pontuação utilizada no final de cada frase ou de cada parágrafo!

Às vezes acontece, numa primeira leitura de um livro, fazermos uma interpretação da história narrada diferente da segunda. Por uma questão de maturidade, experiência, personalidade, estado de espírito, por uma variedade de causas que conseguem dar efeito a essa consequência. No entanto, após todas as dezenas de leituras que já fiz a este meu livro, a interpretação que faço de cada palavra trocada vai sempre de encontro à primeira, não mudando nada… Nada do que penso, do que sinto, do que quero.

Não há sol, lua, humor, calor, frio ou tempo que demova esta inconformidade.

“Eu não te vejo mas imagino as tuas expressões, a tua voz, o teu cheiro.
A tua amizade faz-me sonhar com um carinho,
Um caminhar, a luz da lua, à beira mar.
Saudade...
Este sentimento de vazio que me tira o sono
Por me fazer sentir um triste abandono…

...se um dia uma brisa leve e suave tocar no teu rosto, não tenhas medo: é apenas esta minha saudade que te beija em silêncio..."

quarta-feira, março 11, 2009

Há vida no Porto!...

Encontrei este artigo numa das minhas pesquisas culturais e gostei. Não só porque é sobre a minha linda cidade mas também porque fala um pouco de alguns locais da minha história...



terça-feira, março 10, 2009

I'm just a person on my own

"Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t’aime je t'adore

Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida"

[Donna Maria - Há amores assim]

De facto a música é uma arte capaz de tudo no que toca a emoções. Pode fazer-nos rir, chorar, recordar, criar saudade, nostalgia, felicidade, até mesmo raiva, ansiedade, frustração ou angústia... Consegue marcar uma vida, um momento, uma pessoa...um amigo, um amor, um desconhecido...

A música é poesia cantada; são palavras soltas pela voz que o poeta prende na escrita. São os sentimentos libertos pelo som que o poeta acorrenta nos livros.

Ando particularmente voltada para novas descobertas a este nível porque, realmente, há cada vez mais músicas que me tocam.

Já com saudades da pequena viagem que terminou ontem, aqui fica uma outra música a ela associada.

[SLYF]


segunda-feira, março 09, 2009

[Baptibupi]

"Florença não é um lugar para quem aprecia construções de aço e alumínio. É a cidade dos apaixonados, dos artistas e dos sonhadores. Das pessoas que vêem a vida com olhos de poeta, ouvidos de músico e coração de quem ama.
Florença é uma cidade eterna, um momento iluminado de genialidade artística que pode ser sentido e apreciado caminhando por entre as suas ruas, praças e casas. Chega a ser muito mais do que isso. É um exemplo vivo do que a espécie humana é capaz de fazer quando se dedica a ideais elevados. "

Com pequenas alterações da minha parte, retirei este texto sobre Florença de um site porque penso que descreve, resumidamente, e na perfeição, aquilo que se pode dizer desta cidade italiana onde passei os últimos 3 dias. A juntar a toda a sua beleza, a companhia de bons amigos, as gargalhadas, as peripécias, os carinhos trocados, as palavras partilhadas - boas e menos boas -, os momentos bem passados, registados e para mais tarde, com certeza, recordar.

É sempre bom viajar. Respirar outros ares, conhecer outras culturas, outras formas de estar, de viver. O sair da rotina que nos assola o dia-a-dia.
Para mim, um verdadeiro tranquilizante. Agora, de regresso à vida real. Mas com a certeza ainda mais convicta de que alguma coisa, dentro ou fora de mim, precisa de mudar. Para que eu possa finalmente expulsar de mim o que me aperta os pulmões e me prende as garras.

Para terminar, uma das músicas que ficou desta ida curta mas magnífica a Pisa e a Florença. Lov U All*


quarta-feira, março 04, 2009

Os Homens não sabem o que querem do Amor!

"Ainda estou a descortinar os meandros do amor, mas de uma coisa estou certa, é mesmo verdade que "Os Homens são de Marte e as Mulheres são de Vénus", queiramos ou não somos diferentes e se, para mim, um homem não sabe o que quer porque um dia gosta muito e no outro já nem me liga, acho que isso acontece por termos visões bem diferentes no que toca ao relacionar-se e apaixonar-se...
Enquanto que a maior parte de nós é romântica/sonhadora e quando conhece alguém interessante já começa a imaginar o casamento e os nomes dos filhos (exagero!), os homens são bem mais práticos, vivem (intensamente) um dia de cada vez e sem as expectativas que nós criamos. Mulheres e homens sentem e pensam de maneira diferente e não há volta a dar...
Constato isso principalmente no começo de uma relação. Acho que a melhor parte é todo o desafio que a conquista envolve... o jogo de sedução, a troca de olhares cúmplices e as conversas com duplos sentidos que depois se tornam deliciosamente marotas.
Ainda assim (e aí começam as diferenças), apesar de vivermos numa época em que as mulheres já se emanciparam, encontro homens que gostam de sentir que controlam a situação. Podem até simpatizar IMENSO connosco, mas se se apercebem de um grande entusiasmo da nossa parte, perdem rapidamente o interesse. A minha primeira reacção é a de que "são parvos e não sabem o que querem", mas também percebo que muitos homens gostem do desafio de nos rondar e envolver qual aranha na teia para depois nos porem "K.O."... O problema é que se nos mostramos logo demasiado disponíveis, eles perdem esta adrenalina do desafio e de quem ganha no jogo do gato e do rato e... tchau aí!
Eu, que sou de Vénus, fico baralhada com estas duas realidades (planetas) tão diferentes em que coexistimos, mas vou continuar a tentar perceber a mente masculina, muito complicadinha por sinal..."

Tudo fora do tempo certo. Tudo, tudo, tudo! Ou então sou uma espécie de troféu para quem faz da vida apenas um jogo do qual tem que sair vencedor [e se assim for temos pena, já alguém ganhou o prémio e nem sequer o reclama].
Qual Vénus e qual Marte, vou emigrar mas é para a Lua antes que enlouqueça de vez com tudo e todos!...

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Fecha-se uma porta, uma janela se há de abrir!

Ontem, numa conversa cibernaútica com um querido e especial amigo, diz-me ele:
- "Hoje comprei fortune cookies"
- "O que é?"
- "São aquelas bolachas que os americanos comem muito em restaurantes chineses, em que saem aqueles papeizinhos com frases"
- "Já sei! Que giro! Come uma por mim e diz-me o que sai..."
- "Changes are coming"
- "A sério?"
- "Yep"
- "Isso é bom!"
- "Só pode ser"
- "Espero mesmo que sim"
- "Só tens que acreditar"

Entretanto agradeço os elogios permanentes de muita gente. O "ser bonita, inteligente, alegre, divertida, meiga, exemplar", etc, etc. Obrigada. Mesmo. Mas por favor não me digam mais para esquecer seja o que for e seguir em frente, e todos e quaisquer derivados deste conselho. Eu sei disso, já cheguei a essa conclusão por mim própria e estou apenas em fase de mentalização.
Bem sei que não o fazem por mal, muito pelo contrário, só não preciso de ouvir isso dia sim dia sim... Quanto mais o dizem mais eu me lembro do que poderia ter sido perfeito e não foi. Sem razão viável.

"Não queria desistir. Não sou de desistir. Muito menos dos meus sentimentos. Mas acho que o nosso amor se desencontrou no tempo (...)" Ou se calhar nunca se tenha desencontrado porque "o menino do portão, sem pressa nem tempo", que o sorriso mantinha pela recordação de quem eu sou...o colo estranho que encaixava (e acolhia)...a falta da minha companhia...nunca tenha existido.

Eu soube parar...
Eu soube escutar...
Eu soube abraçar os gestos...
Mas não soube ler o olhar nem perceber o sentimento...e quem realmente és. Naquilo que construí, és e serias um sonho. Pelo menos meu.

Este capítulo encerra aqui.
[LYWAMHAS]

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

If I just lay here...

...Would you lie with me and just forget the world?

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O poder da mente

Hoje pouca gente duvida que corpo e alma estão intimamente ligados. Mas será que os estados de alma podem ajudar a curar doenças...ou podem mesmo provocá-las?

As doenças psicossomáticas são velhas conhecidas nossas. Mas alguns ainda guardam a idéia errónea de que são pura simulação ou casos de hipocondria. No entanto, todos os dias surgem mais e mais evidências de que corpo e alma estão tão estreitamente ligados que aquilo que afecta um, acaba por afectar também o outro.
Popularmente diz-se que a doença psicossomática ou a doença psicológica é aquela que não apresenta um sintoma orgânico real, ou seja, quando alguém acha que tem uma doença que não existe. Esta definição, embora comum, é errada. Doenças psicossomáticas são manifestações orgânicas que podem ser causadas ou cujos sintomas podem ser agravados por aspectos psíquicos (mentais/emocionais).

Existem, é claro, os casos de SIMULAÇÃO (quando a pessoa finge ter algo) ou de HIPOCONDRIA (fixação na idéia de doenças e preocupação excessiva com a saúde). O correcto, no entanto, é utilizar o termo psicossomático apenas para designar doenças que apresentam sintomas reais no corpo físico, mas cuja origem está no psíquico.

Assim, se desconsiderarmos estes dois casos, podemos dizer que existem basicamente dois tipos de doenças psicossomáticas:

As doenças por conversão psíquica, quando existe um sintoma mas nenhum tipo de alteração orgânica é detectada em exames. Por exemplo: uma pessoa não consegue andar, mas não tem nenhum tipo de lesão neurológica ou muscular que justifique a paralisia.

E a somatização propriamente dita, quando a energia psíquica foi descarregada no corpo levando à formação de uma ou mais lesões diagnosticáveis, visíveis em exames. Existem indícios de que a somatização funciona como uma válvula de escape para emoções e sentimentos com os quais o sujeito não consegue lidar.

A mente sozinha pode provocar doenças?
Todas as doenças são causadas por um conjunto de factores. A mente é um deles, sendo a sua participação variável.
Não se conhece o complexo mecanismo de interacção entre mente e corpo, até porque o próprio conceito de MENTE é bastante controverso. No entanto, sabe-se hoje que certas condições orgânicas correspondem a determinados estados emocionais, pois estes interferem na produção de uma série de substâncias que actuam na regulação fisiológica.

A doença psicossomática é então percebida quando os problemas psicológicos, especialmente provocados por distúrbios emocionais (nervosismo, ansiedade, depressão), se tornam físicos. A explicação mais simples será a de que a mente, nestes casos, não consegue resolver o(s) problema(s) através dos mecanismos de defesa, transferindo-os dessa forma para o próprio corpo, que os exclui em estado de doença ou sintomas, estando os mais frequentes relacionados com o aparelho digestivo, o respiratório, os sistemas vascular, locomotor, endócrino e cutâneo...

Música para os meus ouvidos


Dia 10 de Julho - PLACEBO [Optimus Alive]
Dia 19 de Julho - THE KILLERS [Super Bock Super Rock]

Para completar em grande só faltava mesmo virem cá os Coldplay...[pode ser que ainda tenha alguma surpresa, ou que o destino me leve a Barcelona dia 4 de Setembro].
Pena ser tudo em Lisboa, para não variar. Quem vem comigo?



Where Is My Mind - Placebo


The Killers - All These Things That Ive Done (2005Tonight Show).mp3 - The Killers

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinicius de Moraes

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Com os erros se aprende e se cresce

"A saudade a toda à hora, não me mata mas devora os meus sentidos...

Não te vou esquecer, nem fugir de ti...
Amar, às vezes, faz doer...
Amor faz-me pensar em ti!

Eras pedra preciosa, sensatez, alguém que um dia despertou em mim...
Tinhas o dom de seduzir-me,o dom de amar e persistir à minha ausência...

Entre a paixão e o adeus foi tão difícil para mim,
se te magoei não foi por mal...
Ainda espero por ti,
talvez um dia um sinal...

É tão bom olhar para trás, recordar...

Não te vou esquecer, nem fugir de ti...
Amar, às vezes, faz doer...
Amor faz-me pensar em ti!"

Simples pensamentos

A vida é feita de momentos e, embora eu acredite no destino, acredito ainda mais que somos nós que o vamos fazendo.

Mesmo quando, inevitavelmente, somos obrigados a viver os momentos menos bons, há que mover esforços para nos lembrarmos daqueles realmente bons que já vivemos e irmos novamente de encontro a eles...não só para os tornarmos a viver mas, sobretudo, para desta vez os vivermos com ainda mais intensidade!


"Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre."

Albert Einstein

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O pequeno grande Bruno Aleixo

A fugir um pouco à minha escrita "standard", hoje fica uma homenagem às minhas dores abdominais de ontem. E ao jantar um bocado mal digerido e pouco saboreado pelo meu ataque incontrolável de gargalhadas (não só por isto mas também).

Muito em voga mas sem piada nenhuma. E exactamente por não ter piada nenhuma é que uma pessoa "brota" lágrimas dos olhos de tanto rir (vá lá alguém entender...). A juntar a isto um ambiente de boa disposição com meia dúzia de amigos "marmelos" na mesma sintonia, é o descalabro. E juro que não houve álcool nem espécie alguma de droga.
(Cada vez que vejo estes sketchs ainda me rio mais e mais... Pior! Já só de pensar os meus lábios tremem!! "CÁÁÁÁUTELA!" looool - amigos, mais um bocado e a "Patty Latina" tá de volta!)

Ficam alguns exemplos curtos.
Curiosos? Vejam mais em dábliu, dábliu, dábliu.youtube.com [:P]





segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Maneira de Bem Sonhar

Adia tudo. Nunca se deve fazer hoje o que se pode deixar para amanhã.
Nem mesmo é necessário que se faça qualquer coisa, amanhã ou hoje.

Nunca penses no que vais fazer. Não o faças.

Vive a tua vida. Não sejas vivido por ela.
Na verdade, e no erro, na dor e no bem-estar, sê o teu próprio ser.
Só poderás fazer isso sonhando, porque a tua vida real,
a tua vida humana é aquela que não é tua, mas dos outros.
Assim, substituirás o sonho à vida e cuidarás apenas em que sonhes com perfeição.
Em todos os teus actos da vida real,
desde o de nascer até ao de morrer,
tu não ages: és agido;
tu não vives: és vivido apenas.

Fernando Pessoa

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Aquilo que não me destrói, fortalece-me


After the rain comes sun - Thank God!

"Dá importância ao que realmente merece." Disse-me alguém, há uns meses atrás.
"Acredito no teu potencial!" Dizem-me as pessoas, que realmente gostam de mim e realmente me conhecem.

[Um dia destes escrevi neste blog que chorava agarrada à barriga porque não tinha razões para chorar agarrada à almofada. Ainda não me doem os abdominais mas a almofada também já não está molhada]

E como o sol é mágico e consegue dar uma energia fantástica à minha alma e ao meu corpo, aqui fica uma música que me traz boas recordações...! Mas são minhas e assim as vou conservar :)


Bob Marley - Is This Love - Bob Marley And The Wailers

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Hoje sorrio porque acreditei...


[10.Fev'09 @ Aviz - Chá Clube]

...e porque venceu! A família é dos sorrisos mais bonitos que se pode ter. Se não o maior deles todos.
Parabéns à minha malandra, para o ano há mais!

"Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(...)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
"

Alberto Caeiro - Há metafísica bastante em não pensar em nada

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Um texto parvo como estes dias

Há fases assim. Meias parvas. Meias inúteis. Minto... Totalmente inúteis e absurdas. Suponho que este tempo também tenha grande influência no aparecimento e prolongamento destas ditas "fases menos boas", em que se acorda de manhã e se deita à noite com a sensação que não se fez nem aconteceu nada de produtivo para a nossa vida. Odeio sentir-me assim. Odeio-me assim. Odeio os dias assim. Odeio o tempo assim.

Ando sem paciência para escrever. Quer dizer, nem é bem falta de paciência. Apetecer apetecer, apetece-me sempre. Simplesmente acho que nada me sai de forma coerente. Parece que nada do que escrevo sai com sentido. Escrevo apago, escrevo apago, escrevo apago... Nunca está bem ou nunca expressa exactamente aquilo que quero expressar em palavras. Que azelha. Fico mesmo burrinha nestas alturas. Mas só nestas alturas, porque loira posso ser. Loira burra é que nunca.

Não entendo nada disto. Quer dizer, entender até entendo. A causa desta incapacidade está na actual incoerência do meu raciocínio. Claro que a consequência só poderia ser uma escrita incoerente. Isto enerva-me solenemente. Nem imaginam quanto. Aliás, eu própria me enervo solenemente. Ou tenho-me enervado solenemente comigo mesma. É... há fases assim, em que me odeio. Ou não. Não sei. Esta chuva, este frio, esta escuridão andam a dar cabo de mim. E não só. Anda tudo a dar cabo de mim. Principalmente eu a mim própria.

E nestas fases idiotas tudo me parece idiota. Principalmente eu. Sim, sinto-me mesmo uma verdadeira idiota. Acho que podia morrer agora que ninguém ia reparar. Ou se reparassem, sentiam a perda hoje e amanhã já nem se lembravam que eu tinha existido. Acho que a única pessoa que se lembraria de mim todos os dias e sentiria a minha falta era mesmo o meu pai... Nunca mais me esqueço da cara dele quando tive a piritunite e entrei no bloco operatório. Mais do que lágrimas, os olhos dele eram aflição e desespero. Só ele para me fazer sentir imprescindível neste mundo hipócrita.

Mas como eu estava a escrever, por muito que faça, por muito que dê, por muito que pense nos outros em vez de pensar em mim, sou uma imbecil porque isso de nada me vale. Vale só às vezes. Quando vejo o sorriso que consigo provocar. Só que não consigo controlar. É mais forte do que eu. Não o faço porque é bem fazê-lo, faço-o porque sou assim mesmo. Palerma. Hei de me afundar e não ver nenhuma mão estendida para me salvar. A não ser a minha própria mão.

Que se lixe! Que tudo se lixe! Hoje choro, amanhã sorrio e depois de amanhã choro outra vez se for preciso. A culpa é do nevoeiro que não me está a deixar ver o caminho com a nitidez necessária. Ou então é das minhas lentes. Preciso de comprar mais que as minhas já acabaram e estou mesmo a precisar de as trocar. Já passaram do prazo.

"Temo-nos comportado quase como um bando de cegos. Num mundo tão bonito, vivemos em pequenos compartimentos da nossa própria miséria. Ela é familiar; assim, mesmo que alguém queira arrancá-lo dali, vai ter tendência em resistir. Porque não quer ser afastado da sua miséria, do seu sofrimento. Em contrapartida, há tanta alegria a toda à volta... tem apenas de perceber isso e tornar-se um participante e não um espectador".

A vida não é fodida, nós é que estamos sempre a fodê-la.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

"Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!..."

Florbela Espanca

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

"Largaram-me a 1000 metros do chão"

Quem não semeia, não colhe.
Nada consegue sobreviver sem cultivo.
Sem alimento.
Sem sustento.
E eu estou a atingir o limite do meu bom senso.

"Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa, terá de saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incómodo dos espinhos... ou não."

[Será que me enganei assim tanto? Só há duas opções: acreditar no que diz o coração ou ouvir a razão. Alguém tem um GPS especial?]

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Passa-nos...uma merda!


Depois de, há uns tempos atrás, descobrir e ler esta fantástica crónica de António Lobo Antunes [basta clicarem na imagem e lerem com MUITA atenção], vem a descoberta desta - também - boa crónica a algumas afirmações deste autor.
Na verdade, as mulheres têm os "fios desligados". Quando querem. Ou pelo menos sempre que o racional resolve tirar umas férias sem pedir autorização. Basta um dia acordarmos, abrirmos os olhos, esfregá-los bem [acto que devia ser feito sempre e várias vezes ao dia], olharmos ao espelho e dizermos para nós mesmas "BASTA". O dia em que a cabeça supera o coração - em que o racional resolve aparecer do Tahiti, da ilhas Fiji ou o caraças - , tarde ou cedo, chega sempre. Não podemos ser, para quem amamos, um segundo plano eternamente [que me desculpem os mais suscptíveis mas PUTA QUE PARIU ESTA MERDA CARALHO! - às vezes sabe bem termos estas tais atitudes "à homem"].
Toda a gente adora complicar. É o vai que não vai. É o hoje sei, amanhã não sei. É o vai-se andando e vai-se vendo. É o acho que sim mas não tenho a certeza. É todo um conjunto de tretas associadas e daqui derivadas. Vá-se lá entender o porquê... Ou é ou não é. O resto é sempre areia para os olhos de quem está "cego" por não querer ver aquilo que sabe que um dia terá de ver. As mulheres precisam de pára-brisas, é o que é.

"Tanta educação para a igualdade e afinal as mulheres em curto-circuito, a estereofonia com que pareciam equipadas desde a nascença parece ter estoirado, já não associam, já não têm tempo para associar, o que as torna mais disponíveis para acreditar: se ele me diz que mereço melhor do que ele é porque está apaixonado por mim, mesmo que depois não me ligue, coitado, não tem tempo, é homem, concentra-se no trabalho, esquece mas não é por mal. Nenhuma mulher de hoje cai na esparrela de dizer que quer ser feliz, isso assusta, é muita responsabilidade, os homens desatam a fugir, quanto mais intelectuais pior, e dizem que é por causa da literatura, que na literatura séria ninguém que se preze acaba feliz, o que não é verdade, mas ajuda muito.
Manda a Cartilha da Liberdade que digamos sempre e só a Verdade, por mais fragmentária, dolorosa e paradoxal que seja, como a verdade humana tende a ser. Mesmo que essa verdade seja um tiro na cara de quem a recebe: a Grande Ética não se comove com os pequenos cacos de um coração. E as mulheres, porque têm fios desligados, vão apanhando do chão os vidros partidos tingidos do seu próprio sangue, fazem deles anéis, chamam-lhes rubis, mostram às amigas: «Olha o que ele me deu, parece mesmo verdadeiro, não é?» Escreve António Lobo Antunes: «Perguntei à minha amiga - E depois de ele se ir embora? — Depois chorei um bocado e passou-me». Sim, passa-nos sempre, António. Passa-nos tanto que eu, que já não me comovo por tudo e por nada...
...comovi-me. A frase traz dentro a vida toda, um bocado do dia de todas as mulheres, o rubi falso em «boomerang» que é a nossa alegria... as infinitas tonalidades da solidão afectiva das mulheres de hoje, as mantas de retalhos de cores variadas que elas vão fazendo com as sobras dos sentimentos impossíveis... As mulheres habituaram-se a entrever o todo na parte — até para esquecer que, muitas vezes, não há senão a parte. Depois choramos um bocado e passa-nos. Passa, uma merda. Mas sorrimos, sim, como uma árvore, no meio da noite."

Por Inês Pedrosa @Revista Única [Expresso]

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Quem sai aos seus não degenera

Em 27 anos, as palavras mais bonitas que me dedicaram até hoje foram do meu Pai. Não sou uma “menina do papá”, mas de facto ele é o meu maior orgulho. O meu maior pilar. O meu maior amor. Mesmo estando longe está sempre tão perto. Mesmo estando ausente está sempre tão presente. [“do teu Pai que te ama muito”, “da tua filha que te venera e idolatra”, assim nos vamos tratando]

Muito do que sou a ele o devo [especialmente o meu lado “balelas” e lamechas :)]. Entre sorrisos, lágrimas…o meu Pai traduz-se no verdadeiro Homem da minha vida. Na única pessoa do mundo que nunca me desiludiu. E, muitas vezes, é pensando nele que ganho forças para ultrapassar as maiores adversidades da vida. Porque ele próprio é também o maior exemplo de força.
Obrigada papi [quase todo o mundo diz isto…mas tu és realmente o melhor Pai do mundo].

“Fazes-me muita falta filha. Não te preocupes, eu estou bem e sei que tu também estás. Só não tinhas nada que crescer tão depressa (…)”

“Tenho saudades tuas filha. Desculpa ainda não ter aprendido com a realidade mas sinto-me muito sozinho. Mesmo fechada no teu quarto o meu coração tinha conforto (…)”

“Há 25 anos quando te tive pela primeira vez nos braços pensei, na inocência dos meus 21 anos, que tinha realizado o maior feito do mundo. Que tinha criado um ser quase que perfeito. Hoje, na tranquilidade dos meus 46 anos, continuo a achar o mesmo (…) do teu pai que te ama muito e continua a ter dificuldade em viver o dia a dia sem te ver, porque o resto sei que terei sempre.”

(resposta à minha afirmação de que a vida não é um mar de rosas)
“Não é um mar de rosas mas não há nada melhor do que estar vivo. E tudo, mesmo quando não parece, tem algo para ter acontecido… Ainda hoje a minha mãe me disse (muito mal): Não faças como eu. Não esperes até aos 70 anos para chegares à conclusão que não viveste. Eu apenas disse: Não digas isso, nunca mais (…) se não tivesse casado com quem casei não tinha hoje as melhores filhas do mundo. Podia ter uma Patrícia mas não teria a MINHA Patrícia. Só isso jamais me fará arrepender de nada (…) Fica em paz filha, estou sempre por perto enquanto respirar.”

A isto só posso chamar de Amor. Amor puro. Amor genuíno. E por isso hei de acreditar sempre que ele realmente existe e é possível. Porque foi assim que aprendi a amar!

terça-feira, janeiro 27, 2009

“Vou levá-la a um dos meus restaurantes preferidos – diz enquanto estaciona o carro numa rua perpendicular ao mar, na Foz.
- O tal Cafeína? Nunca lá fui.
- Há sempre uma primeira vez para tudo – remata com ar absorto antes de desligar o motor. Bem, bem, ainda não nos sentamos à mesa e já começaram as bocas. Isto ainda vai dar molho.
Não escondo o meu agrado pela escolha. O Cafeína é daqueles restaurantes que conquistam mesmo antes da primeira garfada. Sento-me com a sensação de que vou cá voltar muitas vezes. (…)
Olho-o fixamente. Este homem tem qualquer coisa. Qualquer coisa de especial que me dá vontade de ficar a tarde toda a conversar com ele. E não é só charme nem simpatia. É outra coisa qualquer que não consigo definir. Uma mistura alquímica de doçura e inteligência. (…)
Fala baixo, particularmente baixo, como se nem eu própria pudesse ouvir o que diz. Sinto o olhar dele a entrar-me pela cabeça adentro. E sinto-me invulgarmente permeável, indefesa perante a sua perspicácia e rapidez. Se não lhe achasse graça, consideraria este tipo de comentários despropositados e de mau gosto. Mas há qualquer coisa nele que me desarma, e o pior é que não me estou a importar nada com o facto de ele me desarmar. (…)
Acabamos de almoçar tarde, depois de uma longa conversa em que ambos revelamos mais do que gostaríamos das nossas vidas. (…) É isso. É isso mesmo. É a calma, nele, que me seduz. O tom de voz baixo e pausado, o olhar tranquilo, os gestos ponderados, as palavras escolhidas, o sossego e o recolhimento. Este é o tipo de homem que passa horas fechado em casa a ler e a ouvir Keith Jarrett. Aposto que tem uma casa aconchegada, com uns sofás cheios de almofadas e dezenas de molduras com fotografias dos amigos na sala. Pertence ao strong silent type que o Woody Allen tanto inveja. E eu também. (…)
Está surpreendido comigo tanto como eu com ele. Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si. (…) Se possuísse um pingo de bom senso punha-me imediatamente a andar (…) Mas, como dizem os espanhóis, el sentido común es el menos común de los sentidos. E eu tenho esta atracção fatal pelo abismo, apetece-me sempre pisar o risco e desafiar a sorte. (…) Ninguém faz nada nesta merda de país, preferem todos aderir ao sistema em vez de dar uma volta à vida.
- Se pensasse com um bocadinho mais de calma não ficava com tantas rugas nessa testa de boa aluna…
Lá está ele outra vez a apanhar-me o fio à meada. A empregada de mesa aproxima-se.
- São dois gelados de limão com vodka por favor, enquanto a senhora pensa se me vai ou não mandar à fava – diz ele à rapariga de cabelo escorrido e óculos graduados. – O que é que acha? Acha que eu mereço que ela me mande à fava ou não?
Isto é extraordinário. Está a fazer charme à empregada do restaurante e ao mesmo tempo a gozar com a minha cara. A rapariga olha para ele com um ar enfiado e esboça um sorriso falhado em forma de esgar.
- Deixe lá, o senhor gosta de dizer estes disparates.
A rapariga afasta-se com passos curtos e hesitantes.
- Como é que sabe?
- Com tanto à vontade, deve fazer destas gracinhas todos os dias.
- Olhe que não, olhe que não… – fixa-me com ar discretamente sedutor – se fosse a si, ficava hoje por cá…parece-me que nos vamos dar muito bem… o que é que acha?
Cabrão. Estás-me a lançar a rede e está-me a apetecer cair. (…)
A sobremesa aterra finalmente em cima da mesa. Ele tem razão. Gelado de limão com vodka é uma combinação de primeira água. Saboreio o manjar enquanto me observa deliciado.
- Já vi que gosta das coisas que lhe recomendo…
- Pois gosto.
- E olhe que ainda não viu nada.
Se a presunção pagasse imposto, este gajo levava com a tabela máxima.
- O que vi já chega.
- Mas o que eu vi ainda não.
- O que é que quer dizer com isso?
- Quero dizer que você é uma mulher excepcional em demasiadas coisas para eu não me interessar por si. É muitíssimo esperta, sabe o que quer, trabalha bem, é bonita, tem uma maneira de se arranjar que me agrada, é requintada, elegante, tem savoir faire, tem bom ar…olhe, acho-lhe imensa graça, o que é que quer que eu lhe diga?
Quero que te cales, estúpido. Sabes muito bem que as mulheres resistem mal a elogios e estás-te a aproveitar disso. (…)

Estou a apaixonar-me minuto a minuto, segundo a segundo. Sinto-me dissolvida nele e em tudo o que o rodeia. Sei que este jogo é perigoso e arriscado, há muitos anos que não o jogo, mas agora não me interessa. Quero perder a cabeça e deixar-me ir nos braços deste homem. Do aplauso nasce o amor, escreveu Gabriel Garcia Marquez, eu admiro este homem. Admiro-o em tudo o que faz e que diz, pela forma como o faz e como o diz. Admiro a sua calma e ponderação, a sua forma sossegada de amar, o seu espírito crítico e observador, a sua cabeça pensante e a sua personalidade vincada sem um traço de dureza. Quero tê-lo perto de mim, nem que seja por um dia, nem que seja por um instante. Estou a apaixonar-me outra vez, mas já nada me preocupa. Perdi o medo, sou só vontade. Ele olha-me com os olhos cheios de curiosidade e prazer, como se quisesse registar na memória cada momento, cada gesto, cada movimento da minha boca.
- Há momentos na vida em que me sinto tão próximo da perfeição que podia morrer daqui a uma hora e não me importava.
Respondo-lhe: eu também…
Quando olho para o relógio passa das cinco da manhã e espanto-me com a frescura que sinto, como se o corpo não fosse meu, como se apenas o meu espírito ali estivesse a pairar, suspenso no tecto a vaguear (…)
Ele abraça-me outra vez, levanta-se e traz-me o pequeno-almoço à cama. O dia começa a clarear lá fora enquanto dançamos durante horas esquecidas, fundidos um no outro, como se tivéssemos crescido a dançar juntos.
E nessa manhã, algumas horas mais tarde, quando acordo ao lado dele e o vejo erguer-se a abrir ligeiramente as cortinas, reparo que daqui a alguns anos vai ficar careca e que não me vou importar.”

In "Não há coincidências" de Margarida Rebelo Pinto

segunda-feira, janeiro 26, 2009

"Vamos para onde? - Longe. E onde é que isso fica? - Perto."

Na sua solidão, cada um deles pode, pura e simplesmente, perder-se... ou, talvez, encontrar o outro.

Vamos sorrir juntos?

sábado, janeiro 24, 2009

Faz-me acreditar

Lugares: poucos. Músicas: algumas. Momentos: vários. Lembranças: todas. Sentimentos: grandes. Mágoas: impensáveis. Saudades: imensas. Desejos: muitos. Dúvidas: apenas uma...desistir mesmo sendo apologista de que nunca se desiste?


"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar"



Cada lugar teu - Mafalda Veiga

quarta-feira, janeiro 21, 2009

O que me apetecia agora mesmo...

...era ouvir esta música ao vivo. Saltar enlouquecida e cantá-la o mais alto que a minha voz permitisse. Sentir a energia da multidão ao rubro e absorvê-la a 100%! Uiiii...ia ser uma terapia fantástica!!!
The Killers no seu melhor com "Human". Como ouvi no outro dia um jovem a dizer, com o belo do sotaque à Porto: "GANDA MALHA!" [já que não pode ser ao vivo, no meio do povo...salto e canto - ou tento - em casa] So...Let's Rock!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Carpe Diem

O que pode demorar dias, meses, anos a ser construído pode demorar um segundo a ser destruído… Penso que na vida não deveriam existir determinadas palavras ou expressões. Como é o caso do “talvez”, do “mas”, do “vou pensar”, do “se calhar”, do “não sei”, do “fica para depois”, quando esse depois ou o amanhã podem nem sequer existir. Chamem isto de exagero, extremismo ou pessimismo, eu cá chamo realidade. Não somos imortais e o nosso destino só a Deus pertence, como dizem os mais religiosos.

Quase todos os dias a minha mãe chega a casa e conta-me histórias que não lembram a ninguém. É o marido da amiga que teve um AVC, é a mãe de uma colega de trabalho que teve um acidente, é o pai de não sei quem que morreu de um dia para o outro, é a amiga que descobriu um cancro. E nessas alturas eu penso no quanto somos pequeninos e o quanto perdemos por sermos tão picuinhas com pormenores que, no fundo, não interessam para nada. Perdemos demasiado tempo a pensar, quando esse mesmo tempo deveria ser gasto a viver como se não houvesse o tal amanhã.

Lembro-me como se fosse hoje daqueles dias terríveis de Agosto e Setembro, quando de repente a minha avó, que respirava saúde, foi atirada para uma cama do hospital. Se por um lado a minha vida tinha dado uma volta de 180º, por outro tinha acabado de chegar de umas férias fantásticas, preparada para seguir em frente com um sorriso rasgado. Aquela notícia caiu que nem uma bomba na minha cabeça. Parecia que o meu mundo se estava a desmoronar por completo, já não sabia que mais me poderia acontecer naquele instante. Toda a gente fora, a casa vazia, eu tinha de me conseguir manter erguida sozinha, sem o apoio de ninguém. Não sei bem como consegui, sei que nestas alturas me apercebo do tamanho da força interior que temos e que desconhecemos por completo.

Quando cheguei e corri para o hospital, ainda falei com ela. Tudo me parecia mais ou menos controlado. No dia a seguir estava em coma. Não me lembro de sentir tamanho sufoco, tamanha dor. Fiquei desorientada. Não me queriam deixar vê-la naquele estado e eu teimei… Quando vi a minha avó imóvel, mantida viva por uma máquina, cheia de tubos, quase desfaleci. Dei-lhe a mão, acariciei-lhe a face e disse-lhe entre soluços – acreditando piamente que me ouvia – “ai de si que me deixe, todos precisamos de si aqui”. Não consegui ficar muito tempo. Saí a correr, desnorteada, encostei-me a uma parede das escadas e deixei-me escorregar em pleno pranto. O meu avô e os meus tios esperavam-me na porta e eu não queria que me vissem naquele estado. Limpei as lágrimas e saí de óculos escuros para que ninguém visse os meus olhos inchados. Dei um abraço ao meu avô e disse-lhe “Não se preocupe que a avó não tarda nada está em casa. Daqui a um tempo, tudo isto não passará de um pesadelo. O que ela precisa agora é que o avô acredite nela. A força da atracção existe por isso pensamento positivo!” Não sei como consegui, mas dei ao meu avô a força e a energia que nem eu tinha para mim. A verdade é que ele me dizia todos os dias “Em casa estou sempre a repetir em voz alta: ela vai ficar bem, ela vai ficar bem!”. E eu ficava feliz por estar a conseguir dar ânimo a quem dele precisava, porque sei que se a minha avó partisse, o meu avô partiria junto. E isso seria uma tragédia na família.

Nesse dia saí do hospital em estado de choque. O carro ia para onde queria, eu já nem sequer o controlava. Sei que a dada altura o parei, saí e sentei-me em pleno passeio a olhar para o céu e a pensar “O que é que eu faço?”. Nunca tive um sentimento de impotência tão grande. Quando os meus pais me ligavam tinha de fingir que estava tudo bem, dentro dos possíveis. Quando estava em casa, sozinha, o telemóvel sempre que tocava eu estremecia, com medo do nome que ia aparecer no visor e do que poderia ouvir do outro lado. Nesta altura, todos os restantes problemas da vida me pareceram fúteis e banais. Nunca a palavra nunca esteve tão presente. Quando dizem que nestes momentos de aflição uma pessoa se agarra a tudo, é bem verdade. A igreja foi o meu maior refúgio. E o meu maior apoio.

Sem entrar em muitos mais pormenores, a verdade é que, da mesma maneira que de um dia para o outro a minha avó tinha ficado entre a vida e a morte, também de um dia para o outro recuperou. E no natal brindamos todos à presença dela entre nós com um sorriso e lágrimas nos olhos de felicidade. A hora dela não tinha chegado. Felizmente.

Quando recordo aquilo que passei com esta situação de quase perda, sinto que deveria dizer todos os dias às pessoas de quem gosto, o quanto gosto delas e o quanto são importantes para mim. Sinto que deveria viver mais intensamente, sem medos, sem vergonhas, arriscando tudo e dando tudo de mim como, quando e a quem me apetece. Sinto que devia dizer a toda a gente que tem um “talvez” na vida que tenha antes uma certeza. Que viva e aproveite todos os momentos sem receio, sem dúvidas, sem os entraves que todos teimamos em meter no nosso caminho!

A felicidade depende de nós. E isto que hoje aqui escrevo vou fazer por ler muitas vezes. Para que me lembre, sempre que me esquecer, que a vida são dois dias…

sábado, janeiro 17, 2009

Sobre a Felicidade

Felicidade é…

Os dias longos de verão. O sol a brilhar. A areia nos pés. O som do mar. O bronze dourado. O gelado ao final da tarde. As noites quentes. As caipiroskas fresquinhas e a sangria.

O pequeno-almoço. O almoço. O lanche. Os jantares. A ceia. Acompanhada por quem me é especial.

Ver o nascer e o pôr-do-sol.

Tomar um banho quente no Inverno. Tomar um banho fresco no Verão.

Ir de férias. Contigo. Com eles. Com elas. Com vocês. Do meu coração.

Ouvir música. Na rádio. Na aparelhagem de casa. No computador. Num concerto. Dançar. Saltar. Cantar. Gritar.

Rir-me às gargalhadas até que me doam os abdominais e escorram lágrimas dos olhos.

Jogar às escondidinhas. Ás caçadinhas. Á macaca. Ao elástico. Ao “natural water killers” e ao “lambe-cricas” na Zambujeira. Um jogo qualquer inventado porque me/nos apeteceu…

Um prato cheio de massa. Á carbonara. Á bolonhesa. Com frango. Com feijão e grão de bico. Ou simplesmente massa.

Quando não posso ou não me apetece ir. Mas me demonstram que faço falta.

Surpreender. Ser surpreendida. Os sorrisos provocados pelo inesperado.

Uma mensagem. Um telefonema. Uma carta. Um e-mail. Quando não se está à espera.

Um abraço apertado. Um beijo sentido. Um mimo carinhoso. Um gesto ternurento. Um olhar a brilhar. Passear de mãos dadas.

Conduzir numa estrada sem trânsito. Larga. Sem curvas. Na luz do dia. O pé a pesar no pedal do acelarador. A música aos berros.

Ir para a montanha no Inverno. Os skis nos pés. A paisagem branca. Ir para fora de pista. Cair sem me magoar. Ficar com o gorro, o cabelo e os óculos cheios de neve. Rir sem conseguir parar estendida no chão. Baixar-me e deixar-me ir a toda a velocidade, a sentir o vento gélido na face que o cachecol não consegue tapar… As tostas mistas ao final do dia. O chá a ferver à noite. A lareira acessa. O edredon fofinho. O filme no aconchego.

Vestir roupa nova. Sentir-me bem. Receber um elogio.

A minha pika. Os mimos. As brincadeiras. A companhia. Os passeios na praia.

Partilhar. Sonhar. Fantasiar. Lutar. Concretizar. Ganhar. Dar. Receber. Amizade. Amor. Sinceridade. Honestidade. Humildade. Simplicidade. Segurança. Confiança. Liberdade. Tranquilidade.

A felicidade é...
(por Miguel Esteves Cardoso com alguns comentários meus)

"...Feliz é uma coisa que se é ou não é. Não se pode "estar" feliz. Pode-se estar bem disposto, pode estar-se alegre, pode estar-se satisfeito, mas feliz é a coisa que simplesmente não faz sentido estar. Ou se é ou não se é.

...Feliz é também uma coisa que ninguém se torna, que ninguém fica e que ninguém compra. Ou se é ou não se é. É como ser louro (apesar de eu achar que ser feliz é mais parecido com ser moreno). As pessoas felizes são aquelas que têm vergonha de falar nisso. Em Portugal, dizer "eu sou feliz" é como dizer "eu sou rico". É escandaloso.

...Para se ser feliz é preciso ser um bocado parvo. [concordo em pleno!! Estou sempre a dizer "sou tão parva!". Afinal ando sempre a dizer que sou feliz]

...As pessoas felizes só pensam nos outros. É como se não existissem. É por isso que conseguem ser felizes. É uma ilusão de óptica muito bem feita. Ninguém é mais feliz que o homem invisível.

...Para se ser feliz é preciso ser-se um pouco cegueta. [eu sou, eu sou!!] Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há: ingénua, lírica, naïf, boazinha. Aquela de que gosto mais é "Vives noutro mundo!". Haverá coisa melhor que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este? [Agora percebo porque todos dizem que sou ingénua e boazinha. Acabou-se a minha dúvida existencial! Também estou sempre a queixar-me que quero pôr os pés na terra e não consigo...afinal os outros é que estão mal!]

...Em Portugal, a felicidade é reprimida. A felicidade, em Portugal, é considerada uma espécie de loucura. Porquê? Porque os portugueses, quando vêem uma pessoa feliz, julgam que ela está a gozar com eles.

...Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes. [Com isto só posso ser a favor da extinção de Portugal!]

...E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de culpa.

...As pessoas felizes precisam de se afirmar, de deixar de fingir que também estão permanentemente na fossa. Devia haver emblemas grandes a dizer "EU SOU FELIZ E ESTOU-ME NAS TINTAS" ou "EU SOU FELIZ E NÃO TENHO CULPA".

...As pessoas felizes também choram, também sofrem, também se angustiam. Só que menos. Aliás, muito menos..."

sexta-feira, janeiro 16, 2009

21 | 11




"Fotografa-me agora com os teus olhos e pergunta-me outra vez para que eu possa dizer-te sim e repetir…"

"O que é este sentimento, que embala e me encanta, traz-me a magia, ser tua, ser meu, ser teu, ser minha, nesta imensa jornada?... Quem me diz do peito ardendo, o suor escorrendo, um calor percorrendo o meu corpo ansioso, quem me diz o que é… o que tenho? E o amor responde-me… é o sentimento mais belo, que tem até dia eterno, para ser celebrado, saudado, lembrado… é o sentimento mais nobre, efeito que envolve, anestesia e te enche de luz… e o amor dá-me as mãos, cativa-me, sussurra prazeres… conta-me dos seres que envolve… domina… e nesta magia, me entrego aos teus braços, sorrisos abertos, olhares brilhantes e nele me envolvo, me aqueço e num só desejo, me entrego…me dou!!
...
Assim do amor aplico todo o excesso, sem a menor fracção desperdiçar, e sigo amando mais e recomeço, mostrando a arte de viver, de amar. Deixa em teu rosto minhas mãos carentes e sente como estão húmidas de amor e que, na brevidade do calor, dizem palavras mudas-eloquentes. São mãos querendo desesperadamente carícias, que um tempo sem candor levou e que, despidas de pudor, procuram por lembranças já dormentes. Se a lua faz-se bola de cristal, e vagalumes beiram o luar, elas se aquecem em teu brilho banal. Deixa teu rosto de pedra sonhar, que minhas mãos são jorros d’água e sal, que caem sobre ti com sons de mar… O nosso amor é sangue. É seiva. É sol. É Primavera. Amor intenso. Amor instante. O nosso amor é uma arma. E uma espera. O nosso amor é um cavalo alucinante. O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa. Rasgando o céu azul-coragem. Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo. O nosso amor. O nosso amor é como a flor do aloendro. Deixa-me soltar estas palavras amarradas…"

Eternis

quarta-feira, janeiro 14, 2009

No meio da multidão, numa luz ténue mas cintilante, instável, olho de relance para trás e vejo-te. Nesse momento tudo pára, como só nos filmes é possível. As pessoas ao meu redor deixam de existir, o movimento deixa de se sentir, o barulho deixa de se ouvir, o espaço deixa de ser de todos e passa a ser só nosso. Só nós e a música, que não é ruído.

Os nossos olhos fixam-se, encantados. Sorrimos um para outro e nesse segundo desvio o olhar para o chão, sem jeito. Olho novamente para ti e estendes-me a mão. O mundo à nossa volta continua a ser uma espécie de utopia. Naquele lugar, apenas eu e tu. Dou-te a minha mão, agarrando a tua com vigor. Puxas-me para ti e entrelaças-me nos teus braços. Caras encostadas, sinto o teu cheiro que se mistura com o meu. Passo a minha mão pelo teu cabelo, num gesto de ternura. Beijo-te o pescoço e perco-me…no tempo e no espaço…perco-me em ti.

A música ainda se ouve. Toda a gente a deve ouvir. Tu também a ouves. Senti-la também toda a gente a sente mas todos de uma forma diferente. Todos interpretam a melodia da música como querem. Todos sentem a música conforme o estado de espírito, conforme as memórias ou as lembranças à qual a associam. Começa a tocar uma música calma, que transmite tranquilidade e pede o aconchego. Os nossos corpos, ainda agarrados, deixam-se levar por ela e movem-se ao som das notas que se soltam. Sinto-me em paz e protegida. Se conseguisse, se tivesse esse poder, parava a vida naquele instante e assim ficava…para sempre. Sentindo-me assim, contigo preso a mim.

Olhamos novamente um para o outro e passas a tua mão pela minha face. Sorris. Eu fixo-te com o olhar. Ao mesmo tempo que me acaricias e sorris, ouço-te dizer-me “És tão bonita”. O meu olhar fixo torna-se a mover, timidamente, e solto um riso de felicidade por ouvir as tuas palavras que sinto sinceras. Olho para ti novamente, com carinho. Com os corpos ainda em “slow motion”, chego-me a ti, ao teu ouvido e, mesmo sem talento, canto-te baixinho: “não me deixes…no livro que eu não li, no filme que eu não vi, na foto onde eu não entrei…não me deixes na história que não terminou…” Com as tuas mãos à volta da minha cintura, apertas-me ainda mais contra ti, como quem abraça o tempo, como quem abraça a vida, e dizes-me em segredo “Onde estiveres, eu estou. Onde tu fores, eu vou. Se tu quiseres assim. Meu corpo é o teu mundo…és parte de mim. Para onde olhares, eu corro. Se me faltares, eu morro. Agarra-me esta noite…”.

E eu agarro-te. Deixo-me estar perdida em ti e no teu beijo. No nosso beijo. Para o resto dos meus dias.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Há dias assim. Em que até as palavras perdem o sentido.